A Ilha mágica é como um jardim rodeado de água. No seu centro a árvore e a fonte da vida… Mitos e lendas falam-nos desses jardins frondosos, das suas árvores em flor, dos seus pomares de macieiras. Nas histórias do mundo inteiro, tais paraísos situam-se no Oeste.
The Language of Ma, Annine Van der Meer
A quarta edição da Conferência da Deusa Portugal realizou-se
entre 8 e 10 de Maio, desta vez dedicada à Mãe das Águas. Por essa razão
escolhemos a Foz do Arelho, onde as águas doces da Lagoa de Óbidos, alimentadas
pelos rios Arnóia, Real e da Cal, se abrem ao mar e com ele comunicam. Foi
tendo esta paisagem aquática como pano de fundo que, nas instalações do INATEL,
realizámos o nosso evento, após dois intensos anos de preparação.
Contámos, como sempre, com dois grupos de serviço: oito
Sacerdotisas e um Sacerdote cerimonialistas, e nove Sacerdotisas do
Círculo. Tivemos ainda o precioso apoio de seis melissas e a participação de
inúmeras pessoas que encheram o Salão Atlântico de presença, entusiasmo e
devoção.
Entre as nossas convidadas estiveram Kathy Jones, Angie
Twydall, Amanda Baker, Sandra Evers, Yeshe Matthews, Annwyn Avalon, Luísa
Borges, Filipa Faustino — que, além de Sacerdotisa, apresentou também uma
palestra —, Ouassima Israe, Sara Ramadoro, Tara Chantelle Gomez, Elaine Wattam
e Cristina Moreira. Contámos igualmente com a presença de Angel Roda Saucco,
Sacerdote que nos falou de Noctiluca, Deusa da Lua, e da sua gruta-templo em
Málaga. Entre os palestrantes estiveram ainda Laura Ghianda, Filipa Faustino,
Angel Roda Saucco e eu própria. As Sacerdotisas cerimonialistas Juliana Di
Avalon e Alice Campos dinamizaram também diversos workshops.
O tema do primeiro dia foram os rios de Nábia. Na cerimónia
de abertura invocámos as bênçãos das Senhoras dos Grandes Rios de cada uma das
direcções, com as quais cada cerimonialista se havia conectado ao longo dos
meses de preparação. Pequenas amostras das suas águas, pedras, limos e areias
constituíam os tesouros que trouxemos para os altares direccionais.
Entre os rios escolhidos encontravam-se o das Maçãs, o Dão,
o Douro, o Sado, o Mondego e o Guadiana. Mas também o Boyne, na Irlanda (evocando
a nossa Ribeira de Boina do Algarve), de onde veio a Sacerdotisa Juliana Di
Avalon; o Manzanares, de Madrid, cidade natal de Angel Roda Saucco/Saucco de
Trivia; e o Larganza, de Itália, país de origem da Sacerdotisa Laura Ghianda.
Cada um deles com as suas Deusas e Ninfas, os seus poderes e a sua magia.
Evocámos a nossa tradição utilizando cântaros de barro
antigos, dos quais pendiam longas tiras de seda azul simbolizando a corrente
dessas águas, estendendo-se desde o centro da sala até aos respectivos altares
direccionais. No centro, um grande cálice acolhia as águas que cada
participante havia sido convidada a trazer consigo, solenemente transportadas
na sua “barca”, para oferecer a Cale das Águas.
No final da cerimónia, oferecemos a mistura de todas essas
águas a Tétis, Deusa do Mar da nossa Roda, e entregámos a cada participante um
pequeno frasco como lembrança e talismã. A bela música que acompanhou as nossas
cerimónias foi criada especialmente para a ocasião por Ana Catarina Rosalys.
Logo após a cerimónia de abertura seguiram-se as primeiras
palestras. A minha teve como tema os “Rios do Paraíso”, inspirada nos mistérios
do Alva e do Alvoco, nas margens dos quais se encontram três sítios das Nove
Irmãs. Num deles encontra-se a Pedra da Cabeça da Velha e, não muito longe, um
par de chifres em granito que evocam os famosos Chifres da Consagração
cretenses, símbolo religioso fundamental da civilização minoica, associado ao
carácter sagrado dos lugares, à fertilidade e à Grande Deusa. De resto, toda a
serra parece guardar ecos desse simbolismo, desde a estrela que lhe deu o nome
— Aldebarã, o Olho do Touro — até às associações possíveis com a constelação de
Touro, Vénus e as Plêiades, as próprias Irmãs.
Seguiram-se outras comunicações de grande interesse,
conforme se pode constatar pelo programa da Conferência.
Uma apresentação de belas vestes cerimoniais criadas pela
Sacerdotisa do Círculo Sandra Marques e apresentadas por Alenka encerrou os
trabalhos do primeiro dia.
O segundo dia foi dedicado à cura e às águas profundas.
Invocámos as Senhoras do Grande Lago de cada uma das direcções, pedindo-Lhes
cura para as nossas emoções mais densas. No centro do salão recriámos o
ambiente da gruta, onde cada participante foi acolhida numa cerimónia de cura
profunda, significativa e comovente.
Seguiram-se palestras de Sara Ramadoro, Angel Roda Saucco,
Annwyn Avalon e Yeshe Matthews. Depois, Kathy Jones e Angie Twydall
conduziram-nos em dinâmicas de cura das nossas águas uterinas e das nossas
águas mais tóxicas.
Ao longo da tarde realizou-se uma selecção de excelentes
workshops e, ao serão, no Coração dos Mistérios, teve lugar a cerimónia de
incorporação da Deusa. Acompanhada pelas Sacerdotisas do Círculo e pelas taças
tibetanas tocadas por Nadine Santos, criou-se uma atmosfera perfeita para uma
ocasião tão especial e sagrada.
No domingo, o dia começou com uma pequena cerimónia de
junção, no grande cálice central, das águas trazidas de alguns dos mais míticos
rios portugueses, incluindo até o Nilo. Em seguida saímos em procissão pelo
extenso areal da Foz do Arelho, junto à Lagoa, até alcançarmos o grande
Atlântico.
Ali invocámos as Deusas das Águas e da Lua — Tétis, Nábia,
Marinha, Maria, Cynthia, Selene, Diana e muitas outras — oferecendo-Lhes o som
dos tambores e das maracas, as nossas vozes, pétalas de rosas, a mistura das
águas trazidas por todos os participantes e também as toxinas emocionais que
haviam sido deixadas na gruta recriada na cerimónia do dia anterior.
Foi um dos momentos mais elevados de todo o evento. Estarmos
juntas e juntos na Sua natureza, junto das Suas águas oceânicas, que pareciam
revelar-se a cada instante mais intensas, misteriosas, vivas e poderosas,
constituiu uma experiência profundamente tocante. Antes de partirmos,
escrevemos na areia palavras de amor e gratidão pelas águas da Vida.
À tarde, tivemos o imenso prazer de apresentar a edição
portuguesa do livro de Kathy Jones, Sacerdotisa de Avalon, Sacerdotisa da
Deusa, traduzido por mim e publicado pela Associação Cultural Jardim das
Hespérides. Foi sem dúvida uma grande honra termos tido connosco a autora, a
Sacerdotisa que iniciou este caminho de devoção à Deusa, que criou a
Conferência e o Templo da Deusa de Glastonbury, que abriu caminhos tão belos e
significativos para o nosso tempo.
O programa era tão rico que ainda tivemos mais palestras.
Cristina Moreira apresentou-nos um fascinante trabalho de investigação sobre as
chamadas Águas Santas de Portugal, ou águas tradicionalmente consideradas
curativas, cruzando folclore e ciência e revelando conclusões preciosas acerca
do poder terapêutico das águas e da intuição popular para o reconhecer e dele
beneficiar.
Ainda no domingo, Marcelle Bottini realizou a sua bela
cerimónia No Coração da Rosa. Laura Ghianda, autora de Introduzione alla
Teasofia – La Dea oltre i Dualismi (Introdução à Teasofia — A Deusa para
Além dos Dualismos), trouxe-nos uma perspectiva original sobre a Deusa,
entendida não como uma nova religião nem como uma tentativa de restaurar um
passado matriarcal idealizado, mas antes como uma matriz simbólica e espiritual
capaz de transcender os dualismos que estruturam o pensamento ocidental e de
inspirar um novo humanismo.
Na verdade, o nosso evento foi tão rico em cerimónias e
vivências quanto em ensinamentos, partilhados por palestrantes excepcionais,
sábias, inspiradas e profundamente inspiradoras. Algumas trouxeram-nos
investigações particularmente originais, como as Sacerdotisas em acção na
região de Manchester, dedicadas a uma tradição da Deusa inspirada no antigo
Mamucium, nome romano da cidade. A partir da memória da paisagem, do rio e das
antigas raízes do lugar, construíram uma prática espiritual viva e profundamente
enraizada na comunidade local, falando-nos também do seu importante trabalho
junto das populações mais desfavorecidas e marginalizadas.
E tudo isso nos foi possível ouvir e compreender em
português e em inglês graças à nossa fantástica e incansável tradutora, Joana
Nobre, já bem conhecida do público que acompanha regularmente o nosso evento.
Criar esta Conferência é sempre um enorme desafio.
Felizmente, a Deusa tem-nos trazido as pessoas certas. Uma das grandes alegrias
desta fase da minha vida é precisamente este trabalho voluntário de entrega,
criatividade e parceria, em que os sonhos ganham forma e a imaginação encontra
espaço para florescer, inclusive nas artistas plásticas, como Antonieta Silvino
(autora da Senhora das Águas do altar principal); Cristina Grumete, a nossa
Melissa Mãe; Célia Reis e na cantora e compositora Ana Catarina, que nos
oferecem com tanta generosidade os dons do seu talento.
Tudo isto é feito por amor a uma causa maior, que tanto nos
entusiasma e que tanta alegria, amizade e coesão nos traz.
E já sonhamos com 2028, quando honraremos a Deusa como a
Grande Mãe Criadora no festival das primeiras colheitas.
Sabias que uma das invocações da face da Deusa de Beltane é Senhora das Flores?
As flores são, como sabes, os órgãos sexuais das plantas, puras manifestações da beleza e sabedoria divinas e têm um grande poder, magia e capacidade de cura para nos oferecerem. Como nos diz a autora do livro A Magia das Flores, Tess Whitehurst, elas situam-se na fronteira entre o visível e o invisível, mais perto do reino etérico da energia pura e por isso permitem-nos ver o coração da verdade. Se nos sintonizarmos com as suas vibrações únicas, podemos melhorar muito a nossa saúde e vitalidade, poder e sucesso pessoal. Temos a aromaterapia e os florais de Bach, por exemplo, para o atestarem.
Na verdade elas tanto podem servir como terapeutas como como perfeitas e maravilhosas emissárias do poder da Deusa, por isso a Senhora das Flores é tão importante e será honrada na nossa Conferência da Deusa, entre 10 e 12 de Maio de 2024.
Sem dúvida que quanto mais reconhecemos este poder inefável das flores mais paz e harmonia e alma trazemos ao mundo.
Na nossa cultura existe uma rainha que realizou o célebre Milagre das Rosas. Foi Isabel de Aragão, mais conhecida como a Rainha Santa Isabel (1270-1336), mas parece que outras santas e rainhas realizaram o mesmo, inclusive uma sua tia na Hungria.
Seja como for, desta história existe uma parte que não parece ser vista nem interessar: a proibição do Rei, em relação à Rainha, de esta exercer a caridade. Esta foi a real causa do milagre: esconder do Rei, no caso Dinis, as suas acções em prol das pessoas pobres e esfomeadas, já que o que ela transformou em rosas foi o próprio pão que lhes mataria a fome naquele dia… Esta é a parte do milagre que não se conta, mas que deveria causar-nos indignação, é que, mesmo sendo Isabel de Aragão rainha, e por isso mesmo possuidora de riqueza própria, ela não podia fazer o que queria com o seu dinheiro…
As flores têm destas coisas, um lado sombra… Muitas vezes também são conectadas com futilidade, superficialidade, vaidade, ou desempoderamento… Invocando aspectos sombra do feminino que podem levar-nos até à própria história da Deusa celta Blodeuwedd, a Deusa feita de flores… um pouco como Eva foi feita para Adão… Só que Blodeuwedd se libertou ao apaixonar-se pelo eleito do seu coração… Foi entretanto amaldiçoada até as mulheres da Deusa se terem identificado com o seu destino e reconhecido o seu antigo poder quando se transformou numa coruja, ou mocho, qualquer uma delas muito sagrada da Deusa…
Em Portugal, existem templos cristãos à Senhora das Flores em, pelo menos, Travanca e em Oliveira de Azeméis.
Imagens: Milagre das Rosas, pintor André Gonçalves, 1735
Na nossa próxima Conferência da Deusa Portugal, que acontecerá entre 10 e 12 de Maio de 2024, vamos celebrar a Deusa Amante e a energia de Beltane.
Nesse festival, na nossa Roda do Ano da Deusa, está em honra Iccona Loimina, a Deusa Égua,
a Égua branca, à semelhança de Epona, de Rhiannon ou Rigantona, cujo nome
significa Grande Rainha. Ela é uma das nossas Deusas de Beltane, Deusa da
Soberania da terra, da Fertilidade, da Sensualidade e da Sexualidade. Na Sua
zoofania da Égua, ela representa a nossa natureza selvagem e indomável de
mulheres. Ela é ainda uma Deusa psicopompa, Aquela que cavalga entre mundos,
que, tal como Rhiannon, conduz a alma na sua última viagem até ao outro mundo.
Na verdade, com a Deusa do Amor e da Sexualidade tanto vamos ao inframundo,
onde enfrentamos a dor da perda das nossas ilusões amorosas, como aos céus em
fantásticas experiências, que podem ser de fusão com a pessoa que amamos e com
quem podemos vislumbrar as estrelas em orgasmos de cósmica dimensão.
Lugares da Deusa ICCONA LOIMINA
Uma referência à Deusa Iccona Loimina, uma oferta feita a
esta Deusa, é mencionada na famosa inscrição do Cabeço de Fráguas, um dos Seus
sítios de poder, portanto, que precisamente fica situado no lugar de Cabeço da
Senhora dos Prazeres, freguesia de Benespera, concelho da Guarda.
(Fonte: A Deusa do Jardim das Hespérides, Luiza Frazão)
Iccona-Loimina segundo a academia
“São diversas as interpretações sugeridas pelos distintos
investigadores que se dedicaram ao estudo do teónimo. J. Gil143; D. Maggi144;
Witczark145 e Blanca María Prósper146, em exemplo,
propõem a correspondência entre Iccona e a divindade céltica Epona, conhecida em
outras regiões peninsulares. A relação que se estabelece no contexto religioso
indoeuropeu entre divindades hipomórficas e atributos ligados à fecundidade é
manifesta147, podendo, por conseguinte, sugerir uma relação entre Iccona e uma
função ligada à fertilidade, justificando-se assim a oferta que lhe é prestada,
em Cabeço das Fráguas, de um animal prenhe148.”
Diz-nos Daniela F. de Freitas Ferreira, em Memória
Colectiva e Formas de Representação do (Espaço) Religioso, Faculdade de
Letras da Universidade do Porto
Mas a partir daqui as dúvidas da autora desta tese académica
são variadas e ela acaba por pôr em causa a relação que Blanca María Prósper estabelece
entre Iccona e Epona…
Porém, numa recente pesquisa online acabei por encontrar um
comentário muito interessante e válido dum investigador espanhol.
Eis o comentário e o pequeno diálogo que estabeleci com o seu
autor:
Javier T. Rios - “No debería llamarse * ekwona , dado que
los céltiberos eran celtas-q y no celtas-p? Creo que la forma "epona"
está atestiguada en galo, está esta forma con "p" atestiguada en la
península ibérica?” (Não deveria ser chamada de *ekwona, já que os
celtiberos eram celtas-q e não celtas-p? Acho que a forma "epona" é
atestada em gaulês, essa forma com "p" é atestada na Península
Ibérica?)
Eu - Em Portugal existe uma inscrição a Iccona (Iccona Loimina),
em Cabeço de Fráguas, distrito da Guarda, que algumas pessoas creem que poderá estar
relacionada con Epona.
JTR – Obrigado pela informação.
Lembrando de resto que o cavalo pertence à família dos equídeos.
Sobre Epona
“Eu invoco Aquela que é o livre empoderamento e manifestação
da terra sagrada, o ponto imóvel dentro do movimento, a batida do coração da
Terra e a batida do casco do coração.
Amada Epona; Deusa Cavalo da soberania e liderança, da
resistência, iniciação e capacitação.
Senhora Liminal, Criadora Cósmica de todas as jornadas,
incluindo aquelas através dos véus da morte e do renascimento, pois Teu é o
útero-túmulo da criação e da destruição.
Grande Deusa, Rainha Soberana da sexualidade, da transformação,
da alegria abundante e da liberdade, vem falar-nos dos Teus caminhos para que
possamos conhecer-Te."
"A Deusa europeia Epona, uma Deusa central, definidora e
unificadora da cultura e dos povos celtas, é um nome de origem gaulesa para a
antiga Deusa Cavalo das e dos nossos ancestrais da Idade da Pedra e do Bronze.
Eles A viam como a Grande Mãe liminar, o ventre-túmulo da vida, morte e
renascimento, e como sua Rainha Soberana, não limitada às terras tribais
imediatas, mas como a fonte, ou Deusa, da Soberania sobre um território muito
maior.
Muito antes de Ela receber a forma humana, as culturas
xamânicas europeias reconheceram a Sua forma de equídeo ctónica (= da terra)
como mágica. Capaz de cruzar e transcender os limites de lugar e espaço, de
diferentes dimensões, Ela tornou-se a guia através dos portais entre reinos ou
mundos.
O cavalo como símbolo era emblemático da Deusa do útero-túmulo
e da Sua sabedoria. Ela é a Mãe fértil, constante como o Sol e a Terra,
formando e dando à luz a totalidade da vida, nutrindo e provendo, com uma
abundância proveniente do submundo, que faz parte do Seu reino, parte de Seu
grande ciclo de vida, morte e renascimento. Ela transportou-nos para, através
de e para fora do inframundo.
Na Velha Europa, a sua forma de casco crescente yónico foi
esculpida nas paredes da caverna deiniciação do parto para trazer proteção e
orientação. Ligada à lua e aos mistérios do sangue da fertilidade, nascimento e
morte, a Deusa Cavalo também foi associada às (nascimento)-águas da vida e como
guia para os mistérios e iniciações, para o bem-estar e maior integridade. Ela
era uma porta de entrada para os reinos ancestrais de onde a vida retornava,
pois novas plantas crescem a cada ano na terra após o fim do inverno. Ela
também estava ligada ao nascer do sol de inverno, a época do renascimento do
sol, que Ela, como Cavalo Solar, representava e ao mesmo tempo dava à luz.
Com o passar do tempo, as pessoas viram Epona como o Cavalo
Estelar das constelações que giram a grande roda do tempo. Ela se tornou a
Grande Deusa do cosmos e das estações, dos espaços liminares entre os reinos,
do poder, da virilidade e da fertilidade, das águas curativas das nascentes que
surgem do submundo, da iniciação, do sol e da abundância, da liberdade, da
honra, coragem, soberania e união sagrada.
A antiga Deusa Cavalo, no entanto, tinha uma natureza
andrógena: ela era vista como Égua Divina, Potro/criança Divina, bem como
Garanhão Divino. Continuando a partir da antiga visão de mundo centrada na
Deusa, o parente andrógino da Deusa Cavalo, que se tornou conhecido por nós
como Epona, se baseia na linha arcaica da mitologia, voltando ao mais antigo
relato escrito da Criação na antiga Suméria, que se tornou o práticas mitológicas
e rituais da União Divina.”
Fonte: Katinka Soetens (Sacerdotisa de Rhiannon)
Imagens:
1. Arte de EJ Lazenby http://www.animalfineart.co.uk/
2. Inscrição de Cabeço das Fráguas http://www.portugal2050.com/visite/guarda/cabe%C3%A7o_das_fr%C3%A1guas?p=49e3a0c5-fc0c-42d0-ae56-006df881c9f1&c=e9ceb0ed-af1e-4d6d-9f23-a81839e67213pona, 3o. séc. A.C., de Freyming (Moselle), França (Museu Lorrain, Nancy)
Esta Conferência, realizada entre 13 e 15 de Maio deste ano, foi a segunda do género, tendo a primeira tido lugar na mesma área de Sintra, Quinta dos Lobos, em Maio de 2019. Ficou estabelecido na altura que seria um evento bienal e que o seguinte seria em 2021, mas a pandemia trocou-nos as voltas e obrigou-nos a adiar até 2022. As circunstâncias continuavam desafiantes, mas mesmo assim em Janeiro decidimos prosseguir com a concretização do nosso projecto, fosse como fosse, e conseguimos. E tudo aconteceu como um milagre, um portal que se abriu por vontade e mão da Deusa, um céu que clareou. Justamente, porque em honra estavam as Deusas solares!...
Na véspera, conseguimos criar o Templo da Mãe do Fogo na quinta Ten Chi. Esvaziámos o espaço, lavámos, limpámos e enfeitámos com os estandartes de Lydia Ruyle que nos chegaram dos Estados Unidos e com outros igualmente maravilhosos criados pelas Sacerdotisas de cada Círculo, nove ao todo. E cada uma delas decorou também o altar lateral da respectiva direcção.
Estava montado o cenário desta festa da Deusa, que incluía os espaços exteriores, como o altar à Deusa Maia, o espaço do mercado, a bilheteira e… por último mas de primeiríssima importância, a cozinha, onde a Cristiana e a Goreti, apoiadas por outras almas generosas e prestativas, fizeram a magia que garantiu sustento e abundância a todo o staff, bem como a todas e a todos os participantes que previamente encomendavam a sua refeição. Este foi mais um sonho que aqui se manifestou de forma ainda mais completa e perfeita e profissional do que a inicialmente imaginada, com ingredientes de primeira qualidade e tudo equilibrado com muita alegria, sentido de humor, amor e graça.
À hora prevista do dia 13 de Maio, dia em que na nossa tradição acolhemos a Senhora do Verão, depois das boas-vindas dadas pela nossa Melissa Mãe, a Sacerdotisa Cristina Grumete, pela segunda vez desde a primeira edição da Conferência, realizámos a cerimónia de abertura, que envolveu, como todas as outras, as nove Sacerdotisas do Grupo Cerimonial e as nove Sacerdotisas do Círculo. Foi quando introduzimos no espaço do Templo o Fogo sagrado de cada uma das nove direcções, incluindo o Centro, e quando oferecemos à Mãe do Fogo as flores que havíamos levado, e também canções que exprimiam a nossa intenção para aqueles três dias de devoção, que era essencialmente a de reativarmos o nosso Fogo interior, de renovarmos a nossa energia, a nossa fé na Deusa e na Vida, de reafirmarmos a nossa coragem e a nossa alegria de viver.
Nestes três dias, trabalhámos com o Sol triplo, o sol do meio-dia, de Trebaruna, o sol poente, de Sul/Sula/Chula/Sulis, e o sol da madrugada, de Aurora. Recebemos bênçãos das águas quentes de cura de Sula, como as de São Pedro do Sul, as das Caldas da Rainha, do Marvão, de Chaves e outras levadas de termas conhecidas do nosso território.
No sábado, abrimos o dia com uma cerimónia em que honrámos especialmente essas águas e com Sula fizemos a travessia pelo reino das nossas sombras, para à noite A encontrarmos através das Suas Sacerdotisas e Sacerdote. No domingo honrámos Aurora pela madrugada e saímos em procissão cantando e celebrando o corpo da Deusa em que se transforma a sagrada paisagem da serra de Sintra.
Sobre as comunicações, as nossas palestrantes e o nosso palestrante foram Mary Sharratt, que nos falou sobre a sua obra focada em mulheres ímpares cujo lugar na história precisa de ser reconhecido e valorizado; Rosa Leonor Pedro, que nos falou da mulher dividida pelo patriarcado. Mike Jones ensinou-nos a ler a paisagem sagrada e a explorar as dimensões secretas da Deusa na Sua natureza; Kathy Jones falou-nos da terra mágica de Glastonbury/Avalon e do Templo que aí criou há cerca de vinte anos; Laura Ghianda abordou o tema do feminino activo e solar e de dualismos injustos e redutores. Eu mesma falei de vestígios de antigos cultos a Deusas solares no nosso território. Marta Blanco Fernández esteve impossibilitada de viajar desde Espanha por razões de saúde, mas enviou-nos em vídeo a sua comunicação, baseada na tese de doutoramento que defendeu há alguns meses na universidade de Alicante,
"Origem, demonização e sobrevivência do divino feminino na Península Ibérica: uma aproximação desde a tealogia e o ecofeminismo", que vos convidamos a ver e a ouvir no canal do Youtube da Conferência da Deusa Portugal: ://youtu.be/CvdRpxS6u0o
Embora o termo "Conferência" evoque ênfase no aspecto mental, naquelas que são dedicadas à Deusa não é o caso. No entanto, este é também um aspecto importante. Honrando e valorizando o estudo académico e a investigação relativa no caso à mulher, à Deusa e ao sagrado feminino em geral, que expandem a nossa visão e dão estrutura, enraizando e fortalecendo o nosso trabalho.
Referir ainda Elaine Wattam, que também veio de Glastonbury e nos ofereceu um belo workshop inspirado no fogo de Brígida, como sua Sacerdotisa que é, bem como de Avalon.
Acrescentar também a participação da Sacerdotisa do Templo das Rosas, Ouassima Issrae, que nos apresentou o seu Templo e nos ofereceu a magia da Rosa.
Pode ver mais sobre os temas abordados no site da Conferência:
Ao nível das performances, fomos muito abençoadas e abençoados com tanta dança maravilhosa, como o do fantástico Saucco de Trivia, de Madrid; a de Ana Bergano, Ikny Falcão e das bailarinas do espaço Reyel e ainda a de Tara Chantelle Gomez, que foi uma muito agradável surpresa. A sua arte, como a das restantes bailarinas e bailarino elevaram-nos a uma dimensão muito sagrada do Templo antigo e das suas bailarinas, que incorporavam a Deusa através da beleza da música e da dança. Danças circulares, criando integração, elevação de alma e profunda conexão e comunhão também não faltaram, graças às Sacerdotisas Juliana Di Avalon e Sandra Coelho e ainda às alunas da primeira Espiral da formação de Sacerdotisa do Jardim das Hespérides, que nos trouxeram, através da dança, a energia alegre, auspiciosa e divina da Rainha do Verão.
Agradecer ainda o concerto de taças e gongos que Rafael Narciso nos ofereceu no serão de sábado, dia 14 de Maio.
Fomos ainda abençoadas/os com tradutoras diligentes e incansáveis, das quais destaco Xénia Bendit, que, com graça e competência, acumulou essa função com outra de grande responsabilidade como Sacerdotisa do Círculo. Tivemos ainda o imenso privilégio de ter a talentosa Sara Miguens como nossa fotógrafa oficial! (Atenção que
estas aqui ainda não são as suas fotos, que ainda estão em fase de edição).
Também um destaque especial para as nossas Melissas, femininas e masculinas, que bem-dispostas, amorosas e eficientes, tiveram um papel indispensável para que tudo corresse tão bem.
Foram quase três anos de intensa preparação e muitos desafios, uma pandemia e um conflito na Europa, que nos obrigaram a dois adiamentos. Tivemos pessoas que saíram e outras que entraram, quase até ao último momento, e tudo isso nos obrigou a alterações, reajustes e acertos na programação, alguns quase em cima da hora. No final, porém, miraculosamente, tudo acabou por se adequar da forma mais harmoniosa, bela, orgânica e amorosa. E a grande lição que recebemos foi que o mais importante, depois de fazermos com empenho tudo o que estiver ao nosso alcance, é confiarmos, mantendo o foco e o amor no coração. A Deusa sempre faz o resto!
A energia reajustou-se por si própria e tudo fluiu, e o que sentimos foi a bênção duma imersão de três dias na maravilhosa dimensão do Jardim das Hespérides, uma experiência indescritível, numinosa. Nós apenas nos dispusemos a senti-La, criámos o cenário e as circunstâncias e a Deusa manifestou-se, o Seu Jardim Dourado abriu-se e todas e todos pudemos sentir a Sua energia profundamente curadora e transformadora.
Alguns testemunhos:
A minha primeira participação numa conferência da Deusa foi uma experiência mágica e inesquecível.
Assim que cheguei à quinta senti-me bem-vinda e fui amavelmente recebida e acolhida por todas as irmãs e irmãos experientes, que já são Sacerdotisas e Sacerdotes da Deusa.
O que vivi na conferência durante os três dias foi inesquecível.
Desde a partilha de amor, de fraternidade, de amizade, de sorrisos, de gargalhadas, de música, de danças, de comida deliciosa, de força, de coragem, de conhecimento, de cura, de ajuda, de consciência, de respeito e de bênçãos.
E o mais importante, senti ainda mais o amor incondicional da Deusa em mim.
Regressei a casa feliz, com o coração quente de tanto amor e amizade que recebi, e também dei.
Sandra Monteiro
……………………………………………………..
Grata à Deusa e a todas as mulheres e homens que fizeram esta Conferência da Deusa Portugal - Maio de 2022 acontecer e que estiveram presentes.
Foi uma honra e um prazer poder participar nesta celebração às Deusas Solares.
Quando disse SIM estava longe de imaginar o lugar bonito que iria ocupar. Foi uma bênção, uma alegria e uma aprendizagem maravilhosas.
Sinto que todos demos o nosso melhor e que estamos realmente a construir um mundo onde os nossos corações podem respirar e expressar-se em amor.
Mónica Campanhã
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Ainda integrando todo o amor que recebi na Conferência da Deusa Portugal, que aconteceu no último fim de semana na Quinta Ten Chi, na qual tive a oportunidade de ajudar como Melissa.
Este evento acontecerá novamente em 2024 e eu recomendo para aquelas e aqueles que sentem o apelo do culto da Deusa!
Sou especialmente grata por esses momentos de pura conexão e lembranças de minhas vidas passadas, pelas almas incríveis que conheci, e principalmente pela oportunidade de estar ao serviço de um evento tão importante para os tempos que estamos a viver!
EM AMOR E DEVOÇÃO
Sarasvati Yarah
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Dias maravilhosos na Conferência da Deusa Portuguesa. Luiza e sua equipa fizeram um trabalho incrível, apesar de muitos obstáculos no caminho. Pessoas adoráveis e muito foco, alegria e devoção à Deusa.
Foi muito bom fazer parte deste grande evento da Deusa e partilhar tempo com você, Laura, e todos os amigos portugueses e espanhóis. Foi uma experiência desafiadora e difícil na sua criação, mas tudo finalmente se encaixou magnificamente. Sinta-se orgulhosa, fique feliz. As teorias são boas, mas a prática é o que conta - como somos uns e umas com as outras e com a Deusa, como enfrentamos desafios.
Kathy Jones
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Eu e o meu companheiro estamos maravilhados com este evento. Vocês tocaram nosso coração. Pratico a arte desde os meus 13 anos e nunca estive em uma cerimônia tão linda, tão poderosa e tão tocante de alma como aquelas em que participámos lá. Obrigado.
Hud Alex Dalla Vecchia
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O FOGO SAGRADO DA DEUSA
Ontem caminhei com o meu bastão invisível na procissão das mulheres e homens que no fim da Conferência da Deusa percorreram um pequeno caminho no coração de Sintra…e com os pés batendo na terra faziam ouvir os tambores como um só coração, fazendo ecoar em mim memórias de velhos cantos e que em coro, agradeciam à Deusa o esplendor do dia e todas as dádivas terrenas de que somos prodigalizados, nós mulheres e homens, apesar da fome e das guerras e da miséria humana... e sentir esperança na Humanidade.
E tudo isto foi possível pelo esforço e entrega de algumas dezenas de mulheres que quero homenagear, porque fez eclodir no meu peito uma epifania, sentir o milagre da unidade, no corpo e na alma, ao ver a face da Deusa reflectida em cada mulher abençoada pela sua dádiva.
Eu vi mulheres brotando e florescendo como nascidas do ventre da Terra cantando cheias de reconhecimento e generoso afecto que prodigalizavam ao seu redor, honrando a dádiva da Deusa… e vi-me eu mesma, mais uma vez nascida do seu ventre e de todas as mulheres em osmose como parteiras que ampararam dores e choros e elevaram a minha alma em êxtase sereno com os seus sorrisos e manhas …
E vi no seu canto, o olho da pequena coruja, inteligente e atenta todo o tempo ...ela via tudo em silêncio …e escondia-se sagaz… e vi ainda uma sereia alada… e uma naga escondida na floresta…e vi também um trolle e uma fada…Vi um gnomo delicioso e uma donzela assustada e vi a bruxa rabugenta sempre a praguejar palavras entre dentes… Vi jovens e velhas e mulheres maduras serem transformadas e vi nos ares entre todas as deusas, a encantadora deserpentes… Lilith, que sibilando, atravessava todos os espaços e se insinuava entre as mulheres erguendo-as na vertical ao encontro de si mesmas, mediadoras do ceu e da terra, unindo os elementos…
Quero agradecer a todas as mulheres que vieram até mim e me abraçaram e agradeceram aquilo que eu escrevo, mas que vem delas para mim porque é nelas que me inspiro e é delas que vem o que sinto e sei, por osmose e empatia feminina… como sendo minhas irmãs e mães e filhas que não tive…e porque sei que todas somos filhas da Deusa.
Quero agradecer à mulher doce e genuína, com o seu véu vermelho, que nos seus sublimes passos mágicos de dança em circulo e com gestos de eternidade, me fez lembrar que todas somos a vida o renascimento e a morte ...e também no final, a todas as mulheres empoderadas, vestidas de dourado, que em apoteose, nos espelharam nos seus espelhos de miríades de cores, a lembrar que somos Ela, e belas... culminando assim este encontro de deusas e mulheres e de alguns homens especiais que também abracei…
Quero agradecer a todas as mulheres presentes, lamentando sinceramente as ausentes, às Sacerdotisas e as Melissas todo o seu cuidado e serviço à Deusa…e em especial à Luiza Frazão a sua fé, a sua persistência e a audácia de acreditar e trazer para esta realidade tangível o que era apenas um sonho meu de menina e adolescente…
Gratidão eterna a toda as mulheres que ecoaram o meu coração!
Rosa Leonor Pedro
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Mais do que um Sonho, um Chamamento e um Legado.
Fica o registo, para quem o sentir e desejar viver ou reviver desta forma.
Ela
No Caminho que me levava para os braços da Deusa, a partir de casa, enquanto me dirigia para a Conferência em seu Nome, senti o ímpeto de colher flores. Flores para Ela. Colhi-as então, de cor rosa, branca, azul-lilás, compondo um lindo ramo que coloquei, em reverência, no solo que me acolheu. Foi assim a minha chegada, numa sentida homenagem ao Seu Colo e ao Seu Seio, que tanto me nutriram nestes dias.
Dias indubitavelmente mágicos, irreais, mas, paradoxalmente, muito mais reais do que tantos outros. Dias plenos de fascínio e beleza.
Entrei no espaço em plena consciência, procurando honrar cada Altar com a minha atenção muda e respeitosa.
Foram intensas todas as experiências que se seguiram, vibrantes de Vida, fazendo com que eta e Ela pulsasse por todo o nosso ser: o sangue correndo mais quente nas veias, o coração batendo ao ritmo das vivências, umas vezes descompassado, outras envolto na mais profunda paz.
Entreguei-me a Ela o mais que consegui, deixando que me conduzisse por tempos, espaços e códigos repletos de significado.
Inolvidável, mais além do esperado, tudo o que vivi! A honra que me coube junto a uma das senhoras mais distintas que já conheci, Rosa Leonor Pedro Lilith. O poema dito e tão visceralmente sentido por Amala e por todas e todos os que o recebiam, tendo a Sacerdotisa cumprido e honrado subliminarmente a missão oferecida por uma das maiores escritoras e defensoras da Mulher.
As pessoas que conheci - porque assim estava escrito - pessoas cuja afinidade e amor fraterno se refectiu nos abraços que consolam e chegam até à alma.
Ainda não desci o suficiente até este plano, talvez. Continuo imersa em beleza, embevecida por tudo o que recebi. Tudo foi perfeito, desde o afago envolvente das árvores, o lago de nenúfares com o leve coachar pela noite fora. A mensagem que recebi à chegada, que me disse, em tom preciso, exactamente, o que precisava ouvir. Os Altares. O Grupo Cerimonial. As Sacerdotisas. Toda a equipa, que tão gentilmente me acolheu. As Mensagens essenciais das Oradoras. A Música. O Som do Gongo. O Som do Tambor. O Som das nossas Vozes. As Danças Circulares. A Cerimónia Noturna. Os desafios. Os pirilampos que me acompanharam pela caminhada noturna na serra, para ver o Castelo dos Mouros iluminado. As confidências trocadas, a cair de sono, com os parceiros de camarata. A cerimónia de Aurora ao Nascer do Sol!
Que almas tão grandes e generosas conheci ou revi. Vindas e vindos de vários pontos do país, da Espanha, da Irlanda, do Brasil... Nas mulheres, no menino de 12 anos que ficou no meu grupo, no outro elemento do sexo masculino, já de barbas brancas, ambos representantes do sexto masculino no mesmo. A colega de Português com uma sucessão de mestrados, devotada à magia e a uma sabedoria muito antiga, uma sábia e talentosa artesã com uma força e generosidade inequívocas.
O Mago perito em Herbalismo e Medicina Tradicional Oriental, perito também na Arte do Gongo, emanando uma simplicidade e discrição que não conseguiram ocultar a sua mestria e saber sublime (referência a Rafael Narciso). A meditação. A união.
Tudo na mais mágica terra do nosso país, vivendo tanto, tanto do que a minha Alma sempre quis, realizando sonhos antigos e satisfazendo vontades emergentes das minhas entranhas, como a Dança Na Floresta, com a Bênção da Lua quase cheia e da Chuva que começou a cair enquanto os nossos pés descalços honravam o solo ancestral e o nosso Coração se abria à Deusa, ao Céu, à Terra e a nós próprias.
A Conexão com a Deusa ao longo destes dias, neste Evento que tanto a louvou, foi, sim, real e sagrada, a fazer-se sentir no mais simples e no mais profundo, na verificação de que tudo em redor se acabou por harmonizar e se harmonizou para mim.
No momento mais solene, senti, intrinsecamente, a sua Voz e Presença em cada fibra do meu ser, o que fez com que as minhas águas deslizassem pela face, de pura emoção, gratidão, reconhecimento e entrega.
Também aqui a perfeição e o sentido, na sacerdotisa que me conduziu, assim como na que me recebeu.
Sei que o que vivi me aconchegará, exponenciando a minha e a Sua força, e que o meu enlevo acalentará os meus dias, fazendo-me sorrir secretamente nos momentos mais inesperados.
Sei que longamente o esperava, tal como Ela por mim, tal como a Vida Plena e a Abundância por nós, a cada instante.
Vou voltar. Sei que estou com Ela, que por Ela ansiava. E que Ela sempre me buscará.
Obrigada.
Fátima
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“Hoje partilho algo que aprendi com as 17 mulheres e o homem que estiveram na criação, gestação, nutrição, manifestação, realização e celebração de um o Sonho.
A manifestação de um sonho, ou projeto grandioso Feminino precisa da força da
Coragem e Ousadia
Confiar e acreditar que é possível
Precisa de;
Resiliência
Paciência
União,
Sustentação
Desapego
Perda
Isto tudo sem perder
Foco
Fé
Flexibilidade
Porque um sonho grandioso manifesta-se sempre!
Trabalhar num projeto Feminino com o envolvimento de muitas pessoas, precisa de foco, flexibilidade e planeamento
O Sonho é a manifestação do Fogo do amor e da paixão
O foco, a manifestação da Terra
O mapa de orientação, a intuição do elemento Ar
A flexibilidade, a água que contorna os obstáculos
E a alquimia acontece.
Agora quanto ao guião das etapas e fases,
esse é cíclico, espiralado, flexível, mutável, misterioso, criativo, desafiador,
A Deusa em movimento
Uma dança cheia de graça
Recalcular a rota é uma habilidade feminina
O labirinto está dentro de nós
As mulheres guerreiras nunca desistem.
Tem elevada resistência a frustração
O ego apaziguado
As mulheres que amam e curam mulheres,
Não abandonam, apenas se afastam e esperam o momento oportuno para voltar
Não julgam embora sejam altamente críticas, mas respeitam
Não traem, mas conversam entre si e chegam a um consenso
Não humilham, mas respiram fundo e corrigem
Não rejeitam, mas pedem um tempo para esclarecer, curar, pensar e voltar
Entendem a alma feminina e aos poucos vão aprendendo a viver neste universo do feminino.
Não utilizam as fraquezas da outra para brilhar.
Para uma mulher fazer parte do sonho ou projeto de outra mulher
É preciso que este lhe faça sentido, tenha uma razão e utilidade
Precisa ter ressonância com a sua verdade, essência e missão de alma.
Precisa de amar o Feminino em si.
É preciso também, ter alma de guerreira e amiga e saber celebrar.
A forma como tratamos as mulheres é a forma como nos tratamos.
A conferência aconteceu através da manifestação da Deusa, no Coração dos Mistérios Sagrados de cada Mulher e de cada Homem,
Afinal é possível trabalhar com mulheres, SIM!
Quando o Sol e a Lua sabem dar o seu lugar no movimento cíclico do amanhecer e do entardecer.
Mariette Capinha
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Hoy hace una semana desde la que nada volverá a ser igual.
Nunca pensé que la experiencia de una Conferencia fuera a cambiarte, a transformarte tanto, a regalarte tanto...
Ha sido increíble desde el principio de ese viaje en coche, hasta el final, envuelta en un abrazo.
Gracias @conferenciadadeusaportugal por tanto, por las conferencias, los workshop, la comida, la danza, el amor en cada altar, en cada detalle...
Gracias tribu porque sin vosotr@s nada hubiera sido igual!!! Vengo cargada de mensajes, removida de la cabeza a los pies, con fuego en los ojos y con un sentimiento de unión y comunidad que ya no se irá.
Patricia (Espanha)
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“Gratidão, sentido de comunhão, realização, Amor, amor e amor, será pouco para exprimir o que sinto. Não há cansaço, nem ausência de sono que resista à maravilhosa energia de Amor que esteve presente neste fim de semana!!!
Obrigada Luiza Frazão e todas as irmãs de caminhada que estiveram presentes, a todas e todos os participantes.
Esta conferência foi mais que um sonho, foi um constante desafio. Tal como a cobra muda de pele, como a água encontra o caminho através de leitos nem sempre fáceis, até ao último minuto fomos constantemente desafiadas.
Chegar ao final a transbordar felicidade, Gratidão e energia de Amor, todos em abundância, foi a melhor prenda que podia ter tido!
Além de todas as vivências ritualísticas, cerimoniais, emocionais e sociais, tenho que realçar o seguinte, pois para mim será inesquecível: facilitar um workshop em conjunto com a minha querida irmã Juliana Di Avalon, em que a energia do tarot da Imperatriz, dos elementos sagrados, expressos através da dança circular sagrada e sua abertura nos nossos corações, a um círculo de participantes perfeito, foi das experiências mais enriquecedoras, de respeito e partilha que tive neste meu percurso de professora de danças circulares sagradas, em fusão com o de sacerdotisa. Minha querida Juliana Di Avalon, obrigada! És maravilhosa!
Bem hajam. Estão no meu Coração em Amor. Todas e todos!!!”