NA TRADIÇÃO CELTA DO ARCO ATLÂNTICO
O mundo precisa da nossa atenção para existir, dizem-nos mestras e
mestres, tudo precisa da nossa atenção para existir e não há nada
mais triste, para quem pratica uma espiritualidade centrada na Natureza, do que
ver como determinados lugares onde outrora se acedia tão facilmente ao divino
foram fechados, ou diminuídos e desfigurados, pela construção de templos duma
espiritualidade mais tardia, toda voltada para o céu, que associou a terra ao
mal. O divino foi encapsulado em edifícios frequentemente de mau gosto, na
melhor das hipóteses estandardizados, intercambiáveis. Por vezes essas
capelinhas usaram como paredes as próprias pedras veneráveis dos dólmenes
antigos ou assimilaram e tornaram parte do seu espólio outras que por milénios
o povo considerou como sagradas, meios através dos quais eram acessíveis as graças
da Grande Mãe.
O nosso objectivo com esta iniciativa é reconhecer e resgatar essas rotas
sagradas da espiritualidade da Deusa, que englobavam os lugares da Sua
manifestação, os Seus templos naturais, por vezes objecto de alguma intervenção
humana, onde frequentemente culturas pré-cristãs deixaram também as suas marcas.
Trata-se duma actividade espiritual que tem parte de aventura, de pioneirismo, de estudo e de pesquisa, de trabalho sobre nós mesm@s, culminando na activação em cerimónias desses lugares,
que desejamos que permaneçam tão selvagens e intocados quanto possível. Ao
mesmo tempo, desejamos que, discreta ou secretamente, eles sejam reconhecidos e adoptados por pessoas de
boa vontade que se sintam suas e seus guardiãs e guardiões. Na verdade, esses
lugares de poder do corpo vivo de Gaia têm muitas revelações a fazer-nos,
guardam muita informação à espera de ser acessada.
Mas para isso precisam de ser visitados, vistos e reconhecidos. Precisam de atenção,
da nossa atenção, como já foi dito. Lembro-me de ter ido em
busca do lugar daquela famosa cabeça da Anciã em Idanha-a-Nova e de ter
percebido que aquele era um Nemeton, um santuário natural completo, com uma
lagoa perenemente alimentada pelas águas duma nascente aos pés desses penhascos
que ostentam o nome da Deusa que ali se cultuava, Ana, Fragas Sant’Ana. Ana ou
Dana é a mesma Deusa antiquíssima, Senhora da Pedra, dos Ossos, da Montanha e
do Inverno, Grande Mãe primordial de tudo o que é, que deu o nome aos rios Dão
e Guadiana, (água-de-Ana). O que acontece hoje em dia, nesse lugar onde
nidificam abutres e águias, informação recebida do camponês que nas imediações
cuidava da sua horta, é que se perdeu a noção do seu poder espiritual. Habitações
abundam no local, de costas para a sua sacralidade, a lagoa de águas de Ana, usada
possivelmente outrora para banhos regeneradores, foi fechada com arame farpado.
Nenhum olhar, nenhuma bênção, nenhum cântico, nenhum coração disposto a
abrir-se ali, como aconteceu por milénios, em louvor à Grande Criadora de tudo
o que é, ecoa mais por aquele espaço parado no tempo, perdido e esquecido,
porque alheado da sua alma, do poder
vivificador do Grande Espírito, da Grande Criadora dos primórdios.
Sem dúvida que este espólio de natureza espiritual precisa de ser
reconhecido como tal por quem de direito. Ele faz parte da herança cultural
deste território e precisa de ser protegido e dado a conhecer pelo que foi
durante milhares de anos para as populações da área e possivelmente de muito
mais longe, que aí iriam em peregrinação em busca dos seus poderes de cura do
corpo e da alma.
Seguramente que tanto a Senhora do Almurtão como a Senhora da Azenha fazem
parte desta rota sagrada da Deusa, estabelecendo uma trilogia de Anciã, Mãe e
Donzela, que em alguma época histórica recuada foi amplamente reconhecida e
celebrada em exuberantes festividades cujo eco chegou até ao presente.
Sabemos que toda essa região, ao tempo em que os romanos, por exemplo, aí
extraíam as suas riquezas em ouro e outros minerais, foi extremamente
importante e ativa e que vestígios duma organização social matrifocal são ainda
detetados na forma de viver dessas povoações.
Dentro do espírito da peregrinação, que é sempre uma viagem cujo propósito
é entrarmos em ressonância com a alma dos lugares que visitamos, acedendo às
suas mensagens e à sua energia curadora e transformadora, a proposta das nossas
peregrinações da Deusa é entrarmos em sintonia com o lugar, acedendo aos dons e
qualidades desse aspecto ou dessa face da Grande Deusa reflectida pela
ciclicidade do Seu tempo e natureza, o que nos permite ir mais fundo na conexão
com a energia de cada festival da Roda do Ano da Deusa.
Nesta peregrinação, acolhemos os dons de sabedoria da Grande Avó, da
Senhora da Eternidade, do Inverno, das Estrelas, dos Ossos e da Pedra; os dons
da hibernação, do tempo do sonho, da descida, da mais pura conexão com o
espírito, com a nossa essência mais profunda, com os mistérios da terra de
Ofiusa e do Jardim das Hespérides.
©Luiza Frazão
Peregrinações da Deusa
Na Tradição Celta do Arco Atlântico
Ativando Antigos Lugares Sagrados
YULE - BEIRA BAIXA
14 a 16 de Dezembro de 2018
Erguendo
véus que ocultam a dimensão da Deusa, os Seus lugares mais sagrados no
território de Cale-Beira, ativando os Seus templos naturais, na paisagem
abençoada do Jardim das Hespérides.
Em cerimónia, reconsagraremos
antigos santuários rupestres e honraremos a Deusa como Mãe do Ar,
Senhora da Montanha, dos Ossos, das Estrelas e da Pedra. Em vivências e
workshops mergulharemos fundo na energia e na magia deste festival
marcado pela quietude e pela interiorização, pela hibernação a que nos
convida o inverno, com o predomínio da noite sobre o dia, da escuridão
sobre a luz, do espírito sobre a matéria. Junt@s, abraçaremos as
propostas deste Tempo do Sonho, em que a conexão com a nossa alma é mais
natural e profunda, indo ao encontro da essência de quem somos, dos
nossos desígnios maiores, guiadas pela conexão com a sabedoria antiga
das Sacerdotisas que nos precederam neste Jardim Dourado das Irmãs do
Poente.
Vagas limitadas. Os detalhes do programa serão conhecidos após a inscrição.
Valor: 170 euros (inclui alimentação e estadia)
Confirmação com depósito de 50 euros até dia 7 de Dezembro
No
caso de desistência da nossa parte o valor será inteiramente devolvido,
no caso de desistência da parte d@ participante o valor não será
devolvido.
Depois de feita a transferência agradecemos a confirmação da mesma.
Organização - Templo da Deusa do Jardim das Hespérides
Info: jardimdashesperides.associacao@gmail.com
mize.l.jacinto@gmail.com
Evento criado no Facebook por Mizé Jacinto e Luiza Frazão
https://www.facebook.com/events/329178717662185/