sexta-feira, 3 de abril de 2026

Páscoa - uma celebração antiga da ressurreição da vida

 

A Páscoa era uma celebração de que gostava muito na minha infância na aldeia. Era Primavera e havia férias, e como o padre e todo o seu séquito ia de casa em casa, havia que lavar e caiar tudo na véspera. Era ainda preciso ir ao campo apanhar as flores amarelas, chamadas Maias, que apesar do nome, são das primeiras a abrir no início da primavera. Espalhavam-se pelo chão à entrada da casa e assim o padre sabia que aí seria devidamente recebido. Nas minhas recordações mais antigas, ele vinha de carroça, com as gaiolas para as galinhas e coelhos que receberia, bem como sacos para os cereais. Era assim que se pagava anualmente pelo seu serviço espiritual à comunidade. Depois, o pagamento passou a ser feito em notas deixadas dentro dum envelope em cima da mesa da sala. Esta era coberta com a toalha mais bonita, enfeitada com uma jarra de flores e tacinhas de vidro ou porcelana para as amêndoas e os confeitos, que evocavam os ovos de Eostre e eram no fundo o que dava o sabor à festa.

Mas a Páscoa, como sabemos, tem uma origem muito arcaica, relacionada com a alternância das estações. O que se celebra é o renascimento da natureza após a morte do Inverno.

Partilho este texto que alguém partilhou comigo e cuja autoria desconheço:

"A Páscoa que Existia Antes da Cruz: O Despertar da Deusa Viva

Muito antes de se tornar a festa da crucificação e ressurreição de um Cristo, a Páscoa era, em diversas culturas antigas, uma celebração Solar-Lunar profundamente ligada à fertilidade, ao Equinócio da Primavera e ao triunfo da Vida sobre o Inverno.

Era o instante em que a Terra Mãe despertava novamente, cobrindo-se de flores, fazendo os animais renascerem, os rios correrem mais vivos e o corpo da mulher celebrar a sua própria fertilidade.

Nesse tempo sagrado, várias divindades femininas personificavam a essência da Páscoa:


 OSTARA / ĒOSTRE 

Deusa germânica da Aurora e da Primavera. 

Símbolos: ovos coloridos, coelhos, flores e a primeira luz da manhã. 

→ O nome “Easter”, em inglês, deriva diretamente do seu nome. 

→ Simboliza o regresso da luz, o equilíbrio perfeito e o início de um novo ciclo.

🌟 ISHTAR / INANNA 

Deusa suméria-babilónica do amor, da fertilidade, da paixão e da transformação. 

→ Era celebrada o seu regresso do submundo após três dias de morte — uma história que ecoa fortemente a ideia de ressurreição. 

→ Os seus rituais de primavera eram plenos de energia criadora e fertilidade.

🌹 ISIS 

A Grande Mãe egípcia, senhora da magia, da cura e da ressurreição. 

→ Reconstrói e devolve a vida a Osíris, dando à luz Hórus, o Sol renascido. 

→ Representa a morte e o renascimento como um acto supremo de amor e de poder mágico.

 AINE 

Deusa celta irlandesa do Sol, da fertilidade e da abundância. 

→ Honrada no limiar da primavera e do verão. 

→ Ligada à terra fértil, à sexualidade sagrada e ao rejuvenescimento dos campos.

 DEMÉTER / PERSEFONE 

Na mitologia grega, Deméter, deusa da colheita, vê a filha Perséfone ser levada para o submundo. 

→ O seu regresso traz de volta a primavera e a vida à Terra. 

→ Esta narrativa é uma bela alegoria ao ciclo do inverno (morte) e da primavera (ressurreição).

 FRIGGA / FREYJA 

Deusas nórdicas do amor, do nascimento e da renovação cíclica. 

→ Freyja percorria os céus numa carruagem puxada por gatos, simbolizando a energia lunar e feminina. 

→ Eram veneradas nas festas da primavera e da vitalidade da natureza.

 E A PRÓPRIA MARIA MADALENA... 

Na tradição esotérica e gnóstica, Madalena incorpora o sagrado feminino do Cristo Solar. 

→ É ela a primeira testemunha da Ressurreição. 

→ Em muitas correntes ocultas, representa a Deusa eterna que permanece, a Consciência que sempre renasce, a Rosa Mística que nunca se extingue. 

→ Funciona como ponte viva entre o feminino ancestral e a era de luz que se anuncia.


Ishtar, Isis e Ostara estão intimamente ligadas à verdadeira raiz da Páscoa, mas não são as únicas. 

Elas fazem parte de uma vasta teia de manifestações da Deusa da Ressurreição e do Equilíbrio, presente em quase todas as culturas antigas — até que o patriarcado institucional transformasse o rito sagrado de vida e renovação num símbolo de sofrimento e dor."

Então, celebremos a Páscoa antes da cruz, o Equinócio da Primavera! Honremos a Deusa que floresce, que ressuscita, que dança e que ama sem limites, a Terra que se levanta, o útero vibrante da Grande Criadora e a memória ancestral que regressa, primavera após primavera.

 Luiza Frazão

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