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terça-feira, 24 de junho de 2025

Reflexões a poucos meses de uma autodedicação à Deusa como Sua Sacerdotisa

 

Atualmente sinto-me  conectada espiritualmente com o quê?

Com a natureza, com o Sol, com a s estrelas, com o ar, com a terra, com o fogo,

com o espírito, com o éter, com os sonhos  com as plantas, com as ervas com as

águas, com os ancestrais e a minha ancestralidade, com a curandeira, com a mulher

erveira e tamboreira, com os ritmos circadianos, com as estações e as festividades

ao longo da roda do ano,  com a Deusa em todas as suas formas de expressão,

comunicação e manifestação, e por último mas não menos importante com os

arquétipos da Deusa e como ELA  se manifesta em mim neste meu momento atual.

Como imagino a minha prática como sacerdotisa?

Todas as hipóteses que vou elencar são prováveis, no entanto sei que uma ou duas

irão se manifestar mais forte: Celebrar rituais? Curar? Ensinar? Mediar entre

mundos? Acolher outras pessoas? Cuidar da Terra? Ainda estou em observação do

que flui mais autêntica e genuinamente no meu coração

Qual é o meu propósito mais profundo nesse caminho?

São vários, na verdade, servir, crescer, libertar-me das amarras, medos e grilhões

que me bloqueiam, relembrar-me e acima de tudo  Amar. Amar a tudo e ao todo! è

esse o caminho e o aprendizado

Que dons já vivem em mim e que desejo cultivar ainda mais?


Diria que a intuição tem aflorado bastante. A criatividade em diversas formas, a escuta atenta e empática não só das minhas emoções como do outro também. e a

parte do mistério, da magia que envolve todas as questões cerimoniais.

Para mim, tornar-me uma sacerdotisa é lembrar quem eu sou, uma filha da

Terra, do Céu e do Mistério. É um caminho de reconexão com o Sagrado

Feminino, com os ciclos naturais, com a minha intuição e com os dons que me

foram dados. Quero aprender a guiar e a curar, não por ego, mas para servir

algo maior do que eu — a vida, a alma coletiva, a ancestralidade. Sinto que ser

sacerdotisa é viver com propósito, com beleza e com verdade.

A minha intenção em tornar-me uma sacerdotisa é servir com o coração aberto,

conectando-me com o sagrado dentro de mim e ao meu redor. Quero ser ponte

entre o visível e o invisível, curar, ensinar e honrar os ciclos da vida, da Terra e

do Espírito. Comprometo-me a caminhar com verdade, integridade e amor,

escutando a voz do divino em tudo o que é!

Ana Isabel Teixeira Oliveira

quinta-feira, 2 de março de 2023

O MISTÉRIO DAS NOVE IRMÃS

 

Afirma Kathy Jones, em Priestess of Avalon, Priestess of the Goddess (Sacerdotisa de Avalon, Sacerdotisa da Deusa), que “[Essas Mulheres divinas] são o princípio da sabedoria, que se manifesta na forma feminina para benefício de toda a humanidade. Elas são assim as protetoras da sabedoria, que nos acenam através da vibração e do som, ajudando-nos a vencer resistências no nosso caminho espiritual e trazendo-nos experiências da realidade inefável ou da graça divina. Elas ajudam ainda quem está a morrer a atravessar as portas da morte. São conhecidas no Budismo como emanações da mente iluminada, que mantém o propósito de procurar a iluminação não apenas para si própria mas para benefício do todo”.

À semelhança das Nove Morgens de Avalon, e de muitas outras, as Nove Hespérides abarcam todas as qualidades da Deusa, em todos os Seus aspetos, de Donzela e Anciã, de Criadora e Destruidora, de Senhora da Vida e de Senhora da Morte. Símbolos máximos da liberdade feminina, como as Dakinis orientais, inspiradoras guardiãs do conhecimento, como as Nove Musas gregas, elas dominam as sete artes liberais (Lógica, Gramática, Retórica, Aritmética, Música, Geometria, Astronomia/Astrologia). Na história da Deusa, Elas são famosas pela Sua força e talento, pela Sua beleza e sensualidade, pelos Seus dotes para a música, o canto e a dança, pelas Suas capacidades de profecia, pelo domínio das artes da cura e pela possibilidade de se metamorfosearem, de mudarem de forma, e de influírem nas condições do tempo atmosférico, proezas de que podemos encontrar eco nas nossas histórias antigas.

Esta instituição de nove mulheres, de nove sacerdotisas principais, poderá ter sido a antecessora dos conventos e dos mosteiros de religiosas e de religiosos. Viviam de preferência em lugares altaneiros, em montes sagrados, como as várias capelas dedicadas a cada uma delas, existentes ainda hoje em dia, nos dão testemunho, tal como várias lendas envolvendo certos montes e serranias. À volta destas mulheres de saber, fundaram-se vilas e cidades. Elas foram criadoras de civilização, dispensadoras do conhecimento disponível, da ciência, das artes e dos ofícios, de cura e profecia, servindo a Deusa no Seu Templo, vistas e sentidas muitas delas como a própria incorporação da Deusa na sua forma humana, tal como algumas famosas Dakinis, as Bailarinas do Céu do Tantra tibetano, ficaram conhecidas, por terem vivido como mulheres com existência historicamente comprovada. Esta é uma ponta do véu que já podemos começar a levantar, sem medo de exagero, para reescrevemos a História no feminino, até porque as visões de várias pessoas, cuja obra tenho lido ou que tenho ouvido pessoalmente, convergem todas no mesmo sentido. 

Um capítulo importante desta mesma História, que não podemos ignorar, é a forma violenta e atroz como o patriarcado emergente pôs fim ao poder e à independência destas mulheres e ao tipo de sociedade que ajudaram a criar, dando lugar a um outro completamente oposto, onde a rapina, a destruição e a conquista se tornaram norma, e onde a guerra e os seus perpetradores foram glorificados e cultuados como heróis. A contraparte dessa glorificação dos heróis masculinos foi a martirização das sacerdotisas da Deusa, sacrificadas numa luta desigual entre um sistema que chegava ao fim e um outro que começava, e a sua elevação à condição de Santas, que para mim é a melhor prova de que se tratava de mulheres de grande poder espiritual nas comunidades que serviam. Diz-nos a lenda que Elas foram mortas na defesa da Sua virgindade, ou seja, da sua liberdade de disporem do Seu corpo, da Sua sexualidade e da Sua vida como bem Lhes aprouvesse, recusando ser colocadas ao serviço do programa patriarcal. Em Os Mitos Gregos, Robert Graves fala-nos dum grupo de sacerdotisas da Deusa Atena que preferiram o suicídio à desonra de pertencer a um único homem. Também o caso histórico de Hipácia de Alexandria, que recentemente o cinema tornou conhecido do grande público, é um exemplo elucidativo daquilo que aconteceu a inúmeras mulheres de grande valor, mortas, ou simplesmente silenciadas. Progressivamente, as suas descendentes foram afastadas das fontes de conhecimento académico, subalternizadas, reduzidas à condição de tecnologia de reprodução da espécie, de serviçais, ou de escravas, completamente esquecidas dos tempos áureos em que criaram com a sua visão e sabedoria sociedades justas, igualitárias e prósperas, segundo um modelo que consensualmente se admite que foi aquele seguido por antigas culturas como a de Creta ou a de Çatal Hüyük, na Turquia.

MUSAS DA PROFECIA

Muitas destas Sacerdotisas da Deusa de outros tempos, de acordo com as lendas tecidas à sua volta, ou como referem as narrativas hagiográficas escritas por homens da igreja, terão sido decapitadas. Na verdade, a forma como, no decorrer do seu martírio, as cabeças destas mulheres são sistematicamente cortadas poderá ser uma importante pista para a revelação da real identidade e poder de que usufruíam. Depois de ler a exposição de Gabriela Morais relativa ao culto céltico das cabeças, ouso postular que as cabeças destas mulheres seriam consideradas membros preciosos de poderosas entidades, que, entretanto, terão entrado em declínio com a mudança do paradigma matrifocal para o patriarcal e consequente erradicação do culto da Deusa. Com efeito, diz-nos a autora de O Culto das Cabeças: “Ao que tudo indica, para os Celtas, a cabeça terá sido o lugar onde residia a alma, a pura essência da personalidade humana que, na sua iconografia, chegou a representar os deuses. Nesta medida, a cabeça possuiria atributos divinos e, na sua direta relação com as crenças religiosas célticas, para além de ser incorruptível e autónoma do corpo, teria poderes protetores – das pessoas ou coletividades, do gado ou da vegetação, fontes da sobrevivência –, divinatórios ou proféticos, de cura e de regeneração, poderes, em suma, xamânicos. Como tal, vamos encontrá-la, ainda hoje, inserida simbolicamente dentro das correntes de esoterismo. Assim sendo, poderemos olhá-la como representante do espírito, da criatividade divina expressa através do humano, que tomaria corpo na poesia, forma e suporte de toda a sabedoria, em consonância com o papel que o conhecimento intuitivo desempenha na psique humana, segundo o afirmam as ciências cognitivas. Nesta ordem de ideias, podemos compreender a função fundamental, mais tardia, junto de reis e príncipes, dos bardos, membros da mais alta classe sacerdotal céltica, os druidas, conhecedores dos segredos da Terra, do passado, presente e futuro.”

Ouso postular que a obsessão com decapitar o corpo destas sacerdotisas, profetizas, mulheres divinas, representantes ou incorporações da própria Deusa, poderia estar relacionada com os superiores atributos que os seus algozes lhes reconheceriam, em particular porventura o dom da profecia, de que tentariam assenhorear-se através da posse das Suas cabeças, lugares onde se acreditava que a própria alma residia.

in A Deusa do Jardim das Hespérides, Luiza Frazão, Zéfiro

Imagens:

1. Gruta del Cogul, Catalunha

2. Sintra, Santa Eufémia

3. Uma das capelas em sua honra, Senhora da Abadia, Gerês

4. Monte de Santa Quitéria, Felgueiras

sábado, 18 de fevereiro de 2023

Em honra na próxima Conferência da Deusa Portugal 2024 - Deusa Iccona Loimina

Na nossa próxima Conferência da Deusa Portugal, que  acontecerá entre 10 e 12 de Maio de 2024, vamos celebrar a Deusa Amante e a energia de Beltane. 

Nesse festival, na nossa Roda do Ano da Deusa, está em honra Iccona Loimina, a Deusa Égua, a Égua branca, à semelhança de Epona, de Rhiannon ou Rigantona, cujo nome significa Grande Rainha. Ela é uma das nossas Deusas de Beltane, Deusa da Soberania da terra, da Fertilidade, da Sensualidade e da Sexualidade. Na Sua zoofania da Égua, ela representa a nossa natureza selvagem e indomável de mulheres. Ela é ainda uma Deusa psicopompa, Aquela que cavalga entre mundos, que, tal como Rhiannon, conduz a alma na sua última viagem até ao outro mundo. Na verdade, com a Deusa do Amor e da Sexualidade tanto vamos ao inframundo, onde enfrentamos a dor da perda das nossas ilusões amorosas, como aos céus em fantásticas experiências, que podem ser de fusão com a pessoa que amamos e com quem podemos vislumbrar as estrelas em orgasmos de cósmica dimensão.


Lugares da Deusa ICCONA LOIMINA

Uma referência à Deusa Iccona Loimina, uma oferta feita a esta Deusa, é mencionada na famosa inscrição do Cabeço de Fráguas, um dos Seus sítios de poder, portanto, que precisamente fica situado no lugar de Cabeço da Senhora dos Prazeres, freguesia de Benespera, concelho da Guarda.

 (Fonte: A Deusa do Jardim das Hespérides, Luiza Frazão)

Iccona-Loimina  segundo a academia

“São diversas as interpretações sugeridas pelos distintos investigadores que se dedicaram ao estudo do teónimo. J. Gil143; D. Maggi144; Witczark145 e Blanca María Prósper146, em exemplo, propõem a correspondência entre Iccona e a divindade céltica Epona, conhecida em outras regiões peninsulares. A relação que se estabelece no contexto religioso indoeuropeu entre divindades hipomórficas e atributos ligados à fecundidade é manifesta147, podendo, por conseguinte, sugerir uma relação entre Iccona e uma função ligada à fertilidade, justificando-se assim a oferta que lhe é prestada, em Cabeço das Fráguas, de um animal prenhe148.”

Diz-nos Daniela F. de Freitas Ferreira, em Memória Colectiva e Formas de Representação do (Espaço) Religioso, Faculdade de Letras da Universidade do Porto

Mas a partir daqui as dúvidas da autora desta tese académica são variadas e ela acaba por pôr em causa a relação que Blanca María Prósper estabelece entre Iccona e Epona…

Fonte: https://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/18921.pdf

Porém, numa recente pesquisa online acabei por encontrar um comentário muito interessante e válido dum investigador espanhol.

Eis o comentário e o pequeno diálogo que estabeleci com o seu autor:

Javier T. Rios - “No debería llamarse * ekwona , dado que los céltiberos eran celtas-q y no celtas-p? Creo que la forma "epona" está atestiguada en galo, está esta forma con "p" atestiguada en la península ibérica?” (Não deveria ser chamada de *ekwona, já que os celtiberos eram celtas-q e não celtas-p? Acho que a forma "epona" é atestada em gaulês, essa forma com "p" é atestada na Península Ibérica?)

Eu - Em Portugal existe uma inscrição a Iccona (Iccona Loimina), em Cabeço de Fráguas, distrito da Guarda, que algumas pessoas creem que poderá estar relacionada con Epona.

JTR – Obrigado pela informação.

Lembrando de resto que o cavalo pertence à família dos equídeos. 

Sobre Epona

“Eu invoco Aquela que é o livre empoderamento e manifestação da terra sagrada, o ponto imóvel dentro do movimento, a batida do coração da Terra e a batida do casco do coração.

Amada Epona; Deusa Cavalo da soberania e liderança, da resistência, iniciação e capacitação.

Senhora Liminal, Criadora Cósmica de todas as jornadas, incluindo aquelas através dos véus da morte e do renascimento, pois Teu é o útero-túmulo da criação e da destruição.

Grande Deusa, Rainha Soberana da sexualidade, da transformação, da alegria abundante e da liberdade, vem falar-nos dos Teus caminhos para que possamos conhecer-Te."

"A Deusa europeia Epona, uma Deusa central, definidora e unificadora da cultura e dos povos celtas, é um nome de origem gaulesa para a antiga Deusa Cavalo das e dos nossos ancestrais da Idade da Pedra e do Bronze. Eles A viam como a Grande Mãe liminar, o ventre-túmulo da vida, morte e renascimento, e como sua Rainha Soberana, não limitada às terras tribais imediatas, mas como a fonte, ou Deusa, da Soberania sobre um território muito maior.

Muito antes de Ela receber a forma humana, as culturas xamânicas europeias reconheceram a Sua forma de equídeo ctónica (= da terra) como mágica. Capaz de cruzar e transcender os limites de lugar e espaço, de diferentes dimensões, Ela tornou-se a guia através dos portais entre reinos ou mundos.

O cavalo como símbolo era emblemático da Deusa do útero-túmulo e da Sua sabedoria. Ela é a Mãe fértil, constante como o Sol e a Terra, formando e dando à luz a totalidade da vida, nutrindo e provendo, com uma abundância proveniente do submundo, que faz parte do Seu reino, parte de Seu grande ciclo de vida, morte e renascimento. Ela transportou-nos para, através de e para fora do inframundo.

Na Velha Europa, a sua forma de casco crescente yónico foi esculpida nas paredes da caverna de iniciação do parto para trazer proteção e orientação. Ligada à lua e aos mistérios do sangue da fertilidade, nascimento e morte, a Deusa Cavalo também foi associada às (nascimento)-águas da vida e como guia para os mistérios e iniciações, para o bem-estar e maior integridade. Ela era uma porta de entrada para os reinos ancestrais de onde a vida retornava, pois novas plantas crescem a cada ano na terra após o fim do inverno. Ela também estava ligada ao nascer do sol de inverno, a época do renascimento do sol, que Ela, como Cavalo Solar, representava e ao mesmo tempo dava à luz.


Com o passar do tempo, as pessoas viram Epona como o Cavalo Estelar das constelações que giram a grande roda do tempo. Ela se tornou a Grande Deusa do cosmos e das estações, dos espaços liminares entre os reinos, do poder, da virilidade e da fertilidade, das águas curativas das nascentes que surgem do submundo, da iniciação, do sol e da abundância, da liberdade, da honra, coragem, soberania e união sagrada.

A antiga Deusa Cavalo, no entanto, tinha uma natureza andrógena: ela era vista como Égua Divina, Potro/criança Divina, bem como Garanhão Divino. Continuando a partir da antiga visão de mundo centrada na Deusa, o parente andrógino da Deusa Cavalo, que se tornou conhecido por nós como Epona, se baseia na linha arcaica da mitologia, voltando ao mais antigo relato escrito da Criação na antiga Suméria, que se tornou o práticas mitológicas e rituais da União Divina.” 

Fonte: Katinka Soetens (Sacerdotisa de Rhiannon)

Imagens:

1. Arte de  EJ Lazenby http://www.animalfineart.co.uk/

2. Inscrição de Cabeço das Fráguas http://www.portugal2050.com/visite/guarda/cabe%C3%A7o_das_fr%C3%A1guas?p=49e3a0c5-fc0c-42d0-ae56-006df881c9f1&c=e9ceb0ed-af1e-4d6d-9f23-a81839e67213pona, 3o. séc. A.C., de Freyming (Moselle), França (Museu Lorrain, Nancy)

Imagens Wikipédia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Epona

3. Epona, 3o. séc. A.C., de Freyming (Moselle), França (Musée Lorrain, Nancy)

4. Epona e os seus cavalos, de Köngen, Alemanha, cerca de 200 a.C.

5. Um apoio de Epona, flanqueado por dois pares de cavalo, da Macedónia Romana



quinta-feira, 18 de agosto de 2022

Peregrinação a lugares sagrados das Nove Irmãs das Hespérides - Senhora da Abadia

 

Enquanto Sacerdotisa responsável pelo Templo da Deusa de Óbidos, fui finalmente, neste último 15 de Agosto de 2022, fazer esta peregrinação há muito desejada, por terras do Norte. O objectivo era celebrar as 9 Irmãs ou Nove Hespérides, no seu dia, num dos seus lugares de poder no nosso território. Acabei por ir a dois, Senhora da Abadia e Monte Pombeiro, conhecido também como Monte de Santa Quitéria, em Felgueiras. Mas fiz a cerimónia que me inspiraram a fazer há uns dois anos, com jornada meditativa, inspirada numa antiga prática tibetana de transmutação de energias,

que por sua vez foi inspirada no trabalho das árvores que transmutam CO2 em oxigénio.

Realizei a minha cerimónia num lugar especial na Senhora da Abadia onde decorria a festa do dia 15 de Agosto que segundo alguma tradição é precisamente o Dia das Nove Senhoras. Também em Arganil e em Seia existe uma celebração neste dia, sendo ambos os lugares a Sua presença grandemente lembrada. Foi uma experiência cheia de poder e de magia que já faz parte da nossa devoção aqui do Templo do Jardim das Hespérides. As pessoas interessadas podem requerer os materiais através de mensagem dirigida ao Templo e mediante donativo para o mesmo. No dia seguinte passeei por Caldelas, por estradas ladeadas de belos carvalhos e recolhi águas destas termas famosas que ficam mesmo à beira do parque do Gerês.

Na quarta-feira regressei a casa, passando antes por Felgueiras, um santuário dedicado à Irmã do Centro, Quitéria, bem menos bonito porque impera o betão. Gostei de ver ao vivo o altar das Nove Irmãs que tanto vira em imagens da net e que apesar de tudo é precioso por conservar viva a memória do culto que por milénios as populações dedicaram a estas entidades estelares na origem. Depois rumei à Citânia de Briteiros e aí foi uma surpresa ver como todos os muros e paredes foram construídos usando a misteriosa técnica da maçonaria poligonal que tanto intriga as e os investigadores, embora por aqui se fale pouco ou nada nesta forma de construção extremamente inteligente, resistente a tremores de terra e outras acções do tempo, que
podemos encontrar por todo o lado, desde o Peru ao Japão, ou à Grécia onde, para minha surpresa também, ela pode ser vista no lugar do famoso oráculo de Delfos, precisamente, como referiu a nossa guia, nas partes mais antigas dos seus muros. Visitei antes de mais a sauna ritual, ou sagrada, porque a Citânia é enorme e não dispunha de muito tempo para a minha visita, já que ainda tinha pela frente muitos quilómetros até chegar a casa. A sauna está relativamente bem conservada e a sua pedra formosa, se bem que menos impressionante que a outra guardada no museu da localidade, também é muito bonita com os seus símbolos célticos.
Claro que haveria muitos outros lugares a visitar por ali, mas mesmo assim amei esta peregrinação em honra das Nove Senhoras, da nossa ancestralidade, das nossas raízes sagradas e da nossa Grande Deusa. De notar por exemplo como o topónimo Briteiros faz referência à grande Deusa celta - os briteiros seriam os devotos de Brígida/Brigântia/Brigite/Brites/Brito.
Viajar acompanhada é muito bom mas sozinha tem um saber todo especial pois os nossos sentidos podem ficar mais alerta sem as distracções da conversa, embora por outro lado a companhia de alguém também possa acrescentar à nossa experiência do lugar.
Gratidão à Deusa e à Vida por esta aventura que tanto agrada à Donzela Exploradora em mim. Abençoada!
@Sacerdotisa Luiza Frazão

sexta-feira, 14 de julho de 2017

CONHECER E INVOCAR AS NOVE HESPÉRIDES DO JARDIM DOURADO

É hora de invocarmos as energias sagradas da nossa terra, especialmente nos Seus mais conhecidos lugares de poder, como o Monte da Santa Eufémia, em Sintra; o Monte de Santa Quitéria, em Felgueiras, Viseu; a Serra da Ossa, o Gerês, a Praia das Maçãs ou qualquer lugar onde se cultuem ou haja ermidas a Santa Quitéria, Santa Marinha, Santa Eufémia ou Santa Vitória, que são as mais conhecidas... Em cima numa bela representação de 1997, de António Mendanha, na igreja matriz de Forjães, com Marinha ao centro porque a igreja Lhe é dedicada.


A energia do nosso Jardim das Hespérides, uma dimensão equivalente à de Avalon, é sustida, tal como acontece nessa Ilha Encantada, por Nove Irmãs, por nove princípios femininos, profundamente relacionados com a paisagem, as árvores, os animais, o tempo atmosférico. Elas mudam de forma, têm a capacidade de se metamorfosearem, e a sua zoofania mais corrente é a Gralha de bico vermelho. As nossas antepassadas e os nossos antepassados  conheciam-nas bem e cultuaram-nas especialmente em montes, como o de Santa Eufémia em Sintra, o de Santa Quitéria em Felgueiras e vários outros. Águas sagradas de cura brotaram nos lugares onde, de acordo com a lenda, as suas cabeças cortadas no martírio de que invariavelmente padeceram, na Sua forma humana, vieram a cair. Em vários lugares são lembradas como pertencendo a um grupo de Nove.


GRUPOS DE NOVE MUSAS

Dos mitos e tradições herdados da cultura celta faz parte a crença na existência de grupos significativos de nove mulheres míticas. Morgana, na Ilha de Avalon, com as suas oito irmãs, forma um desses grupos, que na verdade, para investigadores como Stuart McHardy, podemos encontrar em variadíssimas culturas do mundo inteiro, com a certeza de se tratar duma instituição que terá tido um papel fundamental no desenvolvimento da própria civilização humana. Montes e outros lugares sagrados com nove Musas foram famosos na Grécia antiga, como é o caso do Monte Pierão, com as Piérides; da Fonte Hélicon, com as Heliconíades; do Monte Parnaso, de onde eram originárias as Parnásides; do Monte Aónia, das Aónidas; duma Fonte descoberta por Pégaso, junto da qual viviam as Pegásides; do Monte Citéron, das Citérides; do Monte Pimpla, onde viviam as Pimpleídes; do Rio Ilissos, com as suas Ilisíades; da Fonte Castália, das Castálides; da Téspia onde habitavam as Tespíades e, obviamente da Hespéria, nome pelo qual foi designada no passado a Península Ibérica, no centro da qual existe um maciço ainda hoje designado por Hespérico, e onde viviam e prosperavam as Hespérides!

Vários lugares sagrados com nove Musas existem entre nós, como o Monte de Santa Eufémia, em Sintra, uma das portas de entrada nessa serra sagrada, antigo lugar de celebração do Imbolc, onde existe uma fonte de cura, hoje em dia seca e sem préstimo. Numa inscrição no azulejo da parede lateral da ermida cristã, aí edificada sobre as ruínas dum templo romano, somos informadas/os de que Eufémia era uma de nove irmãs. E de repente faz-se luz: trata-se dum monte sagrado com Nove Musas! O mesmo ocorre no Monte de Santa Quitéria, designado no passado por Monte Pombeiro, em Felgueiras, Braga, onde segundo nos diz a lenda, esta entidade sofreu martírio e onde também nos é lembrado que Ela era uma de Nove. 

Em Meca, concelho de Alenquer, sucede a mesma coisa, tal como no Gerês, ou na Serra da Ossa, no Alentejo. Na verdade, sempre que temos uma capela dedicada a uma das Nove Irmãs, sabemos que estamos num lugar sagrado semelhante àqueles onde na Grécia antiga, por exemplo, se ia receber a inspiração e a sabedoria dispensadas pelas Musas, cujo número era de nove.

AS NOVE HESPÉRIDES

Foi na mesma altura em que estava completamente absorvida e fascinada pela leitura de The Quest for the Nine Maidens (A Busca das Nove Donzelas), cujo autor já referi, que chegou até mim um texto de Victor Adrião onde é focado o grupo constituído por Santa Eufémia e as Suas oito irmãs: Liberata, Germana, Eufémia, Marciana, Genivera (ou Genebra), Marinha, Bazília, Vitória e Quitéria. Nos Seus nomes notam-se influências greco-romanas, ou até fenícias (caso de Quitéria), resultado do contacto desses povos com a nossa cultura, de origem Celta. A marca dessa celticidade ainda prevalece no nome Genivera, que ecoa o da Rainha na lenda arturiana.

Afirma Kathy Jones, em Priestess of Avalon, Priestess of the Goddess (Sacerdotisa de Avalon, Sacerdotisa da Deusa), que “[Essas Mulheres divinas] são o princípio da sabedoria, que se manifesta na forma feminina para benefício de toda a humanidade. Elas são assim as protetoras da sabedoria, que nos acenam através da vibração e do som, ajudando-nos a vencer resistências no nosso caminho espiritual e trazendo-nos experiências da realidade inefável ou da graça divina. Elas ajudam ainda quem está a morrer a atravessar as portas da morte. São conhecidas no Budismo como emanações da mente iluminada, que mantém o propósito de procurar a iluminação não apenas para si própria mas para benefício do todo”. 

À semelhança das Nove Morgens de Avalon, e de muitas outras, as Nove Hespérides abarcam todas as qualidades da Deusa, em todos os Seus aspetos, de Donzela e Anciã, de Criadora e Destruidora, de Senhora da Vida e de Senhora da Morte. Símbolos máximos da liberdade feminina, como as Dakinis orientais, inspiradoras guardiãs do conhecimento, como as Nove Musas gregas, elas dominam as sete artes liberais (Lógica, Gramática, Retórica, Aritmética, Música, Geometria, Astronomia/Astrologia). Na história da Deusa, Elas são famosas pela Sua força e talento, pela Sua beleza e sensualidade, pelos Seus dotes para a música, o canto e a dança, pelas Suas capacidades de profecia, pelo domínio das artes da cura e pela possibilidade de se metamorfosearem, de mudarem de forma, e de influírem nas condições do tempo atmosférico, proezas de que podemos encontrar eco nas nossas histórias antigas.
Esta instituição de nove mulheres, de nove sacerdotisas principais, poderá ter sido a antecessora dos conventos e dos mosteiros de religiosas e de religiosos. Viviam de preferência em lugares altaneiros, em montes sagrados, como as várias capelas dedicadas a cada uma delas, existentes ainda hoje em dia, nos dão testemunho, tal como várias lendas envolvendo certos montes e serranias. À volta destas mulheres de saber, fundaram-se vilas e cidades. Elas foram criadoras de civilização, dispensadoras do conhecimento disponível, da ciência, das artes e dos ofícios, de cura e profecia, servindo a Deusa no Seu Templo, vistas e sentidas muitas delas como a própria incorporação da Deusa na sua forma humana, tal como algumas famosas Dakinis, as Bailarinas do Céu do Tantra tibetano, ficaram conhecidas, por terem vivido como mulheres com existência historicamente comprovada.

Em meditação, elas dançavam à beira do mar. Quando quis saber o nome desse lugar,disseram-ne “Praia das Maçãs”… demorei uns segundos a entender que o clássico tema céltico das “maçãs” estava no topónimo.

LIBERATA é a Hespéride do Samhain, relacionada com a Morte, a Transformação e o Renascimento. Ela é a Grande Parteira, que ajuda a nascer para esta e para a dimensão pós-morte. Na antiga Roma, havia uma Deusa com um nome muito semelhante. Ela ajuda-nos a libertar da antiga forma, a deixar ir o que está velho e sem préstimo, Ela ensina-nos tudo sobre o desapego e, tal como a romana Liberia, Ela sabe tudo sobre como cuidar de quem está às portas da Morte. Ela é a Senhora do Teixo e a Moura Anciã. As Suas criaturas são o Sapo, o Corvo e a Coruja. Como tempo atmosférico, Ela é o raio e o trovão que por vezes nos apavoram e que acompanham as tempestades que trazem águas da dissolução, que ajudam a desfazer a antiga forma. A fase da lua a que Liberata está associada é a Lua Balsâmica, que acontece três dias depois da Lua Minguante. Ela convida à transformação, ao desapego daquilo que não é bom para nós.

GERMANA é a Hespéride do Solstício do Inverno (Yule). É Ela a mais velha das nove Irmãs. Muito secreta e reservada porque está além da forma. Embora a tradição nos diga que Ela era uma Santa como as Suas oito irmãs, é difícil encontrarmos um lugar de culto a Ela dedicado. Ela conhece os segredos das estrelas e do cosmos, É a Senhora do Pinheiro, a Moura Tecedeira, a Senhora da Roca – Aquela que tece os fios do destino. As Suas criaturas são a Águia e o Abutre. Como tempo atmosférico, Ela é o gelo e a geada que tudo cobre no inverno limpando as terras de parasitas. Ela é Sabedoria, Visão e Clarividência. Ela é também a Lua Negra, que acontece três dias antes do primeiro dia da Lua Nova, como um tempo de pousio, de recolhimento e de sonho, de transição entre a morte do que completou os seus dias e o crescimento do novo.
EUFÉMIA, A Hespéride do Imbolc, é a mais nova das Irmãs. Senhora da eloquência, protectora da garganta, da voz e da comunicação (ver “eufemismo”). Senhora da Oliveira e Senhora da Luz. É cultuada em montes sagrados, como na Serra de Sintra, no Monte de Santa Eufémia, guardiã da entrada na sacralidade da Serra da Lua. Senhora das Águas de cura, como as da fonte que aí se encontra. Ela é a Moura Menina. Os Seus animais totémicos são a Cegonha, o Cisne e o Lobo. Ela é a Lua Nova dos novos começos, sua é a pureza, a inocência, a alegria, a confiança e a excitação de estar viva/o neste mundo. Como tempo atmosférico, ela é a neve que em fevereiro cai nos lugares mais altos.

MARCIANA é a Irmã de Ostara, o Equinócio da Primavera. Ela mantém o Fogo da Primavera, da Fertilidade, da Kundalini, da Coragem e do Entusiasmo e é a Senhora da Aveleira e a Cobra Moura. Marciana relaciona-se com a energia do Urso, do Lince, do Gineto, da Lebre e do Coelho, do pica-pau verde, das Salamandras e dos Dragões do Fogo. Como fase da lua, Ela é a Lua Crescente, que simboliza os novos rebentos, aquela que precisamente traz atividade e crescimento. Como tempo atmosférico, Ela é a luz do sol, que em março começa a ser cada dia mais intensa.

GENIVERA ou GENEBRA é a Hespéride de Beltane que nos ensina todas as artes do Amor e do Prazer e é conhecida precisamente entre nós como a Senhora dos Prazeres. A Sua graça e beleza são enfatizadas quando é chamada Senhora das Flores, e enquanto Deusa da Fertilidade, também é invocada entre nós como a Senhora dos Campos e como Maia, a Rainha de Maio. Ela é a Moura Amante (vulgo “Sedutora”), a que aparece a pentear os cabelos com pente e espelho de ouro. É também a Senhora da Soberania da terra, ensinando-nos tudo sobre limites e fronteiras nos nossos relacionamentos. Genivera está conectada com os Cavalos e as Éguas, as Andorinhas e os bandos de pequenos pássaros que se movem no céu como se fossem um só corpo. Como tempo atmosférico, Ela é a nuvem e Seus são os nevoeiros que especialmente na zona Oeste, favorecem o crescimento das maçãs, o seu tom avermelhado e a sua especial doçura. Como fase da Lua, Ela é a Lua Convexa, que acontece três dias após a Lua Crescente e que convida à expressão através dos sentimentos.
MARINHA é a Hespéride de Litha, o Solstício de Verão, a Hespéride da Água, a Mulher Marinha, a Sereia das nossas origens, e a Moura das Fontes e a Senhora do Lago ou da Lagoa da nossa tradição. Como tempo atmosférico, Ela é a chuva e a sua árvore é o Sabugueiro. Como fase da Lua, é a Lua Cheia, que nos fala de plenitude e de realização, quando as nossas emoções estão no auge e estamos mais ligadas ao inconsciente e todas as potencialidades da nossa natureza humana estão mais ativadas. Marinha é a Senhora do Sabugueiro, as suas criaturas são as Baleias, os Peixes, as Ondinas, as Lontras, as Ninfas, as Sereias, os Dragões das Águas, bem como a Garça.

BAZÍLIA é a Hespéride de Lammas, que nos ajuda a sentir criativas e criadoras e a cuidarmos com autoridade e responsabilidade das nossas criações. Ela é a Moura Mãe e Parteira. Como fase da lua, Bazília é a Lua Disseminante, que acontece três dias após a Lua Cheia. Ela simboliza o fruto maduro, pronto a ser colhido, e convida-nos à autoavaliação, tendo em conta a nossa colheita. Como tempo atmosférico, Ela é o calor intenso do verão. A Sua árvore é o Freixo, uma das mais importantes da nossa tradição e em algumas culturas considerada como a própria Árvore do Mundo. As suas criaturas são os animais que nos ajudam a ter riqueza, como as ovelhas, as vacas e as cabras domésticas, mas também a Corça Branca, e a Poupa é sua ave. 

VITÓRIA é a Hespéride de Mabon, o Equinócio de Outono, é a Moura guardiã dos tesouros do interior da Terra, as pedras e os metais preciosos que já foram tão abundantes no nosso território, e o Seu culto permaneceu entre nós como Senhora da Vitória ou Santa Vitória. Ela é a Senhora da Azinheira (Quercus Ilex), com relação com todas as árvores da família Quercus, como o Sobreiro e o Carvalho. Como fase da Lua, Vitória é a Lua Minguante, que simboliza a última colheita, antes que a morte sobrevenha, criando espaço para a nova vida. Ela convida-nos ao recolhimento, que nos ajuda a prepararmo-nos para aceitar a mudança. Como tempo atmosférico, Vitória é o Vento, sempre tão abundante entre nós, que faz cair as folhas no outono, que contribui para a polinização, que modela o relevo e nos dá energia. Vitória é a Rainha protectora do território e é a própria terra. Como Protectora, ela lembra-nos que numa guerra não existem vencedores nem vencedoras, e que a paz se constrói quando nos asseguramos de que toda a gente tem o suficiente para viver, e não apenas nós, que os interesses de todas as partes estão assegurados. Ela traz-nos coragem, generosidade, desapego, altruísmo, enfoque no bem maior, na criação de sustentabilidade. Ela ajuda-nos a compreender que a verdadeira segurança resulta de confiarmos no processo da vida e de acreditarmos que existem recursos suficientes para todas/os e que querer apoderar-se de mais do que aquilo de que necessitamos é apenas um sintoma de imaturidade.
As Suas criaturas são o Javali, o Furão e o Texugo, os Elfos e os Gnomos e os Dragões da Terra, bem como o Gaio.
QUITÉRIA, cujo nome A relaciona com um dos títulos da Deusa fenícia Astarte (Kythere, Kyteria ou Kuteria, a Vermelha) ou com a Deusa grega Afrodite, nascida na ilha de Cytherea, é a Hespéride do Centro, Senhora da Beleza, da doçura e das delícias do nosso Jardim Dourado. Na sua festa no Monte de Santa Quitéria, que já se designou por Pombeiro, lembrando-nos que a Pomba é precisamente uma das Suas criaturas, as mulheres oferecem-lhe cestos cheios de flores e usam a cor vermelha em grande profusão. Ela é a guardiã dos mistérios das Mouras Encantadas do nosso território.  Sem dúvida que a energia da Hespéride Quitéria reforça no nosso território a dimensão amorosa, erótica, prazenteira, calorosa e sensual, que é central num paraíso, num Jardim como o das Hespérides, um lugar de delícias. Os Seus dons de cura são igualmente imensos como nos atesta uma instituição que subsistiu em Meca, perto de Alenquer, até há relativamente poucos anos, talvez até meados do século XX, conhecida como Irmandade de Santa Quitéria. Os membros dessa instituição iam anualmente de terra em terra, distribuindo, a troco de donativos, pequenos pães sagrados, que se guardava religiosamente em casa, por terem o poder de proteger os cães contra a raiva.
Quitéria é a Senhora da Macieira e suas criaturas são a Pomba e o Cão.

Fonte: A Deusa do Jardim das Hespérides, Luiza Frazão






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