“Por fim, abre-se aos olhos sequiosos de luz do peregrino a
mística máxima de todas as finisterrae do Ocidente, completando a noção
iniciática de morte e ressurreição, no lugar onde o Sol se põe e se encontra
com o Mar incógnito, símbolo da Vida Eterna ou Vida além-Morte, onde termina o
Mundo conhecido do Espaço Com Limites e começa o Mundo desconhecido do Espaço
Sem Limites indefinido reflectido na imensidão de Além-Mar, o Oceano Sem Praias
beijado pelas brumas do Mistério.
Os finisterrae sempre foram referidos pelos autores
clássicos como lugares de abastança dos corpos, felicidade das almas e de
presença divina. Hesíodo localiza a Ocidente o Jardim das Hespérides, as ninfas
do entardecer e filhas de Atlas que tinham a função de proteger esse jardim
onde estava a árvore das maçãs de ouro; Homero refere a felicidade dos
habitantes da Hespéria, definindo-a como o local reminiscente do Paraíso de
Saturno, símbolo da Idade de Ouro. Plutarco afirma na biografia de Sertório a
vontade deste general romano em terminar os dias na Hispânia sob a graça de
Vénus, a guardião da Ilha dos Amores onde não há guerras nem tiranias, etc.”
Victor Manuel Adrião
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