Sempre senti um profundo respeito e amor por
elas, por árvores como o Carvalho que se despiam no outono e reverdeciam na
primavera com as suas folhinhas tenras cheias de promessas de dias de sol e de calor,
no meio das quais, nas braçadas mais à mão, colhíamos pequeninas bagas verdes
ou avermelhadas, meias translúcidas, que desfazíamos com os dentes, sentindo na
boca uma frescura deliciosa com um travo meio ácido. Naquele tempo, amávamos a
natureza com todos os nossos sentidos, incluindo o gosto… trincávamos, sorvíamos,
comíamos imensas coisas, entre flores, caules, bolbos e claro os frutos. Cada coisa
na sua época própria, não havia outra hipótese, e tudo produzido no lugar onde
vivíamos, de preferência no quintal ou nas imediações da nossa casa.
Amava a Oliveira, um ser tão
familiar e generoso, de quem se cuidava com grande reverência porque nos dava
tanta coisa, e tudo do mais precioso, como as azeitonas e o azeite e a lenha
para a lareira. E sabe a Deusa para quantos fins o azeite servia. Mas não se
ficava por aqui, a Oliveira. Ela era uma árvore de cura. E é, claro. Pelo
tronco naturalmente fendido de uma Oliveira passava-se uma criança doente (não
sei muito bem qual era o problema, mas era um mal específico), num ritual em que
participava uma rapariga de nome Maria e um rapaz que se chamasse João… E sei agora que as suas folhas também têm grandes propriedades terapêuticas.
Também alguém me contou que na
sua aldeia da Região Centro até há relativamente poucas décadas era uso pela
Candelária fazer fritos, em azeite claro, oferecendo-se depois um a cada pé de
Oliveira que se possuísse. São reminiscências do culto das árvores, da Oliveira
no caso, e tornam-na sem dúvida alguma a nossa árvore sagrada do Imbolc. Até porque
uma das Nossas Senhoras associadas a esta festividade é a da Oliveira.
Tem sido um fascínio perceber, sentir, intuir quais
são as nossas outras árvores sagradas de cada uma das festividades da Roda da
Deusa das Hespérides...
© Luiza Frazão
© Luiza Frazão
Imagens: fotos que fiz durante uma visita aos Olhos de Águra do Alviela, num olival tão antigo e poderoso...