quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

A INSPIRAÇÃO DE AVALON


"UMA VISÃO PARA TI

A DEUSA está viva em Glastonbury, visível para tod@s nós nas formas da Sua paisagem sagrada. Ela é suave como o arredondado dos montes do Seu corpo e doce como as flores das macieiras que crescem nos Seus pomares. Aqui sentimo-nos cada dia envolvidas pelo Seu amor e a Sua voz trazida pelo vento pode ouvir-se em permanência, o Seu sussurro atravessando as brumas de Avalon. Os Seus mistérios são tão profundos como o Caldeirão que  Ela mexe em permanência, conduzindo-nos até às Suas profundezas para depois nos elevar às Suas alturas. Ela é a nossa fonte, a nossa inspiração e o nosso Amor.

A nossa visão consiste em criarmos e mantermos um Templo da Deusa contemporâneo, aberto em permanência, dedicado à Deusa em Glastonbury e à sua contraparte fora desta dimensão, a Ilha de Avalon. O Templo da Deusa é um espaço sagrado aberto a tod@s, especialmente dedicado à descoberta e celebração do Feminino Divino. É um espaço sagrado onde podemos cultuar e honrar a Deusa de formas que podem ser antigas ou atuais e onde todo o tipo de amor por Ela é bem-vindo.


No Templo da Deusa de Glastonbury celebramos as Deusas que estão particularmente ligadas a Glastonbury e à Ilha de Avalon. Avalon é uma terra mágica onde a Deusa está presente desde tempos imemoriais. Trata-se dum lugar de mistério e imaginação, um lugar onde podemos deixar ir o que é velho e acolher o novo em nós, novas formas de sermos e de vivermos. A divindade primordial relacionada com Glastonbury é a Senhora de Avalon (que é Morgan la Fey), as Nove Morgens, Brigit ou Bridie da chama sagrada, Modron, Grande Mãe da linhagem de Avallach, Nossa Senhora Maria de Glastonbury (Our Lady Mary), a Anciã de Avalon, a Deusa do Tor, Senhora dos Montes Ocos (Hollow Hills), Senhora do Lago e Senhora das Fontes e Poços Sagrados.”


(Minha tradução livre)

Com estas palavras apresenta o Templo da Deusa de Glastonbury a sua visão e propósito no seu sítio da Net. São palavras que podemos aplicar aos propósitos do nosso Templo da Deusa do Jardim das Hespérides e de qualquer templo da Deusa que é urgente criarmos neste mundo de onde a Deusa primordial foi banida pela Sua incompatibilidade com propósitos patriarcais, entretanto em vias de nos destruírem enquanto civilização e planeta.

A nossa Avalon é o Jardim das Hespérides, espaço por excelência da Deusa Anciã, da Sábia Calaica-Beira, e de Ana, a Grande Mãe Ancestral, respiração espiritual desta terra. E das nossas Nove Irmãs, as Nove Hespérides que regem este espaço de uma outra dimensão como as Nove Morgens regem a Ilha de Avalon. Vão por certo dizer-me que as Hespérides não são nove, mas na verdade se o seu número varia de fonte para fonte, por que não considerar que também elas compõem aqui  aquele grupo primordial que o investigador Stuart MacHardy descobriu que existe espalhado pelos quatro cantos do mundo, as Nove Donzelas de que nos fala na obra “The Quest for the Nine Maidens”?

(Em outro post falarei sobre quem são estas entidades).

Se a Deusa está presente em Avalon desde tempos imemoriais, também aqui Ela se conservou no coração das mulheres, que deram à Virgem Maria e às inúmeras santas - a  forma que Grande Deusa teve de tomar para sobreviver ao Cristianismo - todos os atributos e qualidades das antigas Deusas, nem nos faltando os da Deusa da Sexualidade Sagrada, chamada aqui nada mais nada menos que Nossa Senhora dos Prazeres… Todo o nosso território está imbuído da Sua vibração, uns lugares é certo mais do que outros. Por todo o lado há capelinhas e capelas e igrejas - regra geral edificadas sobre locais outrora considerados sagrados pelo Paganismo - celebrando a Sua glória, a glória do Feminino Divino, e o Seu poder.

Pode parecer com isto que nos estamos a colar demasiado a uma tradição estrangeira, a uma tradição importada, mas a verdade é que, quando estudamos essa tradição, vemos que ela  tem muitas semelhanças com a nossa, dando razão às e aos investigador@s que defendem a Teoria da Continuidade Paleolítica, segundo a qual nós somos tão celtas como el@s, tendo  partilhado em tempos a mesma cultura, a do chamado Arco Atlântico, que compreende Portugal, Galiza, Bretanha francesa, Irlanda e Grã-Bretanha, e até que é possível que daqui ela tenha irradiado para o resto da Europa. Pelo menos… E não são apenas investigador@s nacionais a defender estas ideias...

©Luiza Frazão

Imagens Google



AS NOSSAS ÁRVORES SAGRADAS DA DEUSA

Árvores são seres magnificentes, autênticas unidades de apoio à vida, se as quisermos ver apenas dum ponto de vista utilitário, e sacralizar cada elemento da Natureza, toda a Natureza, é a forma mais eficaz de a protegermos.


Sempre senti um profundo respeito e amor por elas, por árvores como o Carvalho que se despiam no outono e reverdeciam na primavera com as suas folhinhas tenras cheias de promessas de dias de sol e de calor, no meio das quais, nas braçadas mais à mão, colhíamos pequeninas bagas verdes ou avermelhadas, meias translúcidas, que desfazíamos com os dentes, sentindo na boca uma frescura deliciosa com um travo meio ácido. Naquele tempo, amávamos a natureza com todos os nossos sentidos, incluindo o gosto… trincávamos, sorvíamos, comíamos imensas coisas, entre flores, caules, bolbos e claro os frutos. Cada coisa na sua época própria, não havia outra hipótese, e tudo produzido no lugar onde vivíamos, de preferência no quintal ou nas imediações da nossa casa.

Amava a Oliveira, um ser tão familiar e generoso, de quem se cuidava com grande reverência porque nos dava tanta coisa, e tudo do mais precioso, como as azeitonas e o azeite e a lenha para a lareira. E sabe a Deusa para quantos fins o azeite servia. Mas não se ficava por aqui, a Oliveira. Ela era uma árvore de cura. E é, claro. Pelo tronco naturalmente fendido de uma Oliveira passava-se uma criança doente (não sei muito bem qual era o problema, mas era um mal específico), num ritual em que participava uma rapariga de nome Maria e um rapaz que se chamasse João… E sei agora que as suas folhas também têm grandes propriedades terapêuticas.

Também alguém me contou que na sua aldeia da Região Centro até há relativamente poucas décadas era uso pela Candelária fazer fritos, em azeite claro, oferecendo-se depois um a cada pé de Oliveira que se possuísse. São reminiscências do culto das árvores, da Oliveira no caso, e tornam-na sem dúvida alguma a nossa árvore sagrada do Imbolc. Até porque uma das Nossas Senhoras associadas a esta festividade é a da Oliveira.

Tem sido um fascínio perceber, sentir, intuir quais são as nossas outras árvores sagradas de cada uma das festividades da Roda da Deusa das Hespérides...

 © Luiza Frazão
Imagens: fotos que fiz durante uma visita aos Olhos de Águra do Alviela, num olival tão antigo e poderoso...

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Um Templo da Deusa no Jardim das Hespérides



A terra que habitamos, à semelhança da Ilha Encantada de Avalon, possui uma dimensão mítica. Trata-se do Jardim das Hespérides, esse reino de mulheres poderosas do qual encontramos eco, por exemplo, na obra de Dalila Pereira da Costa, Da Serpente à Imaculada.

As Hespérides são as Irmãs do Poente que vivem nas margens do grande Rio Oceano, herdeiras da antiga sabedoria da Atlântida. À semelhança das Irmãs de Avalon, as nove Morgens, também elas vivem numa terra de Maçãs, as Maçãs de Ouro da Imortalidade. Senhoras de um dos últimos redutos matriarcais, ao qual pôs termo Hércules, o herói patriarcal, destruidor da antiga ordem pacífica, igualitária e sustentável, centrada nos valores da Mãe…

O Templo das Hespérides, as Irmãs do Poente, inspirado no Templo da Deusa de Glastonbury, é um projeto em incubação, lentamente ancorando na nossa realidade. Enquanto não se manifesta completamente no plano físico, ele é virtual, manifestando-se em alguns espaços onde decorrerão cerimónias e outros trabalhos, que marcarão o ritmo da Roda do Ano das Hespérides e serão portais para e o ancoramento da energia da Deusa.

 É ambição deste templo ir mais longe, congregando mulheres e homens que se sintam em sintonia com a Sacerdotisa ou o Sacerdote da Deusa em si, criando uma teia de suporte da vida, de condições para a criação duma verdadeira irmandade do coração com eficácia na vida prática.

Formação de Sacerdotisas da Deusa do Jardim das Hespérides - opinião das formandas

Após completarem a primeira Espiral, algumas das formandas disseram: “Profundamente transformador, com ênfase em exercícios práticos...