Série especialmente dedicada às nossas Deusas das Águas, tema da Conferência da Deusa Portugal 2026
Deusa Maria
Na Invocação do seu Sermão de Santo António aos
Peixes, o famoso pregador português do séc. XVII, o Padre António Vieira, invoca
Maria como Domina Maris (Senhora do Mar). Em outras ocasiões, ele usa
imagens marítimas para falar de Maria, dando-Lhe também o título de Stella
Maris (Estrela do Mar) e desenvolvendo a ideia de que Ela é guia e
protecção dos navegantes no meio das tempestades, “Estrela que governa o mar
desta vida”; “Senhora das ondas e dos ventos”; “Porto seguro no
mar das tribulações”. Com o mar simbolizando o mundo instável, a vida
humana em perigo, a salvação como porto seguro. Maria é então Aquela que orienta,
a Senhora que domina os elementos, o Porto seguro onde a alma encontra abrigo,
ou seja, Aquela que protege a grande travessia, que é a própria Vida.
Para a investigadora e autora espanhola Marta Blanco Fernández,
Maria faz parte dum imaginário espiritual mais amplo, ligado ao feminino
sagrado que foi silenciado ou marginalizado pelas religiões patriarcais, e a sua
presença contínua nas tradições populares e devocionais indica que o sagrado
feminino sobrevive e se reconfigura através dela. Ela diz de Maria: “Não é
um vaso, mas o oceano primitivo que contém o sol; porque se Maria é a mãe de
Deus, quem é Maria?”
Na nossa roda do ano, Maria, tão cultuada entre nós, neste território dominado pelo mar, como Mãe de Misericórdia, protectora, Senhora do Mar de todas as Emoções, está em honra no Solstício de Verão, o festival de Litha, festival das Águas, como Senhora da Compaixão que tudo abarca e protege; do Amor Incondicional; da Cura, das águas de cura, como as das lágrimas, que dissolvem as nossas toxinas emocionais.


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