segunda-feira, 15 de julho de 2013

REESCREVER A HISTÓRIA NO FEMININO - AS NOVE IRMÃS DA HESPÉRIA


Um grupo de nove mulheres (e um homem) dança numa pintura rupestre na Catalunha, Cogul. De um tempo em que ainda não havia fronteiras na Hespéria, terra de abundância, de ouro, de paz, um dos últimos redutos do Matriarcado na Europa. Serão as mesmas que ainda hoje são cultuadas como "santas" na Igreja Católica? Estou em crer que sim, as nossas remotas antepassadas, as portentosas mulheres do Neolítico, construtoras dos monumentos megalíticos que ainda perduram. São elas as nossas Mouras Encantadas, vivendo numa outra dimensão, num território intraterreno, como na Irlanda os Tuatha-De-Danan... Esta é a visão da minha grande mestra, Dalila Lello Pereira da Costa, que para mim faz todo o sentido.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Hespéria


“Por fim, abre-se aos olhos sequiosos de luz do peregrino a mística máxima de todas as finisterrae do Ocidente, completando a noção iniciática de morte e ressurreição, no lugar onde o Sol se põe e se encontra com o Mar incógnito, símbolo da Vida Eterna ou Vida além-Morte, onde termina o Mundo conhecido do Espaço Com Limites e começa o Mundo desconhecido do Espaço Sem Limites indefinido reflectido na imensidão de Além-Mar, o Oceano Sem Praias beijado pelas brumas do Mistério.
Os finisterrae sempre foram referidos pelos autores clássicos como lugares de abastança dos corpos, felicidade das almas e de presença divina. Hesíodo localiza a Ocidente o Jardim das Hespérides, as ninfas do entardecer e filhas de Atlas que tinham a função de proteger esse jardim onde estava a árvore das maçãs de ouro; Homero refere a felicidade dos habitantes da Hespéria, definindo-a como o local reminiscente do Paraíso de Saturno, símbolo da Idade de Ouro. Plutarco afirma na biografia de Sertório a vontade deste general romano em terminar os dias na Hispânia sob a graça de Vénus, a guardião da Ilha dos Amores onde não há guerras nem tiranias, etc.”
Victor Manuel Adrião


 O texto completo em:

quarta-feira, 8 de maio de 2013

MAIA

Gosto muito desta imagem da Deusa Maia, guardiã das casas e dos campos, da semente até à sua plena maturação.
Precisamos d'Ela agora, da Sua divina proteção para as sementes do nosso planeta, ameaçadas, tendo-se ao que parece tornado - imagine-se - um recurso privado.

Imagem: Google

MAIA - A RAINHA DE MAIO

Esta divindade da nossa Roda do Ano acaba de manifestar-se, de chegar até mim. Primeiro ouvi falar dela, já não sei bem como, mas houve uma ressonância qualquer... Simplesmente não sabia onde A encaixar. Até que comecei a invocá-la na Roda Dourada do Jardim das Hespérides. Mas ainda estava na dúvida se haveria de considerá-la ou não até que ontem à noite enquanto escrevia sobre a cerimónia de Beltane (obrigações do meu treino de sacerdotisa da Deusa), ficou evidente que esta boneca em tamanho natural que ainda hoje (ai o folclorismo das juntas de freguesia, que mesmo assim, vá lá, ainda vai conservando alguma coisa...) se faz em muitos lugares de Portugal é uma representação da Deusa. Que Deusa? Maia, óbvio! a nossa 'Rainha de Maio', que existe também na tradição de Avalon. Ela é uma propiciadora de fertilidade e abundância, protetora da casa e das colheitas que nesta fase de crescimento e até à sua completa maturação ainda estão sujeitas a perigos vários, como pragas e tempestades.

Embora não se fizessem na região onde nasci, inúmeras imagens no Google atestam da popularidade deste costume.

Tenho consciência de que para algumas e alguns de nós pode parecer tratar-se duma imagem tosca e um tanto grotesca dificilmente assimilável à ideia que se faz da 'dignidade' duma Deusa... No entanto, dentro da cultura popular, não há dúvida de que se trata duma forma genuína de representar a Deusa, ingénua e deliciosa na sua exuberância e criatividade, absolutamente fascinante, embora devamos ter em conta que muito mal tratada por uma cultura que deixou de reverenciar a Mulher e a Deusa, passando mesmo a ridicularizá-la de todas as formas possíveis. Cabe-nos a nós hoje em dia voltarmos a dar a estas manifestações ainda remanescentes e um tanto fossilizadas do culto da Deusa a sua verdadeira dimensão sagrada.
©Luiza Frazão

Imagens: Google

segunda-feira, 6 de maio de 2013

A Quinta-Feira da Espiga, 9 de maio


Esta é uma tradição bem nossa que sempre me fascinou e procuro cumprir desde a infância, só interrompida nos anos em que vivi fora do país. Semanas antes já ando a ver onde há espigas de trigo, sempre o mais difícil de encontrar nestes últimos anos. Este ano foi mesmo difícil mas já sei onde há algumas misturadas com outro cereal...

Encontrei este texto de Aurélio Alves, onde se diz que a hora mais propícia é o meio-dia. Então, quem puder é uma excelente forma de nos reconectarmos com a nossa tradição pagã...


"O fenómeno de revitalização vegetativa, em que a natureza após a longa letargia invernal acorda, desabrochando numa sinfonia de vida, constituiu sempre para as populações arcaicas, um momento mágico e determinante da visão cósmica da existência. Momento aguardado com a ansiedade das perspetivas de novas colheitas mas, igualmente despoletador de dúvidas acerca da sua efetiva realização, este é o  tempo em que chega a Primavera.

Tempo sagrado, como todos os tempos de transição, nele se efetuavam, em épocas passadas, diversos cerimoniais cujas funções exprimiam a comemoração festiva do eclodir primaveril e, algumas vezes até, rituais de expulsão simbólica do Inverno que terminava. Neste sentido, realizaram-se durante séculos, por todo o mundo mediterrâneo, grandiosos festivais florais em que jovens nubentes se espalhavam pelos campos e, em alegre convívio cantavam e dançavam, e se enfeitavam com verduras e flores, num ritual ancestral de que o nosso  “dia da espiga” constitui  herdeiro direto, embora minorado.

Poder-se-á dizer, então, que fazendo parte deste ciclo festivo da Primavera, a Quinta Feira da Ascensão, ou  “da espiga”, corresponde à cristianização de um complexo de festividades pagãs ligadas à celebração e consagração da natureza.

Não é portanto de admirar que este tempo vital, expresso no renascer das plantas, no desabrochar das árvores e na proliferação das flores e frutos, desencadeasse grandes manifestações de alegria, em que jovens se dirigiam para os campos, para aí, em comunhão com a natureza, festejarem e, naturalmente, adquirirem também eles as energias fecundantes que nesta altura fluíam em profusão.

Mas o “dia da espiga” era também o “dia da hora”. Herdeiro de simbolismos primevos, este era um tempo particularmente sagrado. Um tempo por muitos considerado “o dia mais santo do ano”, em que se não devia trabalhar e em que “nada bulia”, em que as transgressões  referentes ao trabalho se revelam estranhamente ineficazes, quando não se manifesta até outro tipo de sanção mais radical.

Avultava, aí, uma hora em que as coisas possuíam especiais valências e singulares transcendências... o meio-dia! Essa é a hora em que os “as águas dos ribeiros não correm, o leite não coalha, o pão não leveda e até as folhas se cruzam” configurando assim, devotadamente, o sinal da cruz?! De sacralismo tão intenso que, como se crê, na zona do Vale do Tejo, nem os “passarinhos vão ao ninho”!

Ao meio-dia se deviam, então, colher as ervas que iam ser utilizadas na farmacopeia popular durante todo o ano. Ao meio-dia se deviam preferencialmente colher os diversos raminhos que no seu conjunto constituíam a “espiga”, temporalidade que por razões funcionais foi, em muitas zonas, caindo em desuso.
É um tempo prodigioso, eivado de proibições e obrigações. Nalgumas aldeias acreditava-se que não se podia, nesse dia, cozer pão. Noutras, pelo contrário, o pão cozido era sagrado, mantendo-se incorrupto até ao ano seguinte.

Em Alenquer, por exemplo, o leite ordenhado nesse dia não se vendia, dava-se, já que a realização de negócios, mesmo os mais simples, constituía mau presságio.
Em casa “a espiga” era, e é, guardada atrás da porta ou junto da imagem de particular devoção. A mera existência numa habitação desse simples raminho, constitui poderoso e multifacetado amuleto. Para dar saúde, alegria e abundância e, especialmente, para que nessa casa nunca faltem os indispensáveis azeite e pão!

Aliás, o seu sentido propiciatório era, em tempos idos, evidente e diversificado. Quando das trovoadas, um bocado posto a arder à lareira afastava os raios e oferecia proteção eficaz contra a tormenta.
A este tempo estavam ainda ligadas as oferendas das “primícias” e as ”bênçãos dos campos”, nos nossos dias, por razões funcionais, de contornos institucionais mais ou menos litúrgicos e de temporalidade mais variada. Em muitas zonas do país, costumavam soltar-se, durante a missa, grupos de andorinhas que, paciente e delicadamente, se tinham apanhado nos dias anteriores, adornadas as mesmas com coloridas fitinhas e lacinhos vermelhos.

Enfim, sejam ou não vistos, hoje, numa perspetiva canónica, fazendo ou não parte do imaginário popular, estas tradições que comemoram o desabrochar da Primavera são sempre tempos especiais na temporalidade mística das populações rurais mediterrâneas e, na sua coexistência com o sacralismo da terra-mãe, hierofania exemplar da sua relação com a esfera do sagrado.

É o milagre da vida, que se renova periódica e inexoravelmente todos os anos. Da terra prenhe eclodem os frutos naturais. Semente divina, condição de sobrevivência, dádiva da fertilidade que as massas urbanas apenas, hoje, apreciam à distância!" (adaptado)

Aurélio Lopes
http://www.apagina.pt/?aba=7&cat=158&doc=11729&mid=2

sexta-feira, 3 de maio de 2013

MÃEMUNDO - A VISÃO DUM MUNDO CENTRADO NOS VALORES DA MÃE

 A versão definitiva deste projeto acaba de me chegar às mãos e é com imenso prazer que a publico aqui neste blogue dedicado ao Templo da Deusa do Jardim das Hespérides. Acredito que se trata dum projeto bem realista, exequível e profundamente transformador no melhor sentido... Ele foi inicialmente concebido por Kathy Jones, fundadora da Goddess Conference de Glastonbury, Inglaterra, e do Goddess Temple da mesma localidade, e depois de discutido pela Comunidade da Deusa acaba de ser lançado há dias num evento sobre o sagrado feminino em Turim.



MãeMundo
A Visão da MãeMundo  Abril 2013

A Visão da MãeMundo foi inspirada pela Senhora de Avalon, Deusa de amor, compaixão, cura e transformação na Sagrada Ilha de Avalon.

A MãeMundo é uma sociedade onde a mãe e os valores maternais - amor, atenção e apoio mútuos e para com a Mãe Terra e todas as Suas criaturas e a natureza se colocam no centro das nossas vidas, e não na periferia.

A MãeMundo é uma sociedade na qual os valores criativos e de afirmação da vida, ações, ideias e conhecimento são honrados e encorajados nas mulheres, homens e crianças. Trata-se duma sociedade baseada no facto de que todas e todos nós dependemos da Mãe Terra. Enquanto fonte e fundamento de tudo aquilo que somos e do que temos, entendemos que é necessário tomarmos efetiva conta dela, de todos os seres e de toda a vida.

Os principais valores da nova MãeMundo 

Respeito pela Mãe Terra como o ser vivo que é; partilha do amor, bondade, apoio e respeito mútuos, cuidado, compaixão; respeito por todas as formas de amor maternal, e paternal, especial carinho pelas crianças, proteção e cuidado com a terra, a água, o fogo, o ar e o espaço do mundo inteiro.

Outros valores são sugeridos para a nova MãeMundo, tais como: honestidade, integridade pessoal, autenticidade, conexão, diversidade, direito de escolha, discernimento, inclusão, confiança, beleza, expressão emocional, capacidade de escuta, capacidade para estabelecer fronteiras e limites, reflexão, desenvolvimento da alma, empoderamento, cura do aspeto sombra, busca da sabedoria, encorajamento da responsabilidade pessoal, consciência do valor próprio, respeito por si própri@, autoconfiança, autodisciplina e autorreflexão, serviço, oração, cerimonial, conexão, dádiva, recetividade, generosidade, partilha da riqueza, humor, criatividade, educação para todas as pessoas, uso de métodos não-violentos na resolução de conflitos, proteção da Mãe Natureza e de todos os seres vivos, modo de produção ético de bens e serviços, proteção das pessoas mais vulneráveis, valorização da sabedoria das anciãs e dos anciãos e d@s antepassad@s.

A MãeMundo é uma sociedade na qual as estruturas patriarcais e os valores de dominação, poder sobre, controlo e coerção, avidez, lucro excessivo, competição destrutiva, violência, violação, guerra, escravatura, sofrimento, fome, pobreza, poluição da Mãe Terra e da Sua atmosfera, são entendidos como expressões da sombra da humanidade, que necessita de ser desafiada, desconstruída, transformada e curada. Na visão MãeMundo práticas de cura são encorajadas e disponibilizadas para todas as pessoas.

Na visão MãeMundo reconhece-se que todos os seres humanos têm feridas provocadas pelo condicionamento patriarcal – padrões, emocionais e mentais que podem ser ativados na medida em que tentamos mudar o nosso mundo. Na comunidade da Deusa, temos particular consciência dos nossos aspetos sombra, os quais incluem inveja, ciúme, julgamento, competitividade, colisão, ressentimento, debilitamento, maledicência, acusação e julgamento, projeção de emoções negativas tais como raiva, vergonha, ressentimento; medo, solidão, falta de amor-próprio, de autoestima e de autoconfiança, como resultado das nossas experiências individuais, culturais e cármicas.

Na visão MãeMundo uma das nossas tarefas prioritárias consiste no amor e apoio mútuos e em assumirmos a responsabilidade pelas nossas emoções reprimidas frequentemente hostis. Estes aspetos sombra minam todos os nossos melhores esforços para mudarmos a forma como nos relacionamos, como vivemos a nossa vida de pessoas que cultuam a Deusa num mundo regido pelos valores patriarcais, como sacerdotes e sacerdotisas, nos nossos compromissos pessoais para com a Deusa, impedindo-nos de atingir o verdadeiro empoderamento. Entre nós, entretanto, já desenvolvemos muitas habilidades e técnicas de expressão emocional, de escuta recíproca, podendo oferecer reflexão e apoio para a cura destas feridas. Este trabalho de cura a nível pessoal necessita ser acelerado neste particular momento que estamos a viver e pode sê-lo com a ajuda da comunidade MãeMundo. 

Apesar do nome MãeMundo ter sido inspirado na novela de Barbara Walker “Amazon”, onde se descreve uma antiga sociedade matriarcal, de ficção, não se trata aqui do retorno a uma sociedade desse tipo, mas antes de um novo movimento em direção à criação de uma comunidade centrada nos valores maternos, onde todas as pessoas são igualmente valorizadas, apoiadas e apreciadas e onde em conjunto poderemos experimentar novas ideias e formas. MãeMundo evoca a visão dum mundo amoroso onde todas e todos nos possamos sentir segur@s no abraço da Grande Mãe.

O apelo da MãeMundo

Nós apelamos ao empoderamento das mulheres e raparigas, homens e rapazes. Apelamos ao fim de toda a violência – violência contra mulheres e raparigas, rapazes e homens, incluindo assalto, violação, mutilação genital e circuncisão, escravatura, tráfico de pessoas, tortura e guerra. Apelamos ao fim de toda a intimidação, poder sobre e todas as formas de agressão. Apelamos ao fim do comércio de armas bem como à posse individual de armas perigosas. Apelamos ao fim da fome, da pobreza, da falta de habitação, da apropriação dos recursos do planeta por uma minoria à custa da maioria. Apelamos ao fim do sacrifício de pessoas e de animais para fins religiosos, políticos ou ideias sociais. Apelamos ao fim de toda a crueldade para com os animais. Apelamos ao fim de todas as desigualdades com base no género, raça, orientação sexual, incapacidade e idade.

A visão da MãeMundo foi iniciada pela sacerdotisa de Avalon Kathy Jones e pela comunidade da Deusa do Templo da Deusa de Glastonbury, Inglaterra, incluindo Amanda Baker, Amanda Posnett, Amber Skyes, Ann James, Beci Monks, Beci Thomas, Carmen Paz, Caroline Lir, Cherry-Lee Ward, Chrissy Heaven, Christine Watkins, Christine Watts, Duncun Howell, Elin Hejll-Guest, Elle Hull, Emma-Rose Knight, Erin McCauliff, Francine van den Berg, Georgina Sirett-Smith, Joanne Foucher, Joanne Hooper, John Reeves, Josie Shaw, Katinka Soetens, Leona Graham, Lieveke Volcke, Lisa Newing, Lorraine Pickles, Louise Tarrier, Luiza Frazao, Luna Silver, Mandie Thorne, Marion van Eupen, Marisa Picardo, Michelle Patten, Mike Jones, Miriam Wallraven, Peter Huzar, Renata de Queiroz, Rose Flint, Rosie Elflain, Sandra Roman, Sharlea Sparrow, Shirley-Ann Millar, Stephanie Mathivet, Suzanne Viney, Tina Free, Trevor Nuthall, Vera Faria Leal and Vikki Winstone. Website www.goddesstemple.co.uk

Esta visão está também a ser recebida e partilhada por outras pessoas em diferentes comunidades e lugares do mundo. A visão da MãeMundo é inclusiva e sem fronteiras. Ela apoia todas as pessoas, mulheres, crianças e homens do mundo inteiro, trabalhando no sentido de trazer de volta à sociedade e às nossas vidas os valores do feminino, mudando o mundo para melhor. A MãeMundo favorece a diversidade de expressão, tal como uma Mãe ama todas as suas filhas e os seus filhos com o seu carácter particular e sua forma única de o expressar.

Comunidades MãeMundo e redes de apoio podem ser formadas por qualquer grupo de pessoas que concorde com estes princípios. Pedimos às pessoas interessadas que estabeleçam um compromisso com a MãeMundo, bem como que haja contacto e conexão entre os grupos a fim de podermos criar uma verdadeira teia de amor e de apoio aos nossos valores e ações criativas.

A visão MãeMundo será ancorada e ativada numa cerimónia a ter lugar na próxima Conferência da Deusa que terá lugar em Glastonbury de 30 de julho a 4 de agosto de 2013. Website www.goddessconference.co.uk

Compromisso com a MãeMundo

Seguem-se sugestões de compromissos a serem estabelecidos por todas as pessoas que desejam cocriar a visão MãeMundo, podendo este texto ser livremente usado por quem deseja divulgar este projeto.

Eu comprometo-me a amar e a apoiar esta Visão, as Pessoas e os Valores da MãeMundo, tal como foram apresentados acima. A minha intenção é ajudar a trazer a MãeMundo à manifestação com os meus pensamentos, palavras e ações no mundo. Eu apoio a Visão MãeMundo.

Eu comprometo-me a responsabilizar-me pelas minhas próprias feridas emocionais e mentais e pela sua cura.
Nome -----------------------------------------------------------------------------------------------------
Endereço Postal -------------------------------------------------------------------------------------------
E-mail -----------------------------------------------------------------------------------------------------
Tel. --------------------------------------------------------------------------------------------------------
Assinatura -------------------------------------------------------------------------------------------------
Data -------------------------------------------------------------------------------------------------------

Para ajudar a concretizar a Visão MãeMundo já criei/planeio criar ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Agradece-se o favor de enviar compromisso e projetos para:
Glastonbury Goddess Temple, 2-4 High St, Glastonbury BA6 9DU

Todos os nomes e compromissos ficarão registados.

 (Tradução do original inglês por Luiza Frazão)





domingo, 28 de abril de 2013

HELENA DOS CAMINHOS

Uma divindade de Beltane



A Deusa-Veado
Enquanto estudava sobre Elen of the Trackways, ou Elen of the Ways, lembrei-me de escrever no motor de busca "Senhora dos Caminhos", já que temos tantas Senhoras... E não é que havia mesmo!?... são muitas estão por todo o território...

Esta imagem é de uma capelinha que existe na Batalha, mais ou menos atrás mosteiro. As flores colocadas na grade da porta dizem-nos que este culto continua vivo entre nós...

Trata-se duma divindade complexa e fascinante, muito antiga, também uma Green Woman, cujo equivalente masculino é o Green Man. 

E também temos uma Senhora dos Verdes!... E o mais interessante é que pelo menos uma capela da Senhora dos Caminhos foi construída sobre uma outra que já existia no local e que era dedicada à... Senhora dos Verdes!...

Até Camões A conhecia e Lhe dedicou estes versos:

Se Helena apartar
 do campo seus olhos,
 nascerão abrolhos.

A verdura amena,
 gados que paceis,
 sabei que a deveis
 aos olhos d' Helena.
 Os ventos serena,
 faz flores d' abrolhos
 o ar de seus olhos.

 Faz serras floridas,
 faz claras as fontes...
 Se isto faz nos montes,
 que fará nas vidas?

 Trá-las suspendidas,
 como ervas em molhos,
 na luz de seus olhos.
 Os corações prende
 com graça inumana;
 de cada pestana
 uma alma lhe pende.
 Amor se lhe rende
 e, posto em giolhos,
 pasma nos seus olhos.







Elen protege as Linhas Ley por onde circula a energia da terra e os Seus caminhos podem conduzir-nos até às estrelas... 

Para ler sobre Elen of the Trackways (embora a Sua grande especialista seja Caroline Wise, aqui também referida):

http://mommawhitecougar.webs.com/elenoftheways.htm

sexta-feira, 29 de março de 2013

QUEM É ESTA MULHER?

Para compreendermos quem são de facto as nossas Deusas estou convencida de que precisamos de ir à cultura para onde, segundo algumas pessoas entendidas, Elas terão sido levadas. Lá, a influência da Igreja Católica parece não ter sido tão drástica; lá o Paganismo nunca de facto terá acabado; lá, elas puderam conservar melhor a sua pureza original, não tendo sido tão amputadas dos seus elementos femininos e formatadas pelo Catolicismo. Aqui, a energia das Deusas convergiu toda para as Santas e sobretudo para a Virgem Maria com os seus vários atributos que depois desembocaram em funções específicas, mas posta completamente ao serviço do projeto patriarcal, reduzida a Mãe "sofredora e misericordiosa". Quando digo que "toda" a energia das antigas deusas foi assimilada pelo projeto patriarcal, não será exato, convergiu aquela que se podia adequar, a outra foi simplesmente banida, diabolizada...


Sabemos pois que as mais importantes divindades cultuadas outrora pelo Paganismo foram assimiladas pela Igreja Católica, ou por ela diabolizadas, e que as santinhas mártires e as Nossas Senhoras guardam essa energia antiga. O que lhes aconteceu, porém, foi levarem um tal verniz neutralizador ou inibidor que dificilmente reconhecemos mais as poderosas forças de outrora debaixo do uniforme da mártir com a sua palma na mão (símbolo trazido da divindade grega Niké) ou o manto da Senhora, que apenas parece ser sensível à nossa dor de “degradad@s”, nada mais. Sofrer o mais resignadamente possível ("porque Jesus também sofreu e cala-te) para depois ganhares o céu, tal é resumindo e concluindo o programa dos patriarcas católicos.

ENCONTRAR O NORTE

Lá mais para o Norte, as coisas conseguiram sobreviver melhor, ou assim parece, apesar de também muito destruídas pela mesma ideologia, e conseguiram-no sobretudo graças ao amoroso labor de poetas e visionári@s, daquelas e daqueles que nunca se deixaram cortar nem da Natureza nem dum fundo cultural muito antigo cuja magia continuou a verter jorros de inspiração sobre as suas almas . Também aqui houve e há disso, só que a tendência é para remetermos para as prateleiras do fundo da nossa estante ou para os bancos da escola o que nos contam @s noss@s bardos, que até sabemos serem do mais requintado, mas… outras vozes entretanto se levantaram…
     
Estou em crer que nós aqui precisamos agora de lá ir ver o que elas e eles têm para podermos dar sentido ao muito que também ainda podemos desenterrar



sob camadas e camadas de condicionamento eclesiástico. Como entender, por exemplo, uma Santa como Iria que na sua iconografia, na aldeia da Torre (outrora da Magueixa) exibe na mão esquerda uma “panela de manteiga”, ou como devolver de novo à vida a instituição das oito irmãs de santa Quitéria, que com Ela fazem nove, a menos que se conheça, por exemplo, o trabalho do escocês Stuart McHardy (The Quest for the Nine Maidens) e o de Kathy Jones sobre as nove Morgens que regem a Ilha Encantada de Avalon?

©Luiza Frazão

terça-feira, 26 de março de 2013

VIVER NUMA SOCIEDADE MATRIARCAL


A Carol Christ publicou ontem no site Feminism and Religion um artigo sobre as sociedades matriarcais e com isso simplificou-me a vida porque, tendo o nosso Jardim das Hespérides sido uma sociedade desse tipo, era minha intenção escrever sobre o tema, mas o que ela diz está tão bem dito que me limitei a traduzir o texto. Acho muito importante percebermos que outro tipo de sociedade é possível se o sonharmos e o construirmos em conjunto... afinal é isto a Nova Terra...


Como seria viver em paz numa sociedade matriarcal? Podemos imaginar?

Por Carol P. Christ
25 de março 2013

Existem muitas razões para as mulheres, os escravos e os pobres se revoltarem contra autoridades injustas em sociedades de tipo patriarcal. Mas entretanto não devemos assumir que haja razões para a revolta contra a dominação quando ela não existe, nem para nos revoltarmos contra autoridades injustas em sociedades onde elas não existem.

Em resposta à minha série recente de textos sobre o patriarcado enquanto sistema de dominação criado pela interseção do controlo da sexualidade feminina, com o sistema da propriedade privada e a guerra (Parte 1, Parte 2, Parte 3), várias pessoas me perguntaram se existe alguma forma de injustiça inerente a uma sociedade de tipo matriarcal que possa ter dado origem à criação do patriarcado pelos homens como expressão da sua revolta.

A ideia por detrás desta questão é que se as mulheres são dominadas pelos homens nas sociedades patriarcais, então os homens também foram dominados pelas mulheres nas sociedades pré-patriarcais. Implícita nesta questão está a ideia de que deve ter havido uma “boa razão” para o desenvolvimento do patriarcado. A ideia de que na origem não houve qualquer “boa razão” para a existência do patriarcado – caso “boa” signifique justa – é simplesmente demasiado dolorosa para poder ser considerada por muit@s de nós.

O elo perdido nesta questão é a nossa incapacidade de imaginarmos sociedades sem dominação.

Segundo Heidi Goettner-Abendroth, “sociedades matriarcais” são “sociedades pacíficas” nas quais nenhum dos géneros domina o outro.

As sociedades matriarcais têm 4 características em comum:

1)      Praticam agricultura em pequena escala e conseguem a igualdade através da dádiva transformada em hábito social.

2)      São igualitárias, matrilocais e matrilineares. Mulheres e homens são definid@s pela sua conexão com o clã materno que possui a terra em comum.

3)      Têm sistemas bem desenvolvidos de obtenção de consenso nas tomadas de decisão, que garantem que todas as opiniões sejam tidas em consideração.

4)      Respeitam princípios como o amor, o cuidado com as outras pessoas, a generosidade, os quais associam à ideia de maternidade e que ambos os géneros são ensinados a manifestar. Veem frequentemente a Terra como a Grande Mãe.

Como seria viver numa sociedade pacífica, “matriarcal”?

Enquanto crianças, não teríamos de lutar com as nossas irmãs e os nossos irmãos pela atenção da nossa mãe ou do nosso pai. Tanto as raparigas como os rapazes receberiam o mesmo amor e atenção da parte das mães, avós e ti@s. tanto as raparigas como os rapazes teriam a certeza de sempre terem lugar no clã materno. Tanto enquanto rapaz como enquanto rapariga nunca teríamos de nos “separar de” nem de rejeitar a nossa mãe para “fazermos a experiência de nós enquanto indivíduos” nem para “crescermos”.

Poderíamos crescer sem necessidade de romper os laços com as pessoas que primeiro nos amaram e cuidaram de nós.  
Seríamos criad@s numa família alargada com irmãs, irmãos e prim@s, tod@s considerad@s noss@s irmãs e irmãos. Nunca nos sentiríamos sós. Nunca nos ensinariam a competir com as nossas irmãs e irmãos. Nunca nos atacaríamos entre nós porque comportamentos violentos não seriam apropriados dentro da família.

Quando chegássemos à idade de ter sexo, poderíamos ter todo o sexo que nos apetecesse. Ser-nos-ia ensinado que sexo é algo alegre e prazenteiro. Quando os casais já não sentissem atração mútua, facilmente separar-se-iam e encontrariam outras pessoas.

Não haveria razão para as famílias se preocuparem com o interesse das crianças pelo sexo. Como todas as crianças têm uma mãe e todas as mães têm casa no clã materno, não haveria crianças “ilegítimas”, “bastardas”, “mulheres perdidas”, “vadias” ou prostitutas. Como o sexo seria livre, a prostituição não faria qualquer sentido.

As crianças nascidas dessas relações teriam sempre um lar no clã da sua família materna. As mães seriam ajudadas na educação das crianças pelas suas irmãs e irmãos, pelas mães e avós, tias e tios. Uma jovem grávida ou com uma criança pequena nunca seria rejeitada nem “entregue à sua sorte”.

Com tanta ajuda, as mulheres poderiam trabalhar “fora de casa” nos campos comunitários juntamente com as suas e os seus parentes. Uma mãe nunca ficaria “confinada” ou “fechada” com as crianças. “O problema d@s sem nome” descrito por Betty Friedan não se poria. Mães que não se sentiriam sozinhas, nem oprimidas, não sentiriam qualquer necessidade de “fazerem as suas filhas e filhos pagarem” pela sua infelicidade.

Um jovem não teria a obrigação de “prover” ao sustento das crianças, uma vez que isso seria da responsabilidade do clã materno. Um jovem contribuiria para o seu próprio clã e ajudaria as suas irmãs e primas a cuidar das suas crianças. Estas crianças vê-lo-iam como o seu “modelo de masculinidade”. Os homens trabalhariam com as mães e as irmãs nos campos, em projetos de construção ou comércio com outros clãs.

Quer fossemos rapazes ou raparigas, homens ou mulheres, teríamos sempre a certeza de sermos amad@s, pois seríamos ensinad@s a amar e a cuidar das outras pessoas. Não seriamos ensinad@s a competir, enganar ou cumular para nós propri@s. Caso tivéssemos uma habilidade especial, seríamos encorajad@s a desenvolvê-la, mas nunca a pensarmos que isso nos tornaria superiores a qualquer outra pessoa.

Tanto enquanto rapazes como enquanto raparigas, seríamos ensinad@s a respeitar as pessoas de idade, em particular as avós e os avôs. Isto não significa que estas pessoas tomariam o poder sobre nós, porque os clãs teriam sistemas democráticos bem desenvolvidos de forma a obter consensos que permitiriam a qualquer voz ser ouvida antes da tomada de decisões importantes.

Seguramente que haveria conflitos, ciúmes e desentendimentos em sociedades pacíficas, mas quando os conflitos ocorressem, não seriam resolvidos pela força porque a todas as pessoas teria sido ensinado que a partilha e a generosidade de espírito são as melhores formas de resolver conflitos.

Sociedades pacíficas estão tão longe daquela em que vivemos e são estranhamente tão atraentes, que muitas pessoas julgam que elas nunca existiram. No entanto, sociedades pacíficas existiram em todos os continentes do planeta e existem ainda hoje em dia em vários níveis entre os povos Iroquois, os Zapotecas, os Kuna, os Shipibo, os Samoans, os Asante, os Khoisan, os Tuaregs, os Berberes, os Kasai, os Minangkabau, os Mosuo e outros.

Não sei o que acham, mas quanto a mim, eu adoraria viver numa sociedade assim. Se procuramos “razões para” a existência do patriarcado, não creio que a infelicidade dos homens em tais sistemas fosse uma delas. Tanto os rapazes como os homens são amados, honrados e muito considerados. Eles não têm de lutar, de ir à guerra, para se afirmarem e têm todo o sexo que querem, portanto assumo que sejam extremamente felizes.

Adoro imaginar todas as pessoas da terra a viverem em sociedades pacíficas onde os valores do amor, da partilha e da generosidade são considerados os mais importantes. A “idade de ouro” não tem de ser uma ideia do passado. Sonho com a possibilidade dela ser o nosso futuro.

Carol Christ
Traduzido por Luiza Frazão


Imagem: mulheres do povo Mosuo (Google)

terça-feira, 5 de março de 2013

A VISÃO DO JARDIM DAS HESPÉRIDES




O Templo da Deusa do Jardim das Hespérides foi criado em fevereiro de 2013, dentro da energia do Imbolc, do acordar da Deusa Menina, tendo sido concebido durante a minha formação como sacerdotisa de Avalon. Com efeito o contacto que vou fazendo com a visão de Kathy Jones, fundadora do Templo da Deusa de Glastonbury/Avalon, e o resultado das minhas pesquisas no território e na tradição nacional sobre o Divino Feminino levaram-me a concluir que uma dimensão mítica existe no nosso território, à semelhança da Ilha de Avalon, igualmente governada por nove entidades ou princípios femininos, que aqui se chamam Hespérides e lá Morgens. Cotejando as duas tradições, a portuguesa e a britânica, verificamos que as semelhanças são tão evidentes que facilmente aceitamos teorias que postulam ter havido há milénios a partilha dum mesmo fundo cultural céltico.

Esta certeza levou-me a conceber uma Roda do Ano da Deusa nossa, dentro da estrutura criada por Kathy Jones em Glastonbury/Avalon, embora adaptada à nossa realidade. Tal Roda encontra-se em fase de elaboração. Ela pretende ser flexível, aberta a que novas entidades entrem e a que porventura outras mudem de lugar, dentro da dança leve, criativa e flexível da Deusa, bem diferente do dogma patriarcal, rígido e estático. O nosso afastamento da Natureza torna entretanto difícil a conexão com a energia das aves da Deusa do nosso território, por exemplo, embora a tradição tenha guardado algum desse conhecimento. O mesmo sucede com os outros animais sagrados, árvores e plantas. No entanto, considero vital para a nossa sobrevivência esta ressacralização da Natureza que a espiritualidade da Deusa desencadeia.

Criar este Templo implica cotejar duas tradições, a nossa e a britânica, que quiçá é herdeira da ibérica ou da do Arco Atlântico, segundo algumas correntes de investigação, mas que soube conservar melhor esses elementos e beneficiou na atualidade da visão e do empenho de mulheres como Marion Zimmer Bradley e Kathy Jones, entre várias outras. No nosso país, também há mulheres e homens que me inspiram, como Dalila Pereira da Costa, Fernanda Frazão e Gabriela Morais, para nomear apenas algumas, embora o seu propósito seja diferente do das nossas irmãs britânicas, mais académico do que devocional.

Considero pertinente fazer-se a aproximação das duas culturas, outrora comuns ou muito próximas. O nosso Jardim das Hespérides, uma bolsa remanescente da antiga sociedade matrifocal neolítica que aqui nesta ponta da Europa se manteve até muito tarde, foi uma sociedade pacífica e florescente, e segundo Dalila Pereira da Costa, daqui irradiou para o mundo. Ele está pronto a ser reivindicado e ancorado, adaptado à realidade e consciência atuais, amorosamente substituindo estruturas patriarcais caducas e agonizantes. Trata-se dum sonho que te convido a sonhares comigo, condição de sobrevivência no mundo atual.
Este Templo pretende ser pois fiel à cultura do chamado Arco Atlântico, que é a nossa tradição, porventura herdeira da tradição atlante, nos moldes em que Kathy Jones a trouxe até nós na atualidade, adaptando-se todavia à nossa realidade e mantendo-se aberta às infinitas possibilidades que a Deusa nos irá apresentando.

Ao ritmo possível, este Templo vai ganhando forma, e esta energia de transformação e de cura pelo empoderamento do Feminino vai ancorando na nossa realidade.

E para isso a tua colaboração é fundamental.

©Luiza Frazão


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

A INSPIRAÇÃO DE AVALON


"UMA VISÃO PARA TI

A DEUSA está viva em Glastonbury, visível para tod@s nós nas formas da Sua paisagem sagrada. Ela é suave como o arredondado dos montes do Seu corpo e doce como as flores das macieiras que crescem nos Seus pomares. Aqui sentimo-nos cada dia envolvidas pelo Seu amor e a Sua voz trazida pelo vento pode ouvir-se em permanência, o Seu sussurro atravessando as brumas de Avalon. Os Seus mistérios são tão profundos como o Caldeirão que  Ela mexe em permanência, conduzindo-nos até às Suas profundezas para depois nos elevar às Suas alturas. Ela é a nossa fonte, a nossa inspiração e o nosso Amor.

A nossa visão consiste em criarmos e mantermos um Templo da Deusa contemporâneo, aberto em permanência, dedicado à Deusa em Glastonbury e à sua contraparte fora desta dimensão, a Ilha de Avalon. O Templo da Deusa é um espaço sagrado aberto a tod@s, especialmente dedicado à descoberta e celebração do Feminino Divino. É um espaço sagrado onde podemos cultuar e honrar a Deusa de formas que podem ser antigas ou atuais e onde todo o tipo de amor por Ela é bem-vindo.


No Templo da Deusa de Glastonbury celebramos as Deusas que estão particularmente ligadas a Glastonbury e à Ilha de Avalon. Avalon é uma terra mágica onde a Deusa está presente desde tempos imemoriais. Trata-se dum lugar de mistério e imaginação, um lugar onde podemos deixar ir o que é velho e acolher o novo em nós, novas formas de sermos e de vivermos. A divindade primordial relacionada com Glastonbury é a Senhora de Avalon (que é Morgan la Fey), as Nove Morgens, Brigit ou Bridie da chama sagrada, Modron, Grande Mãe da linhagem de Avallach, Nossa Senhora Maria de Glastonbury (Our Lady Mary), a Anciã de Avalon, a Deusa do Tor, Senhora dos Montes Ocos (Hollow Hills), Senhora do Lago e Senhora das Fontes e Poços Sagrados.”


(Minha tradução livre)

Com estas palavras apresenta o Templo da Deusa de Glastonbury a sua visão e propósito no seu sítio da Net. São palavras que podemos aplicar aos propósitos do nosso Templo da Deusa do Jardim das Hespérides e de qualquer templo da Deusa que é urgente criarmos neste mundo de onde a Deusa primordial foi banida pela Sua incompatibilidade com propósitos patriarcais, entretanto em vias de nos destruírem enquanto civilização e planeta.

A nossa Avalon é o Jardim das Hespérides, espaço por excelência da Deusa Anciã, da Sábia Calaica-Beira, e de Ana, a Grande Mãe Ancestral, respiração espiritual desta terra. E das nossas Nove Irmãs, as Nove Hespérides que regem este espaço de uma outra dimensão como as Nove Morgens regem a Ilha de Avalon. Vão por certo dizer-me que as Hespérides não são nove, mas na verdade se o seu número varia de fonte para fonte, por que não considerar que também elas compõem aqui  aquele grupo primordial que o investigador Stuart MacHardy descobriu que existe espalhado pelos quatro cantos do mundo, as Nove Donzelas de que nos fala na obra “The Quest for the Nine Maidens”?

(Em outro post falarei sobre quem são estas entidades).

Se a Deusa está presente em Avalon desde tempos imemoriais, também aqui Ela se conservou no coração das mulheres, que deram à Virgem Maria e às inúmeras santas - a  forma que Grande Deusa teve de tomar para sobreviver ao Cristianismo - todos os atributos e qualidades das antigas Deusas, nem nos faltando os da Deusa da Sexualidade Sagrada, chamada aqui nada mais nada menos que Nossa Senhora dos Prazeres… Todo o nosso território está imbuído da Sua vibração, uns lugares é certo mais do que outros. Por todo o lado há capelinhas e capelas e igrejas - regra geral edificadas sobre locais outrora considerados sagrados pelo Paganismo - celebrando a Sua glória, a glória do Feminino Divino, e o Seu poder.

Pode parecer com isto que nos estamos a colar demasiado a uma tradição estrangeira, a uma tradição importada, mas a verdade é que, quando estudamos essa tradição, vemos que ela  tem muitas semelhanças com a nossa, dando razão às e aos investigador@s que defendem a Teoria da Continuidade Paleolítica, segundo a qual nós somos tão celtas como el@s, tendo  partilhado em tempos a mesma cultura, a do chamado Arco Atlântico, que compreende Portugal, Galiza, Bretanha francesa, Irlanda e Grã-Bretanha, e até que é possível que daqui ela tenha irradiado para o resto da Europa. Pelo menos… E não são apenas investigador@s nacionais a defender estas ideias...

©Luiza Frazão

Imagens Google



AS NOSSAS ÁRVORES SAGRADAS DA DEUSA

Árvores são seres magnificentes, autênticas unidades de apoio à vida, se as quisermos ver apenas dum ponto de vista utilitário, e sacralizar cada elemento da Natureza, toda a Natureza, é a forma mais eficaz de a protegermos.


Sempre senti um profundo respeito e amor por elas, por árvores como o Carvalho que se despiam no outono e reverdeciam na primavera com as suas folhinhas tenras cheias de promessas de dias de sol e de calor, no meio das quais, nas braçadas mais à mão, colhíamos pequeninas bagas verdes ou avermelhadas, meias translúcidas, que desfazíamos com os dentes, sentindo na boca uma frescura deliciosa com um travo meio ácido. Naquele tempo, amávamos a natureza com todos os nossos sentidos, incluindo o gosto… trincávamos, sorvíamos, comíamos imensas coisas, entre flores, caules, bolbos e claro os frutos. Cada coisa na sua época própria, não havia outra hipótese, e tudo produzido no lugar onde vivíamos, de preferência no quintal ou nas imediações da nossa casa.

Amava a Oliveira, um ser tão familiar e generoso, de quem se cuidava com grande reverência porque nos dava tanta coisa, e tudo do mais precioso, como as azeitonas e o azeite e a lenha para a lareira. E sabe a Deusa para quantos fins o azeite servia. Mas não se ficava por aqui, a Oliveira. Ela era uma árvore de cura. E é, claro. Pelo tronco naturalmente fendido de uma Oliveira passava-se uma criança doente (não sei muito bem qual era o problema, mas era um mal específico), num ritual em que participava uma rapariga de nome Maria e um rapaz que se chamasse João… E sei agora que as suas folhas também têm grandes propriedades terapêuticas.

Também alguém me contou que na sua aldeia da Região Centro até há relativamente poucas décadas era uso pela Candelária fazer fritos, em azeite claro, oferecendo-se depois um a cada pé de Oliveira que se possuísse. São reminiscências do culto das árvores, da Oliveira no caso, e tornam-na sem dúvida alguma a nossa árvore sagrada do Imbolc. Até porque uma das Nossas Senhoras associadas a esta festividade é a da Oliveira.

Tem sido um fascínio perceber, sentir, intuir quais são as nossas outras árvores sagradas de cada uma das festividades da Roda da Deusa das Hespérides...

 © Luiza Frazão
Imagens: fotos que fiz durante uma visita aos Olhos de Águra do Alviela, num olival tão antigo e poderoso...

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Um Templo da Deusa no Jardim das Hespérides



A terra que habitamos, à semelhança da Ilha Encantada de Avalon, possui uma dimensão mítica. Trata-se do Jardim das Hespérides, esse reino de mulheres poderosas do qual encontramos eco, por exemplo, na obra de Dalila Pereira da Costa, Da Serpente à Imaculada.

As Hespérides são as Irmãs do Poente que vivem nas margens do grande Rio Oceano, herdeiras da antiga sabedoria da Atlântida. À semelhança das Irmãs de Avalon, as nove Morgens, também elas vivem numa terra de Maçãs, as Maçãs de Ouro da Imortalidade. Senhoras de um dos últimos redutos matriarcais, ao qual pôs termo Hércules, o herói patriarcal, destruidor da antiga ordem pacífica, igualitária e sustentável, centrada nos valores da Mãe…

O Templo das Hespérides, as Irmãs do Poente, inspirado no Templo da Deusa de Glastonbury, é um projeto em incubação, lentamente ancorando na nossa realidade. Enquanto não se manifesta completamente no plano físico, ele é virtual, manifestando-se em alguns espaços onde decorrerão cerimónias e outros trabalhos, que marcarão o ritmo da Roda do Ano das Hespérides e serão portais para e o ancoramento da energia da Deusa.

 É ambição deste templo ir mais longe, congregando mulheres e homens que se sintam em sintonia com a Sacerdotisa ou o Sacerdote da Deusa em si, criando uma teia de suporte da vida, de condições para a criação duma verdadeira irmandade do coração com eficácia na vida prática.

Formação de Sacerdotisas da Deusa do Jardim das Hespérides - opinião das formandas

Após completarem a primeira Espiral, algumas das formandas disseram: “Profundamente transformador, com ênfase em exercícios práticos...