sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Glorioso e abençoado Solstício de Inverno!


Que Cale do Ar nos traga os dons da quietude, do silêncio e da interiorização neste tempo de pousio em que a terra sonha com a nova vida e a Grande Tecedeira entrelaça mais uma vez os fios da Teia da Vida. Que o Seu vento forte limpe a nossa mente de pensamentos obsessivos que não nos servem mais e nos traga clareza para que novas ideias, novos sonhos e projetos, novas formas de estar na vida possam surgir e motivar-nos no nosso caminho. Que as Suas aves nos inspirem a voar mais alto, a sonhar cada dia com mais e mais liberdade, visão e expansão...

E que a magia deste tempo nos ajude a conectar com a sabedoria antiga, local e planetária, e a receber os seus dons que mais profundamente nos ligam à Vida em todas as suas dimensões, física e não física, terrena e cósmica. 



Acredito que, neste tempo do Espírito, essa sabedoria, se a ela nos abrirmos, sempre fica mais acessível... encontramos sempre algum Ancião ou Anciã sábia e inspiradora que nos conecta mais profundamente com a Alma do Mundo... como este ano as Babushkas de Buranova… Abençoadas! 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

PEREGRINAÇÕES DA DEUSA - ENCONTRO COM AS SUAS CRIATURAS SAGRADAS


Várias criaturas da Deusa, animais da fauna ibérica, se cruzaram no nosso caminho durante a nossa peregrinação/retiro por terras de Beira, de Cale-Beira. Em destaque estiveram a Águia e o Abutre, aves totémicas deste momento do ano, do Solstício de Inverno na nossa Roda do Ano, com o seu pouso e lugar de nidificação nas mesmas Fragas Sant’Ana, onde a cabeça da Senhora da Pedra sacraliza a paisagem, situada precisamente a Norte, a direção deste festival. Em cerimónia, reativámos este lugar, na tarde de sábado, depois duma vivência intensa em que curámos e ressignificámos uma tradição feminina local.

A Salamandra de Fogo, ou Saramântiga, foi outro dos seres que vimos passar junto da berma do caminho por onde regressávamos, já a noite caía. Mais adiante, avistámos dois Sapos minúsculos no chão, rente ao muro de pedras, cuja cor e manchas mimetizavam na perfeição. Só olhares experientes e sentidos apurados conseguem detectar tais criaturas na paisagem e ainda por cima ao lusco-fusco... 
No Almurtão, uma abelha veio pousar sobre a lanterna ainda morna da chama que abrigara, validando a minha intuição de que aquele foi um templo da Deusa sustido pelo incansável labor das Sacerdotisas Melissas do passado, que como podem sobrevivem no presente...
Abutre e Águia, criaturas totémicas da Mãe do Ar
A Pega e a Poupa foram outras das aves sagradas que se manifestaram para nós na paisagem, lembrando-nos de que todas as aves são por excelência criaturas da Senhora do Inverno, Senhora do Céu e das Estrelas. O mais surpreendente, porém, foi o avistamento da Cobra, que rapidamente se sumiu por entre as pedras, aquecidas àquela hora pelo sol, do que resta da antiga muralha de Idanha-a-Velha, junto à porta sul, guardiã da Azinheira Grande. 

Claro que ficámos com vontade de consultar o Oráculo dos Animais da Península Ibérica, que apresenta e nos traz a sabedoria de 50 das nossas espécies nativas. 50 cartas concebidas e criadas por Amala de Oliveira. Sem dúvida que estas ferramentas sagradas são poderosos portais que nos ajudam a aprofundar a nossa ligação à terra onde nascemos e/ou vivemos. Quando conhecemos as e os nossos conterrâneos, os seres que connosco partilham o território, que a ele se foram adaptando e afeiçoando, encarnando as suas energias, guardiães e guardiãs da sua sabedoria mais profunda, só podemos sentir respeito e gratidão. São tesouros arcaicos, inestimáveis, fortes e ao mesmo tempo frágeis e delicados, que precisamos de poder olhar sem medo nem repulsa, mas antes com respeito, veneração e gratidão, apreciando a sua infinita graça e beleza. A sua saúde e sobrevivência está intimamente relacionada com a da terra e, claro, com a nossa. 

Ferramentas sagradas
Parabéns, querida Amala, e muita gratidão pelo teu belíssimo, delicado e precioso trabalho em prol destas criaturas sagradas, partes integrantes da Teia da Vida e da Alma deste território a que pertencemos e portanto da nossa, alma essa que expandimos e engrandecemos quando respeitamos e preservamos cada um dos habitats naturais e ecossistemas em que se integram estes seres.

Foi lindo sentir como tudo o que fizemos e vivemos neste fim-de-semana ganhou mais vida, sentido e profundidade, algo que sentimos como uma maior validação trazida pela magia do encontro com estas criaturas tão grandiosas. 

Abençoadas sejam.
     

Formação de Sacerdotisas da Deusa do Jardim das Hespérides - opinião das formandas

Após completarem a primeira Espiral, algumas das formandas disseram: “Profundamente transformador, com ênfase em exercícios práticos...