A Ilha mágica é como um jardim rodeado de água. No seu centro a árvore e a fonte da vida… Mitos e lendas falam-nos desses jardins frondosos, das suas árvores em flor, dos seus pomares de macieiras. Nas histórias do mundo inteiro, tais paraísos situam-se no Oeste. The Language of Ma, Annine Van der Meer
segunda-feira, 15 de julho de 2013
REESCREVER A HISTÓRIA NO FEMININO - AS NOVE IRMÃS DA HESPÉRIA
Um grupo de nove mulheres (e um homem) dança numa pintura rupestre na Catalunha, Cogul. De um tempo em que ainda não havia fronteiras na Hespéria, terra de abundância, de ouro, de paz, um dos últimos redutos do Matriarcado na Europa. Serão as mesmas que ainda hoje são cultuadas como "santas" na Igreja Católica? Estou em crer que sim, as nossas remotas antepassadas, as portentosas mulheres do Neolítico, construtoras dos monumentos megalíticos que ainda perduram. São elas as nossas Mouras Encantadas, vivendo numa outra dimensão, num território intraterreno, como na Irlanda os Tuatha-De-Danan... Esta é a visão da minha grande mestra, Dalila Lello Pereira da Costa, que para mim faz todo o sentido.
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Hespéria
“Por fim, abre-se aos olhos sequiosos de luz do peregrino a
mística máxima de todas as finisterrae do Ocidente, completando a noção
iniciática de morte e ressurreição, no lugar onde o Sol se põe e se encontra
com o Mar incógnito, símbolo da Vida Eterna ou Vida além-Morte, onde termina o
Mundo conhecido do Espaço Com Limites e começa o Mundo desconhecido do Espaço
Sem Limites indefinido reflectido na imensidão de Além-Mar, o Oceano Sem Praias
beijado pelas brumas do Mistério.
Os finisterrae sempre foram referidos pelos autores
clássicos como lugares de abastança dos corpos, felicidade das almas e de
presença divina. Hesíodo localiza a Ocidente o Jardim das Hespérides, as ninfas
do entardecer e filhas de Atlas que tinham a função de proteger esse jardim
onde estava a árvore das maçãs de ouro; Homero refere a felicidade dos
habitantes da Hespéria, definindo-a como o local reminiscente do Paraíso de
Saturno, símbolo da Idade de Ouro. Plutarco afirma na biografia de Sertório a
vontade deste general romano em terminar os dias na Hispânia sob a graça de
Vénus, a guardião da Ilha dos Amores onde não há guerras nem tiranias, etc.”
Victor Manuel Adrião
O texto completo em:
quarta-feira, 8 de maio de 2013
MAIA
Gosto muito desta imagem da Deusa Maia, guardiã das casas e dos campos, da semente até à sua plena maturação.
Precisamos d'Ela agora, da Sua divina proteção para as sementes do nosso planeta, ameaçadas, tendo-se ao que parece tornado - imagine-se - um recurso privado.
Imagem: Google
Precisamos d'Ela agora, da Sua divina proteção para as sementes do nosso planeta, ameaçadas, tendo-se ao que parece tornado - imagine-se - um recurso privado.
Imagem: Google
MAIA - A RAINHA DE MAIO
Esta divindade da nossa Roda do Ano acaba de manifestar-se, de chegar até mim. Primeiro ouvi falar dela, já não sei bem como, mas houve uma ressonância qualquer... Simplesmente não sabia onde A encaixar. Até que comecei a invocá-la na Roda Dourada do Jardim das Hespérides. Mas ainda estava na dúvida se haveria de considerá-la ou não até que ontem à noite enquanto escrevia sobre a cerimónia de Beltane (obrigações do meu treino de sacerdotisa da Deusa), ficou evidente que esta boneca em tamanho natural que ainda hoje (ai o folclorismo das juntas de freguesia, que mesmo assim, vá lá, ainda vai conservando alguma coisa...) se faz em muitos lugares de Portugal é uma representação da Deusa. Que Deusa? Maia, óbvio! a nossa 'Rainha de Maio', que existe também na tradição de Avalon. Ela é uma propiciadora de fertilidade e abundância, protetora da casa e das colheitas que nesta fase de crescimento e até à sua completa maturação ainda estão sujeitas a perigos vários, como pragas e tempestades.
Embora não se fizessem na região onde nasci, inúmeras imagens no Google atestam da popularidade deste costume.
Tenho consciência de que para algumas e alguns de nós pode parecer tratar-se duma imagem tosca e um tanto grotesca dificilmente assimilável à ideia que se faz da 'dignidade' duma Deusa... No entanto, dentro da cultura popular, não há dúvida de que se trata duma forma genuína de representar a Deusa, ingénua e deliciosa na sua exuberância e criatividade, absolutamente fascinante, embora devamos ter em conta que muito mal tratada por uma cultura que deixou de reverenciar a Mulher e a Deusa, passando mesmo a ridicularizá-la de todas as formas possíveis. Cabe-nos a nós hoje em dia voltarmos a dar a estas manifestações ainda remanescentes e um tanto fossilizadas do culto da Deusa a sua verdadeira dimensão sagrada.
Embora não se fizessem na região onde nasci, inúmeras imagens no Google atestam da popularidade deste costume.
Tenho consciência de que para algumas e alguns de nós pode parecer tratar-se duma imagem tosca e um tanto grotesca dificilmente assimilável à ideia que se faz da 'dignidade' duma Deusa... No entanto, dentro da cultura popular, não há dúvida de que se trata duma forma genuína de representar a Deusa, ingénua e deliciosa na sua exuberância e criatividade, absolutamente fascinante, embora devamos ter em conta que muito mal tratada por uma cultura que deixou de reverenciar a Mulher e a Deusa, passando mesmo a ridicularizá-la de todas as formas possíveis. Cabe-nos a nós hoje em dia voltarmos a dar a estas manifestações ainda remanescentes e um tanto fossilizadas do culto da Deusa a sua verdadeira dimensão sagrada.
©Luiza Frazão
Imagens: Google
segunda-feira, 6 de maio de 2013
A Quinta-Feira da Espiga, 9 de maio
Esta é uma tradição bem nossa que sempre me fascinou e procuro cumprir desde a infância, só interrompida nos anos em que vivi fora do país. Semanas antes já ando a ver onde há espigas de trigo, sempre o mais difícil de encontrar nestes últimos anos. Este ano foi mesmo difícil mas já sei onde há algumas misturadas com outro cereal...
Encontrei este texto de Aurélio Alves, onde se diz que a hora mais propícia é o meio-dia. Então, quem puder é uma excelente forma de nos reconectarmos com a nossa tradição pagã...
"O fenómeno de revitalização vegetativa, em que a natureza
após a longa letargia invernal acorda, desabrochando numa sinfonia de vida,
constituiu sempre para as populações arcaicas, um momento mágico e determinante
da visão cósmica da existência. Momento aguardado com a ansiedade das perspetivas
de novas colheitas mas, igualmente despoletador de dúvidas acerca da sua efetiva
realização, este é o tempo em que chega
a Primavera.
Tempo sagrado, como todos os tempos de transição, nele se
efetuavam, em épocas passadas, diversos cerimoniais cujas funções exprimiam a
comemoração festiva do eclodir primaveril e, algumas vezes até, rituais de
expulsão simbólica do Inverno que terminava. Neste sentido, realizaram-se
durante séculos, por todo o mundo mediterrâneo, grandiosos festivais florais em
que jovens nubentes se espalhavam pelos campos e, em alegre convívio cantavam e
dançavam, e se enfeitavam com verduras e flores, num ritual ancestral de que o
nosso “dia da espiga” constitui herdeiro direto, embora minorado.
Poder-se-á dizer, então, que fazendo parte deste ciclo
festivo da Primavera, a Quinta Feira da Ascensão, ou “da espiga”, corresponde à cristianização de
um complexo de festividades pagãs ligadas à celebração e consagração da
natureza.
Não é portanto de admirar que este tempo vital, expresso no
renascer das plantas, no desabrochar das árvores e na proliferação das flores e
frutos, desencadeasse grandes manifestações de alegria, em que jovens se
dirigiam para os campos, para aí, em comunhão com a natureza, festejarem e,
naturalmente, adquirirem também eles as energias fecundantes que nesta altura
fluíam em profusão.
Mas o “dia da espiga” era também o “dia da hora”. Herdeiro
de simbolismos primevos, este era um tempo particularmente sagrado. Um tempo
por muitos considerado “o dia mais santo do ano”, em que se não devia trabalhar
e em que “nada bulia”, em que as transgressões
referentes ao trabalho se revelam estranhamente ineficazes, quando não
se manifesta até outro tipo de sanção mais radical.
Avultava, aí, uma hora em que as coisas possuíam especiais
valências e singulares transcendências... o meio-dia! Essa é a hora em que os “as
águas dos ribeiros não correm, o leite não coalha, o pão não leveda e até as
folhas se cruzam” configurando assim, devotadamente, o sinal da cruz?! De
sacralismo tão intenso que, como se crê, na zona do Vale do Tejo, nem os “passarinhos
vão ao ninho”!
Ao meio-dia se deviam, então, colher as ervas que iam ser
utilizadas na farmacopeia popular durante todo o ano. Ao meio-dia se deviam
preferencialmente colher os diversos raminhos que no seu conjunto constituíam a
“espiga”, temporalidade que por razões funcionais foi, em muitas zonas, caindo
em desuso.
É um tempo prodigioso, eivado de proibições e obrigações.
Nalgumas aldeias acreditava-se que não se podia, nesse dia, cozer pão. Noutras,
pelo contrário, o pão cozido era sagrado, mantendo-se incorrupto até ao ano
seguinte.
Em Alenquer, por exemplo, o leite ordenhado nesse dia não se
vendia, dava-se, já que a realização de negócios, mesmo os mais simples, constituía
mau presságio.
Em casa “a espiga” era, e é, guardada atrás da porta ou
junto da imagem de particular devoção. A mera existência numa habitação desse
simples raminho, constitui poderoso e multifacetado amuleto. Para dar saúde,
alegria e abundância e, especialmente, para que nessa casa nunca faltem os
indispensáveis azeite e pão!
Aliás, o seu sentido propiciatório era, em tempos idos,
evidente e diversificado. Quando das trovoadas, um bocado posto a arder à lareira
afastava os raios e oferecia proteção eficaz contra a tormenta.
A este tempo estavam ainda ligadas as oferendas das “primícias”
e as ”bênçãos dos campos”, nos nossos dias, por razões funcionais, de contornos
institucionais mais ou menos litúrgicos e de temporalidade mais variada. Em
muitas zonas do país, costumavam soltar-se, durante a missa, grupos de
andorinhas que, paciente e delicadamente, se tinham apanhado nos dias
anteriores, adornadas as mesmas com coloridas fitinhas e lacinhos vermelhos.
Enfim, sejam ou não vistos, hoje, numa perspetiva canónica,
fazendo ou não parte do imaginário popular, estas tradições que comemoram o
desabrochar da Primavera são sempre tempos especiais na temporalidade mística
das populações rurais mediterrâneas e, na sua coexistência com o sacralismo da
terra-mãe, hierofania exemplar da sua relação com a esfera do sagrado.
É o milagre da vida, que se renova periódica e
inexoravelmente todos os anos. Da terra prenhe eclodem os frutos naturais.
Semente divina, condição de sobrevivência, dádiva da fertilidade que as massas
urbanas apenas, hoje, apreciam à distância!" (adaptado)
Aurélio Lopes
http://www.apagina.pt/?aba=7&cat=158&doc=11729&mid=2
sexta-feira, 3 de maio de 2013
MÃEMUNDO - A VISÃO DUM MUNDO CENTRADO NOS VALORES DA MÃE
A versão definitiva deste projeto acaba de me chegar às mãos e é com imenso prazer que a publico aqui neste blogue dedicado ao Templo da Deusa do Jardim das Hespérides. Acredito que se trata dum projeto bem realista, exequível e profundamente transformador no melhor sentido... Ele foi inicialmente concebido por Kathy Jones, fundadora da Goddess Conference de Glastonbury, Inglaterra, e do Goddess Temple da mesma localidade, e depois de discutido pela Comunidade da Deusa acaba de ser lançado há dias num evento sobre o sagrado feminino em Turim.
A Visão da MãeMundo Abril 2013
A Visão da MãeMundo foi inspirada pela Senhora de Avalon,
Deusa de amor, compaixão, cura e transformação na Sagrada Ilha de Avalon.
A MãeMundo é uma sociedade onde a
mãe e os valores maternais - amor, atenção e apoio mútuos e para com a Mãe
Terra e todas as Suas criaturas e a natureza se colocam no centro das nossas
vidas, e não na periferia.
A MãeMundo é uma sociedade na
qual os valores criativos e de afirmação da vida, ações, ideias e conhecimento
são honrados e encorajados nas mulheres, homens e crianças. Trata-se duma
sociedade baseada no facto de que todas e todos nós dependemos da Mãe Terra.
Enquanto fonte e fundamento de tudo aquilo que somos e do que temos, entendemos
que é necessário tomarmos efetiva conta dela, de todos os seres e de toda a
vida.
Os principais valores da nova MãeMundo
Respeito pela Mãe Terra como o
ser vivo que é; partilha do amor, bondade, apoio e respeito mútuos, cuidado,
compaixão; respeito por todas as formas de amor maternal, e paternal, especial
carinho pelas crianças, proteção e cuidado com a terra, a água, o fogo, o ar e
o espaço do mundo inteiro.
Outros valores são sugeridos para
a nova MãeMundo, tais como: honestidade, integridade pessoal, autenticidade, conexão,
diversidade, direito de escolha, discernimento, inclusão, confiança, beleza,
expressão emocional, capacidade de escuta, capacidade para estabelecer
fronteiras e limites, reflexão, desenvolvimento da alma, empoderamento, cura do
aspeto sombra, busca da sabedoria, encorajamento da responsabilidade pessoal,
consciência do valor próprio, respeito por si própri@, autoconfiança, autodisciplina
e autorreflexão, serviço, oração, cerimonial, conexão, dádiva, recetividade,
generosidade, partilha da riqueza, humor, criatividade, educação para todas as
pessoas, uso de métodos não-violentos na resolução de conflitos, proteção da
Mãe Natureza e de todos os seres vivos, modo de produção ético de bens e serviços,
proteção das pessoas mais vulneráveis, valorização da sabedoria das anciãs e
dos anciãos e d@s antepassad@s.
A MãeMundo é uma sociedade na
qual as estruturas patriarcais e os valores de dominação, poder sobre, controlo
e coerção, avidez, lucro excessivo, competição destrutiva, violência, violação,
guerra, escravatura, sofrimento, fome, pobreza, poluição da Mãe Terra e da Sua
atmosfera, são entendidos como expressões da sombra da humanidade, que
necessita de ser desafiada, desconstruída, transformada e curada. Na visão
MãeMundo práticas de cura são encorajadas e disponibilizadas para todas as
pessoas.
Na visão MãeMundo reconhece-se
que todos os seres humanos têm feridas provocadas pelo condicionamento
patriarcal – padrões, emocionais e mentais que podem ser ativados na medida em
que tentamos mudar o nosso mundo. Na comunidade da Deusa, temos particular
consciência dos nossos aspetos sombra, os quais incluem inveja, ciúme,
julgamento, competitividade, colisão, ressentimento, debilitamento, maledicência,
acusação e julgamento, projeção de emoções negativas tais como raiva, vergonha,
ressentimento; medo, solidão, falta de amor-próprio, de autoestima e de
autoconfiança, como resultado das nossas experiências individuais, culturais e
cármicas.
Na visão MãeMundo uma das nossas
tarefas prioritárias consiste no amor e apoio mútuos e em assumirmos a
responsabilidade pelas nossas emoções reprimidas frequentemente hostis. Estes
aspetos sombra minam todos os nossos melhores esforços para mudarmos a forma
como nos relacionamos, como vivemos a nossa vida de pessoas que cultuam a Deusa
num mundo regido pelos valores patriarcais, como sacerdotes e sacerdotisas, nos
nossos compromissos pessoais para com a Deusa, impedindo-nos de atingir o
verdadeiro empoderamento. Entre nós, entretanto, já desenvolvemos muitas habilidades
e técnicas de expressão emocional, de escuta recíproca, podendo oferecer
reflexão e apoio para a cura destas feridas. Este trabalho de cura a nível
pessoal necessita ser acelerado neste particular momento que estamos a viver e
pode sê-lo com a ajuda da comunidade MãeMundo.
Apesar do nome MãeMundo ter sido
inspirado na novela de Barbara Walker “Amazon”, onde se descreve uma antiga
sociedade matriarcal, de ficção, não se trata aqui do retorno a uma sociedade
desse tipo, mas antes de um novo movimento em direção à criação de uma
comunidade centrada nos valores maternos, onde todas as pessoas são igualmente
valorizadas, apoiadas e apreciadas e onde em conjunto poderemos experimentar
novas ideias e formas. MãeMundo evoca a visão dum mundo amoroso onde todas e
todos nos possamos sentir segur@s no abraço da Grande Mãe.
O apelo da MãeMundo
Nós apelamos ao empoderamento das
mulheres e raparigas, homens e rapazes. Apelamos ao fim de toda a violência –
violência contra mulheres e raparigas, rapazes e homens, incluindo assalto,
violação, mutilação genital e circuncisão, escravatura, tráfico de pessoas,
tortura e guerra. Apelamos ao fim de toda a intimidação, poder sobre e todas as
formas de agressão. Apelamos ao fim do comércio de armas bem como à posse individual
de armas perigosas. Apelamos ao fim da fome, da pobreza, da falta de habitação,
da apropriação dos recursos do planeta por uma minoria à custa da maioria.
Apelamos ao fim do sacrifício de pessoas e de animais para fins religiosos,
políticos ou ideias sociais. Apelamos ao fim de toda a crueldade para com os
animais. Apelamos ao fim de todas as desigualdades com base no género, raça,
orientação sexual, incapacidade e idade.
A visão da MãeMundo foi iniciada
pela sacerdotisa de Avalon Kathy Jones e pela comunidade da Deusa do Templo da
Deusa de Glastonbury, Inglaterra, incluindo Amanda Baker, Amanda Posnett, Amber
Skyes, Ann James, Beci Monks, Beci Thomas, Carmen Paz, Caroline Lir, Cherry-Lee
Ward, Chrissy Heaven, Christine Watkins, Christine Watts, Duncun Howell, Elin
Hejll-Guest, Elle Hull, Emma-Rose Knight, Erin McCauliff, Francine van den
Berg, Georgina Sirett-Smith, Joanne Foucher, Joanne Hooper, John Reeves, Josie
Shaw, Katinka Soetens, Leona Graham, Lieveke Volcke, Lisa Newing, Lorraine
Pickles, Louise Tarrier, Luiza Frazao, Luna Silver, Mandie Thorne, Marion van
Eupen, Marisa Picardo, Michelle Patten, Mike Jones, Miriam Wallraven, Peter
Huzar, Renata de Queiroz, Rose Flint, Rosie Elflain, Sandra Roman, Sharlea
Sparrow, Shirley-Ann Millar, Stephanie Mathivet, Suzanne Viney, Tina Free, Trevor
Nuthall, Vera Faria Leal and Vikki Winstone. Website www.goddesstemple.co.uk
Esta visão está também a ser
recebida e partilhada por outras pessoas em diferentes comunidades e lugares do
mundo. A visão da MãeMundo é inclusiva e sem fronteiras. Ela apoia todas as
pessoas, mulheres, crianças e homens do mundo inteiro, trabalhando no sentido
de trazer de volta à sociedade e às nossas vidas os valores do feminino, mudando
o mundo para melhor. A MãeMundo favorece a diversidade de expressão, tal como
uma Mãe ama todas as suas filhas e os seus filhos com o seu carácter particular
e sua forma única de o expressar.
Comunidades MãeMundo e redes de
apoio podem ser formadas por qualquer grupo de pessoas que concorde com estes
princípios. Pedimos às pessoas interessadas que estabeleçam um compromisso com
a MãeMundo, bem como que haja contacto e conexão entre os grupos a fim de
podermos criar uma verdadeira teia de amor e de apoio aos nossos valores e
ações criativas.
A visão MãeMundo será ancorada e
ativada numa cerimónia a ter lugar na próxima Conferência da Deusa que terá
lugar em Glastonbury de 30 de julho a 4 de agosto de 2013. Website
www.goddessconference.co.uk
Compromisso com a MãeMundo
Seguem-se sugestões de
compromissos a serem estabelecidos por todas as pessoas que desejam cocriar a
visão MãeMundo, podendo este texto ser livremente usado por quem deseja
divulgar este projeto.
Eu comprometo-me a amar e a apoiar
esta Visão, as Pessoas e os Valores da MãeMundo, tal como foram apresentados
acima. A minha intenção é ajudar a trazer a MãeMundo à manifestação com os meus
pensamentos, palavras e ações no mundo. Eu apoio a Visão MãeMundo.
Eu comprometo-me a
responsabilizar-me pelas minhas próprias feridas emocionais e mentais e pela
sua cura.
Nome
-----------------------------------------------------------------------------------------------------
Endereço Postal
-------------------------------------------------------------------------------------------
E-mail
-----------------------------------------------------------------------------------------------------
Tel. --------------------------------------------------------------------------------------------------------
Assinatura
-------------------------------------------------------------------------------------------------
Data -------------------------------------------------------------------------------------------------------
Para ajudar a concretizar a Visão MãeMundo já criei/planeio criar ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Agradece-se o favor de enviar
compromisso e projetos para:
Glastonbury Goddess Temple, 2-4 High St,
Glastonbury BA6 9DU
Todos os nomes e compromissos ficarão
registados.
(Tradução do original inglês por Luiza Frazão)
domingo, 28 de abril de 2013
HELENA DOS CAMINHOS
Uma divindade de Beltane

Enquanto estudava sobre Elen of the Trackways, ou Elen of the Ways, lembrei-me de escrever no motor de busca "Senhora dos Caminhos", já que temos tantas Senhoras... E não é que havia mesmo!?... são muitas estão por todo o território...
Esta imagem é de uma capelinha que existe na Batalha, mais ou menos atrás mosteiro. As flores colocadas na grade da porta dizem-nos que este culto continua vivo entre nós...
Trata-se duma divindade complexa e fascinante, muito antiga, também uma Green Woman, cujo equivalente masculino é o Green Man.
Até Camões A conhecia e Lhe dedicou estes versos:
Se Helena apartar
do campo seus olhos,
nascerão abrolhos.
A verdura amena,
gados que paceis,
sabei que a deveis
aos olhos d' Helena.
Os ventos serena,
faz flores d' abrolhos
o ar de seus olhos.
Faz serras floridas,
faz claras as fontes...
Se isto faz nos montes,
que fará nas vidas?
Trá-las suspendidas,
como ervas em molhos,
na luz de seus olhos.
Os corações prende
com graça inumana;
de cada pestana
uma alma lhe pende.
Amor se lhe rende
e, posto em giolhos,
pasma nos seus olhos.
Elen protege as Linhas Ley por onde circula a energia da terra e os Seus caminhos podem conduzir-nos até às estrelas...
Para ler sobre Elen of the Trackways (embora a Sua grande especialista seja Caroline Wise, aqui também referida):
sexta-feira, 29 de março de 2013
QUEM É ESTA MULHER?
Para compreendermos quem são de
facto as nossas Deusas estou convencida de que precisamos de ir à cultura para
onde, segundo algumas pessoas entendidas, Elas terão sido levadas. Lá, a
influência da Igreja Católica parece não ter sido tão drástica; lá o Paganismo
nunca de facto terá acabado; lá, elas puderam conservar melhor a sua pureza
original, não tendo sido tão amputadas dos seus elementos femininos e
formatadas pelo Catolicismo. Aqui, a energia das Deusas convergiu toda para as
Santas e sobretudo para a Virgem Maria com os seus vários atributos que depois
desembocaram em funções específicas, mas posta completamente ao serviço do
projeto patriarcal, reduzida a Mãe "sofredora e misericordiosa". Quando digo que "toda" a energia das antigas deusas foi assimilada pelo projeto patriarcal, não será exato, convergiu aquela que se podia adequar, a outra foi simplesmente banida, diabolizada...
ENCONTRAR O NORTE
sob camadas e camadas de
condicionamento eclesiástico. Como entender, por exemplo, uma Santa como Iria
que na sua iconografia, na aldeia da Torre (outrora da Magueixa) exibe na mão
esquerda uma “panela de manteiga”, ou como devolver de novo à vida a
instituição das oito irmãs de santa Quitéria, que com Ela fazem nove, a
menos que se conheça, por exemplo, o trabalho do escocês Stuart McHardy (The Quest for the Nine Maidens) e o de Kathy Jones sobre as nove Morgens que regem a Ilha Encantada de Avalon?
Sabemos pois que as mais
importantes divindades cultuadas outrora pelo Paganismo foram assimiladas pela
Igreja Católica, ou por ela diabolizadas, e que as santinhas mártires e as Nossas Senhoras guardam essa
energia antiga. O que lhes aconteceu, porém, foi levarem um tal verniz neutralizador ou inibidor que dificilmente
reconhecemos mais as poderosas forças de outrora debaixo do uniforme da mártir
com a sua palma na mão (símbolo trazido da divindade grega Niké) ou o manto da
Senhora, que apenas parece ser sensível à nossa dor de “degradad@s”, nada mais. Sofrer
o mais resignadamente possível ("porque Jesus também sofreu e cala-te) para depois ganhares o céu, tal é resumindo e
concluindo o programa dos patriarcas católicos.
ENCONTRAR O NORTE
Lá mais para o Norte, as coisas
conseguiram sobreviver melhor, ou assim parece, apesar de também muito destruídas
pela mesma ideologia, e conseguiram-no sobretudo graças ao amoroso labor de
poetas e visionári@s, daquelas e daqueles que nunca se deixaram cortar nem da
Natureza nem dum fundo cultural muito antigo cuja magia continuou a verter jorros de inspiração sobre as suas almas . Também aqui houve e há disso, só que
a tendência é para remetermos para as prateleiras do fundo da nossa estante ou
para os bancos da escola o que nos contam @s noss@s bardos, que até sabemos
serem do mais requintado, mas… outras vozes entretanto se levantaram…
Estou em crer que nós aqui
precisamos agora de lá ir ver o que elas e eles têm para podermos dar sentido ao
muito que também ainda podemos desenterrar
©Luiza Frazão
terça-feira, 26 de março de 2013
VIVER NUMA SOCIEDADE MATRIARCAL
A Carol Christ publicou ontem no site Feminism and Religion um artigo sobre as sociedades matriarcais e com isso simplificou-me a vida porque, tendo o nosso Jardim das Hespérides sido uma sociedade desse tipo, era minha intenção escrever sobre o tema, mas o que ela diz está tão bem dito que me limitei a traduzir o texto. Acho muito importante percebermos que outro tipo de sociedade é possível se o sonharmos e o construirmos em conjunto... afinal é isto a Nova Terra...
Como seria viver em paz numa sociedade matriarcal? Podemos imaginar?
Por Carol P. Christ
25 de março 2013
Existem muitas razões para as
mulheres, os escravos e os pobres se revoltarem contra autoridades injustas em
sociedades de tipo patriarcal. Mas entretanto não devemos assumir que haja
razões para a revolta contra a dominação quando ela não existe, nem para nos
revoltarmos contra autoridades injustas em sociedades onde elas não existem.
Em resposta à minha série recente
de textos sobre o patriarcado enquanto sistema de dominação criado pela
interseção do controlo da sexualidade feminina, com o sistema da propriedade
privada e a guerra (Parte 1, Parte 2, Parte 3), várias pessoas me perguntaram
se existe alguma forma de injustiça inerente a uma sociedade de tipo matriarcal
que possa ter dado origem à criação do patriarcado pelos homens como expressão
da sua revolta.
A ideia por detrás desta questão
é que se as mulheres são dominadas pelos homens nas sociedades patriarcais, então
os homens também foram dominados pelas mulheres nas sociedades pré-patriarcais.
Implícita nesta questão está a ideia de que deve ter havido uma “boa razão”
para o desenvolvimento do patriarcado. A ideia de que na origem não houve
qualquer “boa razão” para a existência do patriarcado – caso “boa” signifique
justa – é simplesmente demasiado dolorosa para poder ser considerada por muit@s
de nós.
O elo perdido nesta questão é a
nossa incapacidade de imaginarmos sociedades sem dominação.
Segundo Heidi Goettner-Abendroth,
“sociedades matriarcais” são “sociedades pacíficas” nas quais nenhum dos
géneros domina o outro.
As sociedades matriarcais têm 4 características
em comum:
1) Praticam
agricultura em pequena escala e conseguem a igualdade através da dádiva
transformada em hábito social.
2) São
igualitárias, matrilocais e matrilineares. Mulheres e homens são definid@s pela
sua conexão com o clã materno que possui a terra em comum.
3) Têm
sistemas bem desenvolvidos de obtenção de consenso nas tomadas de decisão, que
garantem que todas as opiniões sejam tidas em consideração.
4) Respeitam
princípios como o amor, o cuidado com as outras pessoas, a generosidade, os
quais associam à ideia de maternidade e que ambos os géneros são ensinados a
manifestar. Veem frequentemente a Terra como a Grande Mãe.
Como seria viver numa sociedade pacífica, “matriarcal”?
Enquanto crianças, não teríamos de
lutar com as nossas irmãs e os nossos irmãos pela atenção da nossa mãe ou do
nosso pai. Tanto as raparigas como os rapazes receberiam o mesmo amor e atenção
da parte das mães, avós e ti@s. tanto as raparigas como os rapazes teriam a
certeza de sempre terem lugar no clã materno. Tanto enquanto rapaz como
enquanto rapariga nunca teríamos de nos “separar de” nem de rejeitar a nossa
mãe para “fazermos a experiência de nós enquanto indivíduos” nem para “crescermos”.
Poderíamos crescer sem necessidade de romper os laços com as pessoas que primeiro nos amaram e cuidaram de nós.
Poderíamos crescer sem necessidade de romper os laços com as pessoas que primeiro nos amaram e cuidaram de nós.
Seríamos criad@s numa família
alargada com irmãs, irmãos e prim@s, tod@s considerad@s noss@s irmãs e irmãos. Nunca
nos sentiríamos sós. Nunca nos ensinariam a competir com as nossas irmãs e irmãos.
Nunca nos atacaríamos entre nós porque comportamentos violentos não seriam
apropriados dentro da família.
Quando chegássemos à idade de ter
sexo, poderíamos ter todo o sexo que nos apetecesse. Ser-nos-ia ensinado que
sexo é algo alegre e prazenteiro. Quando os casais já não sentissem atração
mútua, facilmente separar-se-iam e encontrariam outras pessoas.
Não haveria razão para as famílias
se preocuparem com o interesse das crianças pelo sexo. Como todas as crianças
têm uma mãe e todas as mães têm casa no clã materno, não haveria crianças “ilegítimas”,
“bastardas”, “mulheres perdidas”, “vadias” ou prostitutas. Como o sexo seria
livre, a prostituição não faria qualquer sentido.
As crianças nascidas dessas
relações teriam sempre um lar no clã da sua família materna. As mães seriam
ajudadas na educação das crianças pelas suas irmãs e irmãos, pelas mães e avós,
tias e tios. Uma jovem grávida ou com uma criança pequena nunca seria rejeitada
nem “entregue à sua sorte”.
Com tanta ajuda, as mulheres
poderiam trabalhar “fora de casa” nos campos comunitários juntamente com as
suas e os seus parentes. Uma mãe nunca ficaria “confinada” ou “fechada” com as
crianças. “O problema d@s sem nome” descrito por Betty Friedan não se poria. Mães
que não se sentiriam sozinhas, nem oprimidas, não sentiriam qualquer
necessidade de “fazerem as suas filhas e filhos pagarem” pela sua infelicidade.
Um jovem não teria a obrigação de
“prover” ao sustento das crianças, uma vez que isso seria da responsabilidade
do clã materno. Um jovem contribuiria para o seu próprio clã e ajudaria as suas
irmãs e primas a cuidar das suas crianças. Estas crianças vê-lo-iam como o seu “modelo
de masculinidade”. Os homens trabalhariam com as mães e as irmãs nos campos, em
projetos de construção ou comércio com outros clãs.
Quer fossemos rapazes ou
raparigas, homens ou mulheres, teríamos sempre a certeza de sermos amad@s, pois
seríamos ensinad@s a amar e a cuidar das outras pessoas. Não seriamos ensinad@s
a competir, enganar ou cumular para nós propri@s. Caso tivéssemos uma
habilidade especial, seríamos encorajad@s a desenvolvê-la, mas nunca a pensarmos
que isso nos tornaria superiores a qualquer outra pessoa.
Tanto enquanto rapazes como enquanto
raparigas, seríamos ensinad@s a respeitar as pessoas de idade, em particular as
avós e os avôs. Isto não significa que estas pessoas tomariam o poder sobre
nós, porque os clãs teriam sistemas democráticos bem desenvolvidos de forma a
obter consensos que permitiriam a qualquer voz ser ouvida antes da tomada de decisões
importantes.
Seguramente que haveria
conflitos, ciúmes e desentendimentos em sociedades pacíficas, mas quando os
conflitos ocorressem, não seriam resolvidos pela força porque a todas as
pessoas teria sido ensinado que a partilha e a generosidade de espírito são as
melhores formas de resolver conflitos.
Sociedades pacíficas estão tão longe
daquela em que vivemos e são estranhamente tão atraentes, que muitas pessoas
julgam que elas nunca existiram. No entanto, sociedades pacíficas existiram em
todos os continentes do planeta e existem ainda hoje em dia em vários níveis
entre os povos Iroquois, os Zapotecas, os Kuna, os Shipibo, os Samoans, os
Asante, os Khoisan, os Tuaregs, os Berberes, os Kasai, os Minangkabau, os Mosuo
e outros.
Não sei o que acham, mas quanto a
mim, eu adoraria viver numa sociedade assim. Se procuramos “razões para” a
existência do patriarcado, não creio que a infelicidade dos homens em tais
sistemas fosse uma delas. Tanto os rapazes como os homens são amados, honrados
e muito considerados. Eles não têm de lutar, de ir à guerra, para se
afirmarem e têm todo o sexo que querem, portanto assumo que sejam extremamente
felizes.
Adoro imaginar todas as pessoas
da terra a viverem em sociedades pacíficas onde os valores do amor, da partilha
e da generosidade são considerados os mais importantes. A “idade de ouro” não
tem de ser uma ideia do passado. Sonho com a possibilidade dela ser o nosso
futuro.
Carol Christ
Traduzido por Luiza Frazão
Imagem: mulheres do povo Mosuo (Google)
terça-feira, 5 de março de 2013
A VISÃO DO JARDIM DAS HESPÉRIDES
O Templo da Deusa do Jardim das Hespérides foi criado em fevereiro de 2013, dentro da energia do Imbolc, do acordar da Deusa
Menina, tendo sido concebido durante a minha formação como sacerdotisa de
Avalon. Com efeito o contacto que vou fazendo com a visão de Kathy Jones,
fundadora do Templo da Deusa de Glastonbury/Avalon, e o resultado das minhas
pesquisas no território e na tradição nacional sobre o Divino Feminino levaram-me
a concluir que uma dimensão mítica existe no nosso território, à semelhança da
Ilha de Avalon, igualmente governada por nove entidades ou princípios
femininos, que aqui se chamam Hespérides e lá Morgens. Cotejando as duas tradições,
a portuguesa e a britânica, verificamos que as semelhanças são tão evidentes
que facilmente aceitamos teorias que postulam ter havido há milénios a partilha
dum mesmo fundo cultural céltico.
Esta certeza levou-me a conceber uma Roda do Ano da Deusa
nossa, dentro da estrutura criada por Kathy Jones em Glastonbury/Avalon, embora
adaptada à nossa realidade. Tal Roda encontra-se em fase de elaboração. Ela pretende
ser flexível, aberta a que novas entidades entrem e a que porventura outras
mudem de lugar, dentro da dança leve, criativa e flexível da Deusa, bem
diferente do dogma patriarcal, rígido e estático. O nosso afastamento da
Natureza torna entretanto difícil a conexão com a energia das aves da Deusa do
nosso território, por exemplo, embora a tradição tenha guardado algum desse
conhecimento. O mesmo sucede com os outros animais sagrados, árvores e plantas.
No entanto, considero vital para a nossa sobrevivência esta ressacralização da
Natureza que a espiritualidade da Deusa desencadeia.
Criar este Templo implica cotejar duas tradições, a nossa e
a britânica, que quiçá é herdeira da ibérica ou da do Arco Atlântico, segundo
algumas correntes de investigação, mas que soube conservar melhor esses
elementos e beneficiou na atualidade da visão e do empenho de mulheres como
Marion Zimmer Bradley e Kathy Jones, entre várias outras. No nosso país, também
há mulheres e homens que me inspiram, como Dalila Pereira da Costa, Fernanda
Frazão e Gabriela Morais, para nomear apenas algumas, embora o seu propósito
seja diferente do das nossas irmãs britânicas, mais académico do que devocional.
Considero pertinente fazer-se a aproximação
das duas culturas, outrora comuns ou muito próximas. O nosso Jardim das Hespérides,
uma bolsa remanescente da antiga sociedade matrifocal neolítica que aqui nesta
ponta da Europa se manteve até muito tarde, foi uma sociedade pacífica e florescente,
e segundo Dalila Pereira da Costa, daqui irradiou para o mundo. Ele está pronto
a ser reivindicado e ancorado, adaptado à realidade e consciência atuais, amorosamente
substituindo estruturas patriarcais caducas e agonizantes. Trata-se dum sonho
que te convido a sonhares comigo, condição de sobrevivência no mundo atual.
Este Templo pretende ser pois fiel à cultura do chamado Arco
Atlântico, que é a nossa tradição, porventura herdeira da tradição atlante, nos
moldes em que Kathy Jones a trouxe até nós na atualidade, adaptando-se todavia
à nossa realidade e mantendo-se aberta às infinitas possibilidades que a Deusa
nos irá apresentando.
Ao ritmo possível, este Templo vai ganhando forma, e esta energia de transformação e de cura pelo empoderamento do Feminino vai ancorando na nossa realidade.
Ao ritmo possível, este Templo vai ganhando forma, e esta energia de transformação e de cura pelo empoderamento do Feminino vai ancorando na nossa realidade.
E para isso a tua colaboração é fundamental.
©Luiza Frazão
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
A INSPIRAÇÃO DE AVALON
"UMA VISÃO PARA TI
A DEUSA está viva em Glastonbury, visível para tod@s nós nas formas da
Sua paisagem sagrada. Ela é suave como o arredondado dos montes do Seu corpo e
doce como as flores das macieiras que crescem nos Seus pomares. Aqui sentimo-nos
cada dia envolvidas pelo Seu amor e a Sua voz trazida pelo vento pode ouvir-se
em permanência, o Seu sussurro atravessando as brumas de Avalon. Os Seus
mistérios são tão profundos como o Caldeirão que Ela mexe em permanência, conduzindo-nos até às
Suas profundezas para depois nos elevar às Suas alturas. Ela é a nossa fonte, a
nossa inspiração e o nosso Amor.
A nossa visão consiste em criarmos e mantermos um Templo da Deusa
contemporâneo, aberto em permanência, dedicado à Deusa em Glastonbury e à sua
contraparte fora desta dimensão, a Ilha de Avalon. O Templo da Deusa é um
espaço sagrado aberto a tod@s, especialmente dedicado à descoberta e celebração
do Feminino Divino. É um espaço sagrado onde podemos cultuar e honrar a Deusa
de formas que podem ser antigas ou atuais e onde todo o tipo de amor por Ela é
bem-vindo.
No Templo da Deusa de
Glastonbury celebramos as Deusas que estão particularmente ligadas a
Glastonbury e à Ilha de Avalon. Avalon é uma terra mágica onde a Deusa está presente
desde tempos imemoriais. Trata-se dum lugar de mistério e imaginação, um lugar
onde podemos deixar ir o que é velho e acolher o novo em nós, novas formas de
sermos e de vivermos. A divindade primordial relacionada com Glastonbury é a
Senhora de Avalon (que é Morgan la Fey), as Nove Morgens, Brigit ou Bridie da chama
sagrada, Modron, Grande Mãe da linhagem de Avallach, Nossa Senhora Maria de
Glastonbury (Our Lady Mary), a Anciã de Avalon, a Deusa do Tor, Senhora dos
Montes Ocos (Hollow Hills), Senhora do Lago e Senhora das Fontes e Poços
Sagrados.”
(Minha tradução livre)
Com estas palavras apresenta o Templo da Deusa de
Glastonbury a sua visão e propósito no seu sítio da Net. São palavras que
podemos aplicar aos propósitos do nosso Templo da Deusa do Jardim das
Hespérides e de qualquer templo da Deusa que é urgente criarmos neste mundo de
onde a Deusa primordial foi banida pela Sua incompatibilidade com propósitos patriarcais, entretanto em vias de nos destruírem enquanto civilização
e planeta.
A nossa Avalon é o Jardim das Hespérides, espaço por excelência
da Deusa Anciã, da Sábia Calaica-Beira, e de Ana, a Grande Mãe Ancestral, respiração
espiritual desta terra. E das nossas Nove Irmãs, as Nove Hespérides que regem
este espaço de uma outra dimensão como as Nove Morgens regem a Ilha de Avalon. Vão
por certo dizer-me que as Hespérides não são nove, mas na verdade se o seu número
varia de fonte para fonte, por que não considerar que também elas compõem
aqui aquele grupo primordial que o
investigador Stuart MacHardy descobriu que existe espalhado pelos quatro cantos
do mundo, as Nove Donzelas de que nos fala na obra “The Quest for the Nine
Maidens”?
(Em outro post falarei sobre quem são estas entidades).
Se a Deusa está presente em Avalon desde tempos imemoriais,
também aqui Ela se conservou no coração das mulheres, que deram à Virgem Maria
e às inúmeras santas - a forma que Grande
Deusa teve de tomar para sobreviver ao Cristianismo - todos os atributos e
qualidades das antigas Deusas, nem nos faltando os da Deusa da Sexualidade
Sagrada, chamada aqui nada mais nada menos que Nossa Senhora dos Prazeres… Todo
o nosso território está imbuído da Sua vibração, uns lugares é certo mais do
que outros. Por todo o lado há capelinhas e capelas e igrejas - regra geral
edificadas sobre locais outrora considerados sagrados pelo Paganismo - celebrando
a Sua glória, a glória do Feminino Divino, e o Seu poder.
Pode parecer com isto que nos estamos a colar demasiado a
uma tradição estrangeira, a uma tradição importada, mas a verdade é que, quando
estudamos essa tradição, vemos que ela tem muitas semelhanças com a nossa, dando
razão às e aos investigador@s que defendem a Teoria da Continuidade
Paleolítica, segundo a qual nós somos tão celtas como el@s, tendo partilhado em tempos a mesma cultura, a do chamado Arco Atlântico, que compreende Portugal, Galiza, Bretanha francesa, Irlanda e Grã-Bretanha, e até que
é possível que daqui ela tenha irradiado para o resto da Europa. Pelo menos… E
não são apenas investigador@s nacionais a defender estas ideias...
©Luiza Frazão
Imagens Google
Imagens Google
AS NOSSAS ÁRVORES SAGRADAS DA DEUSA
Árvores são seres magnificentes, autênticas
unidades de apoio à vida, se as quisermos ver apenas dum ponto de vista utilitário,
e sacralizar cada elemento da Natureza, toda a Natureza, é a forma mais eficaz
de a protegermos.
Sempre senti um profundo respeito e amor por
elas, por árvores como o Carvalho que se despiam no outono e reverdeciam na
primavera com as suas folhinhas tenras cheias de promessas de dias de sol e de calor,
no meio das quais, nas braçadas mais à mão, colhíamos pequeninas bagas verdes
ou avermelhadas, meias translúcidas, que desfazíamos com os dentes, sentindo na
boca uma frescura deliciosa com um travo meio ácido. Naquele tempo, amávamos a
natureza com todos os nossos sentidos, incluindo o gosto… trincávamos, sorvíamos,
comíamos imensas coisas, entre flores, caules, bolbos e claro os frutos. Cada coisa
na sua época própria, não havia outra hipótese, e tudo produzido no lugar onde
vivíamos, de preferência no quintal ou nas imediações da nossa casa.
Amava a Oliveira, um ser tão
familiar e generoso, de quem se cuidava com grande reverência porque nos dava
tanta coisa, e tudo do mais precioso, como as azeitonas e o azeite e a lenha
para a lareira. E sabe a Deusa para quantos fins o azeite servia. Mas não se
ficava por aqui, a Oliveira. Ela era uma árvore de cura. E é, claro. Pelo
tronco naturalmente fendido de uma Oliveira passava-se uma criança doente (não
sei muito bem qual era o problema, mas era um mal específico), num ritual em que
participava uma rapariga de nome Maria e um rapaz que se chamasse João… E sei agora que as suas folhas também têm grandes propriedades terapêuticas.
Também alguém me contou que na
sua aldeia da Região Centro até há relativamente poucas décadas era uso pela
Candelária fazer fritos, em azeite claro, oferecendo-se depois um a cada pé de
Oliveira que se possuísse. São reminiscências do culto das árvores, da Oliveira
no caso, e tornam-na sem dúvida alguma a nossa árvore sagrada do Imbolc. Até porque
uma das Nossas Senhoras associadas a esta festividade é a da Oliveira.
Tem sido um fascínio perceber, sentir, intuir quais
são as nossas outras árvores sagradas de cada uma das festividades da Roda da
Deusa das Hespérides...
© Luiza Frazão
© Luiza Frazão
Imagens: fotos que fiz durante uma visita aos Olhos de Águra do Alviela, num olival tão antigo e poderoso...
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Um Templo da Deusa no Jardim das Hespérides
A terra que habitamos, à semelhança da Ilha Encantada de
Avalon, possui uma dimensão mítica. Trata-se do Jardim das Hespérides, esse
reino de mulheres poderosas do qual encontramos eco, por exemplo, na obra de
Dalila Pereira da Costa, Da Serpente à Imaculada.
As Hespérides são as Irmãs do Poente que vivem nas margens do grande Rio Oceano, herdeiras da antiga sabedoria da Atlântida. À semelhança das Irmãs de Avalon, as nove Morgens, também elas vivem numa terra de Maçãs, as Maçãs de Ouro da Imortalidade. Senhoras de um dos últimos redutos matriarcais, ao qual pôs termo Hércules, o herói patriarcal, destruidor da antiga ordem pacífica, igualitária e sustentável, centrada nos valores da Mãe…
As Hespérides são as Irmãs do Poente que vivem nas margens do grande Rio Oceano, herdeiras da antiga sabedoria da Atlântida. À semelhança das Irmãs de Avalon, as nove Morgens, também elas vivem numa terra de Maçãs, as Maçãs de Ouro da Imortalidade. Senhoras de um dos últimos redutos matriarcais, ao qual pôs termo Hércules, o herói patriarcal, destruidor da antiga ordem pacífica, igualitária e sustentável, centrada nos valores da Mãe…
O Templo das Hespérides, as Irmãs do Poente, inspirado no Templo
da Deusa de Glastonbury, é um projeto em incubação, lentamente ancorando na nossa
realidade. Enquanto não se manifesta completamente no plano físico, ele é
virtual, manifestando-se em alguns espaços onde decorrerão cerimónias e outros
trabalhos, que marcarão o ritmo da Roda do Ano das Hespérides e serão portais
para e o ancoramento da energia da Deusa.
É ambição deste
templo ir mais longe, congregando mulheres e homens que se sintam em sintonia
com a Sacerdotisa ou o Sacerdote da Deusa em si, criando uma teia de suporte da vida, de
condições para a criação duma verdadeira irmandade do coração com eficácia na
vida prática.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
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Formação de Sacerdotisas da Deusa do Jardim das Hespérides - opinião das formandas
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