A Ilha mágica é como um jardim rodeado de água. No seu centro a árvore e a fonte da vida… Mitos e lendas falam-nos desses jardins frondosos, das suas árvores em flor, dos seus pomares de macieiras. Nas histórias do mundo inteiro, tais paraísos situam-se no Oeste. The Language of Ma, Annine Van der Meer
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segunda-feira, 4 de junho de 2018
sexta-feira, 14 de julho de 2017
CONHECER E INVOCAR AS NOVE HESPÉRIDES DO JARDIM DOURADO
É hora de invocarmos as energias sagradas da nossa terra, especialmente nos Seus mais conhecidos lugares de poder, como o Monte da Santa Eufémia, em Sintra; o Monte de Santa Quitéria, em Felgueiras, Viseu; a Serra da Ossa, o Gerês, a Praia das Maçãs ou qualquer lugar onde se cultuem ou haja ermidas a Santa Quitéria, Santa Marinha, Santa Eufémia ou Santa Vitória, que são as mais conhecidas... Em cima numa bela representação de 1997, de António Mendanha, na igreja matriz de Forjães, com Marinha ao centro porque a igreja Lhe é dedicada.
GRUPOS DE NOVE MUSAS
Dos mitos e tradições herdados da cultura celta faz parte a
crença na existência de grupos significativos de nove mulheres míticas.
Morgana, na Ilha de Avalon, com as suas oito irmãs, forma um desses grupos, que
na verdade, para investigadores como Stuart McHardy, podemos encontrar em
variadíssimas culturas do mundo inteiro, com a certeza de se tratar duma
instituição que terá tido um papel fundamental no desenvolvimento da própria
civilização humana. Montes e outros lugares sagrados com nove Musas foram
famosos na Grécia antiga, como é o caso do Monte Pierão, com as Piérides; da Fonte
Hélicon, com as Heliconíades; do Monte Parnaso, de onde eram originárias as
Parnásides; do Monte Aónia, das Aónidas; duma Fonte descoberta por Pégaso,
junto da qual viviam as Pegásides; do Monte Citéron, das Citérides; do Monte
Pimpla, onde viviam as Pimpleídes; do Rio Ilissos, com as suas Ilisíades; da
Fonte Castália, das Castálides; da Téspia onde habitavam as Tespíades e,
obviamente da Hespéria, nome pelo qual foi designada no passado a Península
Ibérica, no centro da qual existe um maciço ainda hoje designado por Hespérico,
e onde viviam e prosperavam as Hespérides!
Vários lugares sagrados com nove Musas existem entre nós,
como o Monte de Santa Eufémia, em Sintra, uma das portas de entrada nessa serra
sagrada, antigo lugar de celebração do Imbolc, onde existe uma fonte de cura,
hoje em dia seca e sem préstimo. Numa inscrição no azulejo da parede lateral da
ermida cristã, aí edificada sobre as ruínas dum templo romano, somos
informadas/os de que Eufémia era uma de nove irmãs. E de repente faz-se luz:
trata-se dum monte sagrado com Nove Musas! O mesmo ocorre no Monte de Santa
Quitéria, designado no passado por Monte Pombeiro, em Felgueiras, Braga, onde
segundo nos diz a lenda, esta entidade sofreu martírio e onde também nos é
lembrado que Ela era uma de Nove.
Em Meca, concelho de Alenquer, sucede a mesma coisa, tal
como no Gerês, ou na Serra da Ossa, no Alentejo. Na verdade, sempre que temos
uma capela dedicada a uma das Nove Irmãs, sabemos que estamos num lugar sagrado
semelhante àqueles onde na Grécia antiga, por exemplo, se ia receber a
inspiração e a sabedoria dispensadas pelas Musas, cujo número era de nove.
AS NOVE HESPÉRIDES
Foi na mesma altura em que estava completamente absorvida e
fascinada pela leitura de The Quest for the Nine Maidens (A Busca das Nove Donzelas),
cujo autor já referi, que chegou até mim um texto de Victor Adrião onde é
focado o grupo constituído por Santa Eufémia e as Suas oito irmãs: Liberata,
Germana, Eufémia, Marciana, Genivera (ou Genebra), Marinha, Bazília, Vitória e Quitéria. Nos Seus nomes notam-se influências greco-romanas, ou até fenícias (caso de Quitéria), resultado do contacto desses povos com a nossa cultura, de origem Celta. A marca dessa celticidade ainda prevalece no nome Genivera, que ecoa o da Rainha na lenda arturiana.
Afirma Kathy Jones, em Priestess of Avalon, Priestess of the
Goddess (Sacerdotisa de Avalon, Sacerdotisa da Deusa), que “[Essas Mulheres
divinas] são o princípio da sabedoria, que se manifesta na forma feminina para
benefício de toda a humanidade. Elas são assim as protetoras da sabedoria, que
nos acenam através da vibração e do som, ajudando-nos a vencer resistências no
nosso caminho espiritual e trazendo-nos experiências da realidade inefável ou
da graça divina. Elas ajudam ainda quem está a morrer a atravessar as portas da
morte. São conhecidas no Budismo como emanações da mente iluminada, que mantém
o propósito de procurar a iluminação não apenas para si própria mas para
benefício do todo”.
À semelhança das Nove Morgens de Avalon, e de muitas outras,
as Nove Hespérides abarcam todas as qualidades da Deusa, em todos os Seus
aspetos, de Donzela e Anciã, de Criadora e Destruidora, de Senhora da Vida e de
Senhora da Morte. Símbolos máximos da liberdade feminina, como as Dakinis
orientais, inspiradoras guardiãs do conhecimento, como as Nove Musas gregas,
elas dominam as sete artes liberais (Lógica, Gramática, Retórica, Aritmética,
Música, Geometria, Astronomia/Astrologia). Na história da Deusa, Elas são
famosas pela Sua força e talento, pela Sua beleza e sensualidade, pelos Seus
dotes para a música, o canto e a dança, pelas Suas capacidades de profecia,
pelo domínio das artes da cura e pela possibilidade de se metamorfosearem, de
mudarem de forma, e de influírem nas condições do tempo atmosférico, proezas de
que podemos encontrar eco nas nossas histórias antigas.
Esta instituição de nove mulheres, de nove sacerdotisas
principais, poderá ter sido a antecessora dos conventos e dos mosteiros de
religiosas e de religiosos. Viviam de preferência em lugares altaneiros, em
montes sagrados, como as várias capelas dedicadas a cada uma delas, existentes
ainda hoje em dia, nos dão testemunho, tal como várias lendas envolvendo certos
montes e serranias. À volta destas mulheres de saber, fundaram-se vilas e
cidades. Elas foram criadoras de civilização, dispensadoras do conhecimento
disponível, da ciência, das artes e dos ofícios, de cura e profecia, servindo a
Deusa no Seu Templo, vistas e sentidas muitas delas como a própria incorporação
da Deusa na sua forma humana, tal como algumas famosas Dakinis, as Bailarinas
do Céu do Tantra tibetano, ficaram conhecidas, por terem vivido como mulheres
com existência historicamente comprovada.
Em meditação, elas dançavam à beira do mar. Quando quis
saber o nome desse lugar,disseram-ne “Praia das Maçãs”… demorei uns segundos a
entender que o clássico tema céltico das “maçãs” estava no topónimo.
LIBERATA é a Hespéride do Samhain, relacionada com a Morte,
a Transformação e o Renascimento. Ela é a Grande Parteira, que ajuda a nascer
para esta e para a dimensão pós-morte. Na antiga Roma, havia uma Deusa com um
nome muito semelhante. Ela ajuda-nos a libertar da antiga forma, a deixar ir o
que está velho e sem préstimo, Ela ensina-nos tudo sobre o desapego e, tal como
a romana Liberia, Ela sabe tudo sobre como cuidar de quem está às portas da Morte.
Ela é a Senhora do Cipreste e a Moura Anciã. As Suas criaturas são o Sapo, o
Corvo e a Coruja. Como tempo atmosférico, Ela é o raio e o trovão que por vezes
nos apavoram e que acompanham as tempestades que trazem águas da dissolução,
que ajudam a desfazer a antiga forma. A fase da lua a que Liberata está
associada é a Lua Balsâmica, que acontece três dias depois da Lua Minguante.
Ela convida à transformação, ao desapego daquilo que não é bom para nós.
GERMANA é a Hespéride do Solstício do Inverno (Yule). É Ela
a mais velha das nove Irmãs. Muito secreta e reservada porque está além da
forma. Embora a tradição nos diga que Ela era uma Santa como as Suas oito
irmãs, é difícil encontrarmos um lugar de culto a Ela dedicado. Ela conhece os
segredos das estrelas e do cosmos, É a Senhora do Pinheiro, a Moura Tecedeira, a
Senhora da Roca – Aquela que tece os fios do destino. As Suas criaturas são a
Águia e o Abutre. Como tempo atmosférico, Ela é o gelo e a geada que tudo cobre
no inverno limpando as terras de parasitas. Ela é Sabedoria, Visão e
Clarividência. Ela é também a Lua Negra, que acontece três dias antes do
primeiro dia da Lua Nova, como um tempo de pousio, de recolhimento e de sonho,
de transição entre a morte do que completou os seus dias e o crescimento do
novo.
EUFÉMIA, A Hespéride do Imbolc, é a mais nova das Irmãs.
Senhora da eloquência, protectora da garganta, da voz e da comunicação (ver “eufemismo”).
Senhora da Oliveira e Senhora da Luz. É cultuada em montes sagrados, como na
Serra de Sintra, no Monte de Santa Eufémia, guardiã da entrada na sacralidade
da Serra da Lua. Senhora das Águas de cura, como as da fonte que aí se encontra.
Ela é a Moura Menina. Os Seus animais totémicos são a Cegonha, o Cisne e o
Lobo. Ela é a Lua Nova dos novos começos, sua é a pureza, a inocência, a
alegria, a confiança e a excitação de estar viva/o neste mundo. Como tempo
atmosférico, ela é a neve que em fevereiro cai nos lugares mais altos.
MARCIANA é a Irmã de Ostara, o Equinócio da Primavera. Ela
mantém o Fogo da Primavera, da Fertilidade, da Kundalini, da Coragem e do
Entusiasmo e é a Senhora da Aveleira e a Cobra Moura. Marciana relaciona-se com
a energia do Urso, do Lince, do Gineto, da Lebre e do Coelho, do pica-pau
verde, das Salamandras e dos Dragões do Fogo. Como fase da lua, Ela é a Lua
Crescente, que simboliza os novos rebentos, aquela que precisamente traz
atividade e crescimento. Como tempo atmosférico, Ela é a luz do sol, que em
março começa a ser cada dia mais intensa.
GENIVERA ou GENEBRA é a Hespéride de Beltane que nos ensina
todas as artes do Amor e do Prazer e é conhecida precisamente entre nós como a
Senhora dos Prazeres. A Sua graça e beleza são enfatizadas quando é chamada
Senhora das Flores, e enquanto Deusa da Fertilidade, também é invocada entre
nós como a Senhora dos Campos e como Maia, a Rainha de Maio. Ela é a Moura
Amante (vulgo “Sedutora”), a que aparece a pentear os cabelos com pente e
espelho de ouro. É também a Senhora da Soberania da terra, ensinando-nos tudo
sobre limites e fronteiras nos nossos relacionamentos. Genivera está conectada
com os Cavalos e as Éguas, as Andorinhas e os bandos de pequenos pássaros que
se movem no céu como se fossem um só corpo. Como tempo atmosférico, Ela é a
nuvem e Seus são os nevoeiros que especialmente na zona Oeste, favorecem o
crescimento das maçãs, o seu tom avermelhado e a sua especial doçura. Como fase
da Lua, Ela é a Lua Convexa, que acontece três dias após a Lua Crescente e que
convida à expressão através dos sentimentos.
MARINHA é a Hespéride de Litha, o Solstício de Verão, a
Hespéride da Água, a Mulher Marinha, a Sereia das nossas origens, e a Moura das
Fontes e a Senhora do Lago ou da Lagoa da nossa tradição. Como tempo
atmosférico, Ela é a chuva e a sua árvore é o Sabugueiro. Como fase da Lua, é a
Lua Cheia, que nos fala de plenitude e de realização, quando as nossas emoções
estão no auge e estamos mais ligadas ao inconsciente e todas as potencialidades
da nossa natureza humana estão mais ativadas. Marinha é a Senhora do
Sabugueiro, as suas criaturas são as Baleias, os Peixes, as Ondinas, as
Lontras, as Ninfas, as Sereias, os Dragões das Águas, bem como a Garça.
BAZÍLIA é a Hespéride de Lammas, que nos ajuda a sentir
criativas e criadoras e a cuidarmos com autoridade e responsabilidade das
nossas criações. Ela é a Moura Mãe e Parteira. Como fase da lua, Bazília é a
Lua Disseminante, que acontece três dias após a Lua Cheia. Ela simboliza o
fruto maduro, pronto a ser colhido, e convida-nos à autoavaliação, tendo em
conta a nossa colheita. Como tempo atmosférico, Ela é o calor intenso do verão.
A Sua árvore é o Freixo, uma das mais importantes da nossa tradição e em
algumas culturas considerada como a própria Árvore do Mundo. As suas criaturas
são os animais que nos ajudam a ter riqueza, como as ovelhas, as vacas e as
cabras domésticas, mas também a Corça Branca, e a Poupa é sua ave.
VITÓRIA é a Hespéride de Mabon, o Equinócio de Outono, é a
Moura guardiã dos tesouros do interior da Terra, as pedras e os metais
preciosos que já foram tão abundantes no nosso território, e o Seu culto
permaneceu entre nós como Senhora da Vitória ou Santa Vitória. Ela é a Senhora
da Azinheira (Quercus Ilex), com
relação com todas as árvores da família Quercus, como o Sobreiro e o Carvalho. Como
fase da Lua, Vitória é a Lua Minguante, que simboliza a última colheita, antes
que a morte sobrevenha, criando espaço para a nova vida. Ela convida-nos ao
recolhimento, que nos ajuda a prepararmo-nos para aceitar a mudança. Como
tempo atmosférico, Vitória é o Vento, sempre tão abundante entre nós, que faz
cair as folhas no outono, que contribui para a polinização, que modela o relevo
e nos dá energia. Vitória é
a Rainha protectora do território e é a própria terra. Como Protectora, ela lembra-nos
que numa guerra não existem vencedores nem vencedoras, e que a paz se constrói
quando nos asseguramos de que toda a gente tem o suficiente para viver, e não
apenas nós, que os interesses de todas as partes estão assegurados. Ela traz-nos
coragem, generosidade, desapego, altruísmo, enfoque no bem maior, na criação de
sustentabilidade. Ela ajuda-nos a compreender que a verdadeira segurança
resulta de confiarmos no processo da vida e de acreditarmos que existem
recursos suficientes para todas/os e que querer apoderar-se de mais do que
aquilo de que necessitamos é apenas um sintoma de imaturidade.
As Suas criaturas são o Javali, o Furão e o Texugo, os Elfos e os Gnomos e os Dragões da Terra, bem como o Gaio.
QUITÉRIA, cujo nome A relaciona com um dos títulos da Deusa
fenícia Astarte (Kythere, Kyteria ou Kuteria, a Vermelha) ou com a Deusa grega Afrodite,
nascida na ilha de Cytherea, é a Hespéride do Centro, Senhora da Beleza, da
doçura e das delícias do nosso Jardim Dourado. Na sua festa no Monte de Santa
Quitéria, que já se designou por Pombeiro, lembrando-nos que a Pomba é
precisamente uma das Suas criaturas, as mulheres oferecem-lhe cestos cheios de
flores e usam a cor vermelha em grande profusão. Ela é a guardiã dos mistérios
das Mouras Encantadas do nosso território. Sem dúvida que a energia da Hespéride Quitéria
reforça no nosso território a dimensão amorosa, erótica, prazenteira, calorosa
e sensual, que é central num paraíso, num Jardim como o das Hespérides, um
lugar de delícias. Os Seus dons de cura são igualmente imensos como nos atesta
uma instituição que subsistiu em Meca, perto de Alenquer, até há relativamente
poucos anos, talvez até meados do século XX, conhecida como Irmandade de Santa
Quitéria. Os membros dessa instituição iam anualmente de terra em terra,
distribuindo, a troco de donativos, pequenos pães sagrados, que se guardava
religiosamente em casa, por terem o poder de proteger os cães contra a raiva.
Quitéria é a Senhora da Macieira e suas criaturas são a
Pomba e o Cão.
Fonte: A Deusa do Jardim das Hespérides, Luiza Frazão
sexta-feira, 16 de dezembro de 2016
quarta-feira, 19 de outubro de 2016
MARIA MADALENA EM ALCOBERTAS - A CONTINUIDADE DA RELIGIÃO DA DEUSA
Perto de onde vivo, existe este fenómeno notável da continuidade do uso religioso dum dólmen neolítico. Fica na aldeia de Alcobertas, que por sua vez fica no Parque Natural da Serra dos Candeeiros, e é dedicado a Santa Maria
Madalena. No século XVI, foi construído um templo cristão contíguo ao dólmen, porque, reza a lenda, a própria Maria Madalena, após a destruição do antigo monumento para construir o novo, ela própria o reconstruiu. E fê-lo de todas as vezes que as pessoas o desmancharam, de tal forma que estas acabaram por deixá-lo de pé, erigindo um altar no seu interior.
Para lá penetrarmos, temos de passar por dentro da igreja e todo o conjunto está dedicado à Santa, embora sobre o altar também se encontre uma imagem de uma outra Santa, Ana, na verdade uma representação da Deusa mais ancestral do nosso território, Dana, Danu.
Achei delicioso o que está escrito numa placa comemorativa das obras realizadas há pouco tempo: "(...) esta Igreja Paroquial de Alcobertas dedicada a Deus com o título de Santa Maria Madalena (...).
Outras versões da lenda afirmam ainda que a mesma Santa transportou as pedras da Serra da Lua ( também existe aqui no Parque uma Serra da Lua, sim). E outra versão diz que foi Ela que "fez nascer as pedras neste local para as/os crentes poderem expiar os seus pecados".
Para lá penetrarmos, temos de passar por dentro da igreja e todo o conjunto está dedicado à Santa, embora sobre o altar também se encontre uma imagem de uma outra Santa, Ana, na verdade uma representação da Deusa mais ancestral do nosso território, Dana, Danu.
Achei delicioso o que está escrito numa placa comemorativa das obras realizadas há pouco tempo: "(...) esta Igreja Paroquial de Alcobertas dedicada a Deus com o título de Santa Maria Madalena (...).
Outras versões da lenda afirmam ainda que a mesma Santa transportou as pedras da Serra da Lua ( também existe aqui no Parque uma Serra da Lua, sim). E outra versão diz que foi Ela que "fez nascer as pedras neste local para as/os crentes poderem expiar os seus pecados".
Isso é tanto mais interessante quanto, para algumas e alguns pesquisadoras/es (entre @s quais Artur Felisberto, blogue Numância), é como se o culto de Maria Madalena
tivesse subsumido todo o legado suprimido da antiga Deusa. Enquanto "pecadora", é como se ela tivesse tomado sob a Sua alçada e proteção tudo o que pertencia à
antiga religião. Esta teoria faz sentido quando visitamos este antigo lugar onde sabemos que a Deusa foi cultuada dedicado agora a Maria Madalena, que aí está por 3 vezes representada, em dois painéis de azulejo e numa escultura muito primitiva na fachada da
igreja.
Jane Meredith, entretanto, em Journey to the Dark Goddess, considera que Maria Madalena surge por vezes na lista dos avatares da Deusa Negra, a par de Kali, Ereshkigal, Keridween, Hécate, Medusa, Morrigan, ou da Black Annis. E a verdade é que Ela lá está, em Alcobertas, num
lugar que é antes de tudo o mais um monumento funerário, onde por milhares de anos o povo honrou os seus antepassados e as suas antepassadas... um lugar onde, segundo se diz, um monumento pagão foi incorporada a outro cristão por "inteira responsabilidade" de Santa Maria Madalena.
Fontes consultadas:
Jane Meredith, Journey to the Dark Goddess
Imagens Google - Na terceira, os estranhos buracos fazem pensar, entre outras, na hipótese de terem sido feitos para colocar oferendas e/ou velas acesas, ou então pelo raspar do pó da pedra usado para fins mágicos.
terça-feira, 11 de outubro de 2016
SEPULTAMENTO CERIMONIAL NO VALE DO LAPEDO
Com 24 500 anos e vestígios do culto da Deusa
"Rituais funerários com a natureza de
rituais geradores de vida, intimamente ligados (...) aoculto da Deusa."
“A criança do Lapedo foi descoberta em 28 de Novembro de
1998, dia em que se realizou uma expedição ao Abrigo do Lagar Velho, para
estudar algumas pinturas rupestres descobertas anteriormente. A reconstituição da época demonstra que o lugar do
enterramento correspondia a um cone de acumulação de sedimentos, rodeado pela ribeira
do Sirol e uma possível exsurgência na parede calcária. Para enterrar a
criança, tinha sido escavada uma pequena fossa e queimado um ramo de
pinheiro. A criança foi embrulhada numa mortalha tingida com ocre vermelho (daí a tonalidade vermelha do solo na
sepultura) e estendida na fossa, de costas e ligeiramente inclinada para a
parede do abrigo. Junto ao pescoço foi ainda recolhida uma concha tingida a ocre, que
deveria fazer parte de um colar, e quatro dentes de veado na cabeça, que poderiam
fazer parte de uma espécie de touca. A criança foi ainda enterrada com oferendas de
carne de veado.” Ao lado da criança foi colocado ainda um filhote de
coelho, como último presente.
Este lugar, o Vale do Lapedo, terá sido habitado por mais de 10 000 anos e representa uma extraordinária riqueza do ponto de vista arqueológico.
Cito
a propósito deste sepultamento, da forma cerimonial como foi feito, com todos os
elementos que envolveu, Riane Eisler, em O
Cálice e a Espada:
“Associadas às pinturas parietais, aos santuários em cavernas
e às necrópoles, as estatuetas femininas dos povos do Paleolítico são
importantes registos psíquicos. Elas atestam o deslumbramento que
sentiam os nossos antepassados perante tanto o mistério da vida como o mistério
da morte. Elas indicam que, desde os alvores da história humana, a vontade
humana encontrou expressão e se autoafirmou por via de uma grande variedade de
rituais e mitos que parecem ter-se encontrado associados à crença, ainda
largamente disseminada, de que os mortos podem regressar à vida através de um
renascimento.
“Em grandes cavernas-santuário
como Les Trois Frères, Niaux, Font de Gaume ou Lascaux”, escreve o historiador
das religiões E. O. James, “as cerimónias devem ter envolvido um esforço
organizado por parte da comunidade (…) no sentido de dominar as forças e os
processos naturais através de meios sobrenaturais votados ao bem comum. A tradição sagrada, quer se relacione com a provisão
alimentar, o mistério do nascimento e da reprodução, ou da morte, aparentemente
surgiu e funcionou como resposta à vontade de viver aqui e no além”.2
Esta tradição sagrada encontrou expressão na notável arte
do Paleolítico. E uma componente integral desta tradição sagrada era a
associação com a mulher dos poderes que regem a vida e a morte.
Esta associação do feminino com o poder de dar vida
podemos observá-la nas necrópoles paleolíticas.
Por exemplo, no abrigo
rochoso conhecido por Cro-Magnon, em Les Eyzies, em França (onde foram
descobertos os primeiros vestígios dos nossos antepassados do Paleolítico
Superior), sobre
os cadáveres e em seu redor encontravam-se conchas de caurim, um molusco
gastrópode. Essas conchas, talhadas na forma que James descreveu discretamente
como “o umbral através do qual a criança entra no mundo”, parecem ter-se
relacionado com algum tipo de remota adoração de uma divindade feminina. Segundo
James, o caurim era um agente catalisador da vida. O mesmo sucedia com o ocre
vermelho, que em tradições posteriores era ainda o sucedâneo do sangue provedor
de vida, o sangue menstrual da mulher.3
A principal ênfase parece ter
sido na associação da mulher com a geração e o sustento da vida. ao mesmo
tempo, porém, a morte – ou, mais especificamente, a ressurreição – parece ter
constituído igualmente um tema religioso central.
Tanto a colocação ritualizada de conchas de caurim em forma de vagina sobre e em redor do cadáver, como a prática de revestir essas conchas de e/ou o cadáver com pigmento ocre vermelho (simbolizando o poder vitalizador do sangue), parecem ter feito parte de ritos funerários cuja intenção era propiciar o renascer dos defuntos. Ainda mais especificamente, como nota James, eles “apontam para rituais funerários com a natureza de rituais geradores de vida, intimamente ligados às estatuetas femininas e a outros símbolos do culto da Deusa.”4
Tanto a colocação ritualizada de conchas de caurim em forma de vagina sobre e em redor do cadáver, como a prática de revestir essas conchas de e/ou o cadáver com pigmento ocre vermelho (simbolizando o poder vitalizador do sangue), parecem ter feito parte de ritos funerários cuja intenção era propiciar o renascer dos defuntos. Ainda mais especificamente, como nota James, eles “apontam para rituais funerários com a natureza de rituais geradores de vida, intimamente ligados às estatuetas femininas e a outros símbolos do culto da Deusa.”4
Notas:
2 – Edwin Oliver
James, Cult of the Mother Goddess
3 - Edwin Oliver
James, Prehistoric Religion
4 - Edwin Oliver
James, Cult of the Mother Goddess
Referir ainda que o mais antigo ritual conhecido até
agora de sepultamento de seres humanos modernos é foi encontrado em Israel, em Qafzeh e data de há cerca de 100 000 anos. São dois cadáveres que se supõe
serem de uma mãe e uma criança. Já aí os ossos foram manchados com ocre vermelho.
Informação sobre esta descoberta
arqueológica aqui.
Imagens: Google
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Formação de Sacerdotisas da Deusa do Jardim das Hespérides - opinião das formandas
Após completarem a primeira Espiral, algumas das formandas disseram: “Profundamente transformador, com ênfase em exercícios práticos...








