Esta divindade da nossa Roda do Ano acaba de manifestar-se, de chegar até mim. Primeiro ouvi falar dela, já não sei bem como, mas houve uma ressonância qualquer... Simplesmente não sabia onde A encaixar. Até que comecei a invocá-la na Roda Dourada do Jardim das Hespérides. Mas ainda estava na dúvida se haveria de considerá-la ou não até que ontem à noite enquanto escrevia sobre a cerimónia de Beltane (obrigações do meu treino de sacerdotisa da Deusa), ficou evidente que esta boneca em tamanho natural que ainda hoje (ai o folclorismo das juntas de freguesia, que mesmo assim, vá lá, ainda vai conservando alguma coisa...) se faz em muitos lugares de Portugal é uma representação da Deusa. Que Deusa? Maia, óbvio! a nossa 'Rainha de Maio', que existe também na tradição de Avalon. Ela é uma propiciadora de fertilidade e abundância, protetora da casa e das colheitas que nesta fase de crescimento e até à sua completa maturação ainda estão sujeitas a perigos vários, como pragas e tempestades.
Embora não se fizessem na região onde nasci, inúmeras imagens no Google atestam da popularidade deste costume.
Tenho consciência de que para algumas e alguns de nós pode parecer tratar-se duma imagem tosca e um tanto grotesca dificilmente assimilável à ideia que se faz da 'dignidade' duma Deusa... No entanto, dentro da cultura popular, não há dúvida de que se trata duma forma genuína de representar a Deusa, ingénua e deliciosa na sua exuberância e criatividade, absolutamente fascinante, embora devamos ter em conta que muito mal tratada por uma cultura que deixou de reverenciar a Mulher e a Deusa, passando mesmo a ridicularizá-la de todas as formas possíveis. Cabe-nos a nós hoje em dia voltarmos a dar a estas manifestações ainda remanescentes e um tanto fossilizadas do culto da Deusa a sua verdadeira dimensão sagrada.
©Luiza Frazão
Imagens: Google