terça-feira, 16 de junho de 2020

Onde Encontrar a Deusa em Óbidos

 

Na informação histórica sobre esta vila de Óbidos, consta que terá sido fundada pelo povo Celta em 308 a.C. e não é difícil descobrirmos por aqui vestígios do culto da Grande Deusa Celta, que foi Brígida/Brigântia, na origem a mesma Deusa.

Assim como na Irlanda esta Deusa partilha o Seu poder sobre a terra com outra divindade, Erin/Eriu/Eire, também em Portugal é possível encontrarmos uma estreita relação entre Ela e Iria, que se manteve na devoção cristã como Santa Iria, uma presença constante praticamente do Norte ao Sul, mas em especial na zona Centro do país.
Aqui perto, na Usseira de Óbidos, se realiza uma feira anual, a 20 de Outubro, a Ela dedicada, e sob a Sua protecção se encontrava também o aqueduto construído no séc. XVI, que trazia água de um manancial existente nessa localidade até à vila de Óbidos.
Aqui ainda se celebra com grande pompa o Imbolc celta, com festejos muito concorridos, que começam de forma bem precoce a 17 de Janeiro, no monte agora dedicado a Santo Antão, onde antes se fazia a bênção dos animais, e agora, ainda no meio de grande animação, apenas se compram e põem a arder velas protectoras enroladas nas fitinhas cor-de-rosa da Deusa Donzela, que é a Pastorinha, protectora dos rebanhos, da agricultura, Deusa da cura, das águas sagradas de cura, do fogo da forja, da poesia, da sabedoria, da profecia, da magia, do limiar e de todas as artes e ofícios.

Crê-se que as tradições desta Grande Deusa Celta foram, com o cristianismo, herdadas também pela Senhora invocada como Santa Maria, à qual foi dedicada a mais bela e imponente igreja de Óbidos, onde se podem apreciar, além de outras obras de arte, representações de Santa Catarina pela pintora local, que viveu no séc. XVII, Josefa de Óbidos. Ainda pelo Imbolc, a Candelária cristã, na noite de 1 de Fevereiro sai habitualmente uma procissão com banda de música e velas acesas nas mãos das e dos devotos, desde a Porta da Graça até Santa Maria. Nessa cerimónia faz-se a bênção dos bebés recém-nascidos, repetindo-se por certo um gesto bem antigo de invocar a protecção de Brígida, que é também a Deusa Parteira.

Só referir ainda que a casa que alberga o Templo foi encontrada pelo Imbolc de 2017 e a assistente social que deu o nome à travessa onde se encontra, Maria Adelaide Ribeirete, foi a mesma que criou os famosos bordados de Óbidos, inspirando-se precisamente nos desenhos que decoram o tecto da mesma igreja de Santa Maria, e que depois deu às mulheres habilidosas e carenciadas da região para, com a sua venda, às e aos turistas em número crescente, poderem ter mais meios de subsistência. Aqui bem perto, corre a Biquinha, uma nascente de águas de cura, excelente para curar males dos olhos. Brígida, ou Iria-Brígida, Santa Maria, Senhora da Graça, Deusa das águas de cura e das artes e ofícios, aqui cultuada por séculos e séculos continua bem presente nesta bela região do Oeste de Portugal e a Ela foram por certo também dedicadas as águas termais de cura, que antes de serem as caldas da Rainha, brotam aqui bem junto das ruínas de Eburobricio, que se julga ter sido o berço da Óbidos actual, topónimo que só por si já contém no sufixo –bricio a referência a esta mesma Deusa de que falamos. Abençoada seja.

Luiza Frazão

segunda-feira, 16 de março de 2020

A Linguagem da Deusa nos Bordados de Óbidos

 

Nos bordados de Óbidos, criados por Maria Adelaide Ribeirete no século passado, com inspiração na decoração barroca do tecto da igreja de Santa Maria, encontramos símbolos e motivos que desde o Neolítico, pelo menos, fazem parte daquilo que a arqueomitóloga Marija Gimbutas considerou ser a linguagem da Deusa.

Também Riane Eisler, em O Cálice e a Espada, nos fala dessa arte neolítica, que expressa uma cosmovisão feminina que depois a cultura minoica  tão profusamente cultivou e desenvolveu em Creta, uma civilização muito influente no passado cujas marcas encontramos também aqui no nosso território por todo o lado.


“Na verdade este tema da unidade de todas as coisas na natureza, personificada pela Deusa, parece permear toda a arte neolítica. Porque aqui o poder supremo que rege o universo é uma Mãe divina que dá a vida ao seu povo, lhe proporciona o sustento material e espiritual e com a qual se pode contar até na morte para levar os filhos de regresso ao seu útero cósmico."
O movimento ao mesmo tempo da serpente enrolando-se em espirais duplas, que evocam os olhos de sol da Deusa, ainda são sugeridos por estes motivos que as mulheres bordam até hoje. Na segunda imagem, reconhecíveis jarrinhos de água evocando a natureza fértil, doadora de vida, da Deusa, um dos motivos indispensáveis nesta arte manual feminina tão preciosa cultivada aqui...

"Aquilo que encontramos por toda a parte – em santuários e nas habitações, nas pinturas murais, nos motivos decorativos dos vasos, em esculturas, estatuetas de barro e baixos-relevos – é uma série de símbolos oriundos da natureza. Associados à adoração da Deusa, estes atestam respeito e deslumbramento perante a beleza e o mistério da vida."

"Há serpentes e borboletas (símbolos de metamorfose), que em tempos históricos são identificados com os poderes transformadores da Deusa." Riane Eisler, O Cálice e a Espada: a nossa história, o nosso futuro, Via Óptima Já sobre os bordados de Óbidos, lê-se na informação:


"Arabescos, pássaros, o castelo e a palavra Óbidos, bordados em tons de azul, rosa, salmão, verde, amarelo e castanho compõem os bordados de Óbidos. Criados em meados do século passado por uma obidense, Maria Adelaide Ribeirete, nestes bordados são empregues os pontos pé de galo para o preenchimento e o ponto pé de flor para os contornos, sobre o linho branco, meio linho ou estopa. É com franja executada no tear manual ou ainda com bainha presa com os mesmos pontos que se empregam no trabalho que se terminam os bordados.
Os motivos foram inspirados no tecto da nave central da Igreja de Santa Maria. Para passar os desenhos para o papel colocavam um espelho no chão, que os reflectia e assim facilitava o seu trabalho." http://www.obidos.pt"

Fontes:

Marija Gimbutas "The Language of the Goddess"

Marija Gimbutas "The Goddesses and Gods of Old Europe" Imagem - Bordados de Óbidos expostos na sede da Associação Artesanal e Artística "Bordar Óbidos"



©Luiza Frazão Imagens

1. e 2. Marija Gimbutas, The Language of the Goddess
3. Marija Gimbutas, The Goddesses and Gods of Old Europe
4. Bordados de Óbidos

quinta-feira, 12 de março de 2020

Machado Duplo, o antigo Labrys cretense

Achei curioso ter encontrado em Óbidos o Machado Duplo tão típico da cultura da Deusa cretense. Imagino que não seja nenhum exclusivo local, embora estes tenham inscrito o nome da vila na sua superfície. Aqui, como em outros lugares, ele é considerado uma simples arma de brincar, à venda no comércio local tal como arcos, flechas e espadas de madeira que por norma se oferecem às crianças sobretudo pela feira medieval de Julho...

MACHADO DUPLO - LOGOGRAFIA PARA MULHER

"O Machado Duplo, ou Labrys (ou Labirys) é um símbolo importante da Deusa Dupla, representando o poder sobrenatural multiplicado por dois, “o poder do dois” (ver Marija Gimbutas, A Linguagem da Deusa). Claramente, as duas lâminas, com a forma de meias-luas, do machado referem-se às fases crescente e minguante, nascimento e morte, e ao ritmo mensal do sangramento alinhado com a renovação permanente do ciclo lunar.
The Language of the Goddess, Marija Gimbutas

São estes crescentes evocando chifres, colocados de costas um para o outro, que formam o Machado Duplo das antigas culturas da Deusa, criando um dos primeiros e mais duradouros glifos da Deusa Dupla.
Machados duplos cerimoniais,
Museu Nacional de Arqueologia, Heraclion, Creta
Segundo Gimbutas, “O machado duplo da Idade do Bronze era na origem a representação duma Deusa da Morte e Regeneração com forma de ampulheta. Embora os linguistas tendam a achar que não, seguramente que a palavra Labyris tem relação com “lábia”, a qual por sua vez se relaciona graficamente com o conceito de Machado Duplo. Esotericamente, o conceito de Deusa Dupla como está expresso no Machado Duplo pode referir o clítoris e lábia de cada fêmea como o lugar do poder regenerador, lugar da sexualidade feminina multiorgásmica que evidencia a mulher como centro sagrado de todos os rituais devocionais tântricos. No seu livro sobre o papel da mulher nos ritos do Budismo Tântrico tibetano, June Campbell lembra-nos que OM MANI PADME HUM (“salvé, jóia no centro do lótus) é o mantra mais comummente recitado no Tibete. Chamando a atenção para o facto de este mantra ser dirigido a uma divindade feminina, Manipadma, Campbell reconstrói linguisticamente a expressão como sendo uma invocação da “divindade do clítoris-vagina”. Muito antes da invenção do “hieros gamos” (o casamento sagrado da masculino e do feminino), o Machado
Duplo foi um símbolo largamente difundido da qualidade dupla de cada mulher.

Complexo do Templo de Malia, Creta
Parece que o Machado Duplo seria a representação mais simples do corpo feminino, a ampulheta criada por dois triângulos unidos no centro (a cintura), uma logografia de mulher.
No seu trabalho inicial sobre a deusa, Marija Gimbutas enfatiza a forma de borboleta do machado, insistindo que "o emblema da Grande Deusa na sua origem nada tem a ver com o machado; ele antecede o aparecimento de machados de metal por vários milhares de anos. " Na Idade do Bronze fizeram-se machados na forma de borboleta (lâmina dupla) e, quando a "borboleta se tornou um machado duplo, a imagem da deusa como uma borboleta continuou gravada em machados duplos". A transformação de borboleta em machado é atribuída aos indo-europeus recém-chegados e à importância que eles atribuíram ao machado do seu deus do trovão, Zeus, para o qual este era sagrado, e que acreditavam estar imbuído de poder. No entanto, a borboleta como símbolo central da Deusa regeneradora remonta pelo menos ao sexto milénio a.C., onde ela encarna o princípio da transformação."

in Vicki Noble, The Double Goddess: Women Sharing Power

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Setembro... abençoado!



Setembro é um mês de finais e de recomeços, e este ano na minha agenda ele estava particularmente preenchido com compromissos e desafios. Destaco a cerimónia de dedicação da Primeira Espiral da formação de Sacerdotisas da Deusa do Jardim das Hespérides e a peregrinação a Glastonbury/Avalon, para além duma maravilhosa cerimónia de União de Mãos, abençoada pela Deusa, pela energia céltica de Óbidos e pela da Lua Cheia das Colheitas.

A noite de dedicação à Deusa como Irmã das Hespérides foi abençoada pela chuva de Marinha que caiu em abundância a sul, sobre a terra de Cale, Hespéria e Ophiusa. Foi uma cerimónia de inesquecível magia e poder transformador em que passámos para lá do véu, cruzando o limiar do Jardim das Hespérides. 

Dois dias depois embarcava para uma peregrinação a Glastonbury/Avalon com algumas irmãs, aproveitando a ainda fina espessura dos véus que aí recobrem a dimensão da Senhora. E também o tempo todo abençoadas pela chuva de Marinha e de Gliten e pelos ventos de Vitória e de Moronoe, com Ela e as Suas oito irmãs abrindo-nos os portais dos Seus domínios. Para o Templo da Deusa de Glastonbury, respondendo ao pedido de Kathy Jones, levámos a nossa Deusa Maia, uma Sua representação, daquelas que entre nós sobreviveram à destruição patriarcal. Maia esteve presente na nossa Conferência da Deusa em Sintra em maio deste ano, 2019, onde Kathy Jones se encantou por Ela e pela forma como a bailarina e professora de dança Ana Bergano, bem como os restantes elementos da Primeira Espiral da formação de Sacerdotisa da Deusa do Jardim das Hespérides A apresentou à assistência na primeira manhã. 

Tirando as questões práticas e a responsabilidade de quem organiza, sim, é com o coração repleto de gratidão que posso dizer que o êxtase me visitou muitas vezes, apesar de tudo, neste glorioso mês de setembro de 2019... Abençoada me sinto.

Deusa, como é importante que a nossa vida tenha sentido e propósito e como Te sou grata por mos forneceres! Abençoada sejas.

terça-feira, 20 de agosto de 2019

CONFERÊNCIA DA DEUSA PORTUGAL 2019


Algumas das opiniões sobre a nossa gloriosa Conferência, esperamos que seja a primeira de muitas, que aconteceu em Sintra pela Lua Cheia de Maio 2019. O próximo está agendado para 14, 15 e 16 de Maio de 2021.

O dia terminou com um concerto fantástico da Teresa Gabriel e deixou, sem dúvida, muita saudade a todos os participantes. No geral posso dizer que a Conferência foi uma experiência transformadora, intensa e inesquecível. Mal posso esperar pela do próximo ano onde farei questão de estar presente para reencontrar estas irmãs e irmãos, vivenciar novas experiências e voltar a casa.
Alexia Moon


O desejo de amor e sororidade eram palpáveis e as magas cerimonialistas que conduziram este festival foram exímias em proporcionar-nos oportunidades para mergulharmos e sermos inundadas nessa irmandade feminina. Parabéns a estas Sacerdotisas. Parabéns ao Templo da Deusa do Jardim das Hespérides por acolher este projeto e o concretizar em Portugal.
Depois do primeiro episódio do Akelarre (vide e ouvi aqui), muitas foram as pessoas que comentaram connosco as Brumas de Avalon enquanto referência no início do caminho para o Paganismo. E depois da viagem que foi esta conferência, muita coisa se colou em sentido. Deixo-vos com esta imagem: mulheres em círculo, confiantes, sem medo, reverentes, orgulhosas, de mãos dadas, a cantar a uma força semelhante e ao mesmo tempo transcendente em espírito, muitas descalças, girando na terra, rodeadas de verde no meio de dois altares. Esta imagem para mim, em muitos níveis, é um grito de liberdade.
E que bela imagem. E que belos dias. E que belas mulheres chegámos e mais belas nos tornámos neste processo de conhecimento e descoberta do que nos faz "nós" enquanto seres humanos e sagrados.
Mariana Vital


sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Glorioso e abençoado Solstício de Inverno!


Que Cale do Ar nos traga os dons da quietude, do silêncio e da interiorização neste tempo de pousio em que a terra sonha com a nova vida e a Grande Tecedeira entrelaça mais uma vez os fios da Teia da Vida. Que o Seu vento forte limpe a nossa mente de pensamentos obsessivos que não nos servem mais e nos traga clareza para que novas ideias, novos sonhos e projetos, novas formas de estar na vida possam surgir e motivar-nos no nosso caminho. Que as Suas aves nos inspirem a voar mais alto, a sonhar cada dia com mais e mais liberdade, visão e expansão...

E que a magia deste tempo nos ajude a conectar com a sabedoria antiga, local e planetária, e a receber os seus dons que mais profundamente nos ligam à Vida em todas as suas dimensões, física e não física, terrena e cósmica. 



Acredito que, neste tempo do Espírito, essa sabedoria, se a ela nos abrirmos, sempre fica mais acessível... encontramos sempre algum Ancião ou Anciã sábia e inspiradora que nos conecta mais profundamente com a Alma do Mundo... como este ano as Babushkas de Buranova… Abençoadas! 

sábado, 17 de fevereiro de 2018

LIVRO A DEUSA DO JARDIM DAS HESPÉRIDES - 3.ª EDIÇÃO, EDITORA ZÉFIRO

Cale é a Deusa tutelar do nosso território, cujo nome, Portugal, deriva do Seu próprio nome. Ela é igualmente Calaica, Cailícia ou Beira, Anciã e Donzela, Senhora do Tempo, Guardiã dos Mistérios da Vida e da Morte. Nos nossos mitos e narrativas populares, Cale é lembrada como a Velha, muito velha, que se transforma numa cabaça, cuja forma evoca as antigas representações da Deusa; mas também como Dona Marinha, a Mulher-sereia; como a Pastorinha, como Iria-Brígida, Britiande, Senhora das Águas de Cura, da Poesia, do Fogo da Forja, como a Senhora da Oliveira, como Dona Chama; como a Senhora do Ó, a Senhora do Leite, a Senhora da Boa Hora, a Senhora do Monte, do Fetal, da Fonte, a Ninfa das Águas e dos Bosques. 
Ela é a Moura Encantada, Ofiusa, a Cobra-moura, e é Hespéria, Ibéria, a Senhora do Almurtão. A Sua dimensão é o Jardim das Hespérides, um paraíso de sororidade, onde o círculo das Nove Irmãs do Poente guarda as maçãs de ouro da sabedoria e nos dispensa os dons da imortalidade.
A Deusa está viva no Jardim das Hespérides, viva na nossa paisagem, nos Seus lugares de poder. A Sua cabeça talhada na pedra, como em S. Romão, na Serra da Estrela, em Sortelha ou em Idanha-a-Nova, inunda a terra da Sua presença, cada vez mais e mais notada e sentida neste momento em que por todo o lado se celebra o ressurgimento da Deusa na consciência da humanidade. O Seu corpo é suave e curvilíneo, como os montes, o Seu ventre, com as suas caves uterinas, ou os Seus seios quando se erguem aos pares. Águas uterinas escorrem das límpidas fontes e nascentes, lugares de Ninfas, onde a Senhora se manifesta por vezes em breves epifanias.
Ela está viva, cada vez mais viva, no coração das mulheres e dos homens, que por todo o lado e afinal desde sempre a vêm celebrando, o coração agradecido e reverente, aberto a receber mais e mais da graça da Sua beleza, do Seu amor e inspiração.
 Neste livro apresento o resultado da ,minha investigação de vários anos na tradição da Deusa no nosso território, trabalho esse de que resultou a criação duma Roda do Ano de Cale. Aqui a ficamos a conhecer com a energia própria de cada momento e as correspondentes faces de Cale; com as Hespérides, os animais totémicos, as árvores sagradas, lugares de poder e as tradições com que celebramos cada uma das oito festividades que marcam o ano da Deusa.

Testemunhos:


"Voltei a pegar no livro da Luiza Frazão que me chegou ontem, A Deusa do Jardim das Hespérides...e estou a dar-me conta comovida de um trabalho muito sério e aplicado de uma mulher estudiosa e dedicada à causa da Deusa que nele faz uma abordagem muito conscienciosa e alargada da nossa história (não contada) e de toda esta ânsia que temos de nos reencontrarmos com a nossa Memória ancestral e sentir esta imperiosa necessidade da volta da Deusa Mãe. Como é reconfortante reencontrar e saber dos lugares de origem do Culto e da tradição da Mãe na nossa terra em que a Mulher era soberana e senhora de si. Em que a mulher era Sacerdotisa, e sobretudo Mulher inteira!
Ah como é sensível acordar para as nossas memórias mais recônditas...e como eu me lembro delas...como tenho saudades de um tempo assim... e como sonhei revivê-lo na pele... Obrigada Luiza Frazão por me ajudar a reviver esse sonho que tanto desejamos que se torne realidade para todas nós! Este livro é do interesse de todas e sinto que a Luiza não só colocou nele muito de si como tem a marca de uma grande honestidade e empenho! Estou muito contente por si...por os nossos caminhos se terem tocado e haver uma mulher séria como a Luiza que levou tanto a sério a Deusa...”


Rosa Leonor Pedro, autora do blogue Mulheres & Deusas e do livro com o mesmo nome (entre outros sobre o sagrado feminino).



Sempre me questionava sobre a falta de informações dos cultos da Deusa em Portugal, muitas bênçãos pelo seu trabalho de garimpo e divulgação, seu livro é fantástico, amei!

Mirella Faur, iniciadora do movimento da espiritualidade feminina em Brasília, com os rituais públicos dos plenilúnios, as celebrações da Roda do Ano, os grupos de estudos e a realização de ritos de passagem. É autora dos livros “O Anuário da Grande Mãe, Rituais práticos para celebrar a Deusa”, “O legado da Deusa. Ritos de passagem para mulheres” e “Mistérios nórdicos. Mitos. Runas. Magias. Rituais”, bem como de diversos artigos em publicações nacionais e estrangeiras.



O livro "A Deusa do Jardim das Hespérides, de Luiza Frazão, é um esforço imenso e bem sucedido, porque também de investimento pessoal e auto-descoberta, da aplicação de uma "metodologia" - desenvolvida por Kathy Jones no Templo da Deusa de Avalon, em Glastonbury - ao território português, lugar da Deusa Cale, Gaia, a Anciã...

Entre a torrente de informação fascinante que a autora vai desvelando em pistas, que depois poderão por nós ser aprofundadas consoante o sentido - emocional, geográfico, de saber, de memórias - que elas nos façam. Destaco aqui algumas.
O sentido que me fez saber que a Praia das Maçãs, com vista para o Monte da Lua (de Cynthia), lugar da minha infância e juventude e que muito me atrai, é lugar da Cale da Água, Senhora do Mar, festa de Litha, Solistício de Verão...  Também pude enquadrar o meu fascínio pelos cultos paleo-hispânicos, que havia estudado outrora na faculdade numa cadeira, algo obscura, leccionada pelo professor Cardim Ribeiro, e que, não por acaso, está à frente do Museu de Odrinhas, um museu maravilhoso, entre Sintra e a Ericeira, com muita informação a explorar a quem se quiser dedicar a estes temas, e que publicou alguns artigos sobre os cultos paleo-hispânicos, nomeadamente sobre o Templo à Lua, Sol e Mar, justamente no promontório que liga a Praia das Maçãs à Praia Grande.
Depois outras informações me assolaparam, como o culto a Sra. do Monte, que remete para um lugar onde vivi durante três anos (no bairro da Graça, em Lisboa). É um lugar antiquíssimo, num dos pontos mais altos da cidade (há quem diga que é a melhor vista de Lisboa com o Tejo - Tétis ! - lá ao fundo) e onde já existiria algum tipo de culto que D. Afonso Henriques logo aquando da conquista da cidade fez questão de suplantar, mandando erguer uma capelinha e consagrando-a como lugar de
culto cristão. Nessa capela consagrada à Sra. do Monte existe a famosa cadeira de S. Gens, na qual as grávidas se vão sentar para obter a promessa de um bom parto.

Também a referência à Sra. do Leite me soou muito. As imagens não abundam em território nacional tal como as da Sra. do Ó. Motivo entre nós reprimido pela Inquisição, a representação da Sra. do Leite encontra-se em alguma pintura italiana do final da Idade Média e do Renascimento, em cujo território sobreviveu melhor, apesar da Contra-Reforma. No entanto, há um quadro muito delicado do século XVI do Mestre da Lourinhã que representa a Sra. do Leite, mas cuja proveniência, provavelmente uma igreja ou convento, se perdeu no tempo (é possível vê-la agora na Fundação Medeiros e Almeida, em Lisboa).

Igualmente a informação de o Caminho de Santiago, que já fiz algumas vezes enquanto peregrina, ser afinal uma reminiscência do Caminho da Deusa... E pensar que ele, o caminho iniciático, só está verdadeiramente completo se a peregrina, depois de chegar a Santiago, fizer mais 80km até ao cabo Finisterra, onde se deve desfazer do "velho", daquilo que já se não necessita, qual Ophiusa trocando de pele!...

 É, então, um livro realmente importante, sobretudo também por uma certa dimensão política, como o seu engajamento numa corrente feminista ecologista, a mais progressista actualmente e de maior alcance, que advoga o regresso à Grande Mãe, respeitando todos os seres. Frazão faz referência à importância dessas "pequenas grandes coisas" que são as sementes, mencionando o activismo de Vandana Shiva (Declaração da Liberdade das Sementes) ou referindo a Teoria da Resposta da Terra ou Teoria de Gaia, de James Lovelock.
Mas o mais fundamental do gesto de Luiza Frazão, na senda do gesto inicial de Rosa Leonor Pedro, é efectivamente o resgate da Deusa em contexto nacional, desvendando mitos, história(s) e lendas, recorrendo também à etimologia dos lugares, às Canções de Amigo e até à obra seminal de Luís de Camões. É que se são importantes as cosmologias e tradições indígenas das Américas que nos têm visitado, é fundamental resgatar e respeitar as cosmologias e tradições do nosso território e que (quase) se perderam no tempo, bem como a (intrínseca) ligação da mulher à Deusa, que não é ninguém senão ela própria, e à Mãe Terra. Isso mesmo - a procura das tradições da Deusa em território nacional - já havia aconselhado a Xamã e Mulher Medicina, de origem chilena e equatoriana, Mamma Andrea Atekokolli.

Por isso, "A Deusa do Jardim das Hespérides" de Luiza Frazão é de leitura obrigatória a todas as mulheres que estão na senda da Deusa e de si próprias, em Tendas Vermelhas (e Azuis) por esse Portugal a fora, segura que estou que é uma "semente" que muito em breve dará os seus frutos.

Inês Beleza Barreiros (investigadora)


No momento em que comecei a ler esta obra, fui invadida por uma ressonância íntima que bem conheço. E, à medida que fui avançando na leitura, confirmou-se o sentimento e a emoção de estar perante o resultado de uma investigação a camadas profundas, não  desveladas, da história da humanidade terrestre na qual o paradigma central do patriarcado, vigente há milénios, infligiu feridas profundas, nomeadamente pela masculinização, sob o ponto de vista cultural, social e religioso, dos traços e indícios que o Sagrado Feminino imprimiu à sua passagem.

A obra de Luiza Frazão é um muito importante livro de referências sob este ponto de vista e restitui-nos um sentido de integralidade e de equilíbrio tão necessários no contexto histórico em que vivemos. Na verdade, por todos os lados afloram à superfície da vida ecos de uma outra ordem de valores, uma espécie de re-acordar de memórias ocultas no fundo de psiques mutiladas que, ante a decadência profunda a  que a vida na Terra chegou, buscam com determinação alternativas mais saudáveis para o futuro. E a autora buscou na “memorabilia” natural, nos poucos registos na pedra, nas tradições muitas vezes distorcidas e na mitologia,  a recuperação de um sentido novo para a vida, assente no amor pelo natural e descodificação dos seus códigos secretos, na solidariedade, dádiva e compaixão, na paz e na abundância, na celebração da vida e da morte como processo transformacional. As Hespérides do Jardim Dourado que ela localiza no nosso território, representam, cada uma, aspectos fundamentais do legado feminino, englobados na Deusa Cale (palavra que habita, segundo a autora, o étimo de Portugal) a qual a esta parte do mundo preside.

“A Deusa no Jardim das Hespérides” é um acto imbuído de sinceridade e de busca determinada e paciente de uma verdade maior, até hoje oculta da nossa consciência e, sobretudo, da formatação que nos tem sido abusivamente imposta desde o dia em que nascemos. Um acto criativo e estimulante, restaurador do feminino ancestral e do ritual na vida humana, um acto que merece toda a nossa gratidão!





Livro lindíssimo. Muito bem escrito e a pesquisa realizada é fantástica. Amei.

Carmen Eloah Boff (Académica, Brasil)


"(...) pois foi aqui que na procura do significado da Lady of the Lake, numa sequência de sincronicidades, me demonstraram o seu livro.
Adorei e estou de verdade surpreendida pela riqueza que alberga!
Recomendo vivamente, pois para mim foi uma grande surpresa conhecer esta riqueza que albergamos, mesmo aqui, em casa. Parabéns, Luiza Frazão, por este magnifico trabalho de investigação."


Ana Maciel 

"Um dia num ritual trance dance, apareceu-me a palavra Cale. O som entoava com tanta força na minha cabeça que no fim perguntei ao facilitador que sentido é que tinha aquela palavra pois para mim não tinha qualquer significado. Ele aconselhou-me a procurar na net… tinha muito a descobrir… Descobri a Deusa Kali. Mas era Cale… por acaso, como tudo na vida, descobri o livro “A Deusa do Jardim das Hespérides” de Luiza Frazão.

Quando o comecei a ler, não consegui parar mais… foi surpreendente descobrir tanta coisa sobre as Deusas da nossa terra, tudo aqui tão perto, tudo tão presente e eu ainda não tinha reparado...
Agradeço de alma a oportunidade de adquirir este conhecimento através deste livro. Sem dúvida que mudou a minha visão sobre as Mulheres, a Mãe-Natureza, as Deusas… " 

Celeste Fernandes



"Já acabei o teu precioso livro. Gostei mesmo muito. É para mim um "abc" da Deusa. Um "abc" da Deusa (s) do nosso território. Excelente documento apela a mais conhecimento e à viagem para veneração dos locais de culto da Deusa Mãe.

 Sinto vontade de ir novamente a terras de Idanha, Penha Garcia, Monsanto, Sra do Almurtão , Zona que me chama e onde já estive várias vezes de férias; Alandroal, Redinha , zona de Foz Côa e, tantas outras regiões, que se não fosses tu e o teu modo exaustivo de pesquisar, e a tua inspirada  escrita , eu não teria acesso à informação preciosa que divulgas."

Elizabete Santos

 

"…já recebi o seu livro... Ontem só consegui ler umas páginas dispersas mas fiquei logo com muito interesse... Hoje já tive oportunidade de o iniciar e quero partilhar consigo que estou a amar descobrir o tanto que há da Deusa manifesto em nós. Sempre senti este apelo, desde pequena que nenhuma outra figura do catolicismo me interessava a não ser a mãe "Fátima", li, vi filmes e sempre me fascinaram as histórias sobre Avalon... A certa altura da minha vida deixei toda essa magia de parte para ser a Dra. que a sociedade impunha, hoje sinto que a cada passo regresso à origem... E sei tão pouco... Fico-lhe muito grata pelo trabalho que fez, pela capacidade de por em papel tanto da nossa história perdida... Nem sei bem que palavras usar... Porque ainda não percebi bem o que a minha alma insiste em levar-me a encontrar... Apenas consigo perceber que o livro que escreveu e a informação que transmite parece que preenche espaços do meu Ser... E sentir isso lindo. E só posso manifestar uma enorme gratidão para contigo. Grata 🌿 Que a sua vida seja também próspera em bênçãos."


Raquel Queiroz



"Gostava de partilhar algo consigo: conforme vou lendo o seu livro, vou acordando memórias de miúda, do tempo em que, sentada à lareira nas noites de Inverno, ouvia as mulheres da família a contarem histórias antigas.

Ora estou a dar-me conta de uma enorme lista de lendas e ou lugares de "Mouras Encantadas". A avó Aurora e mais tarde a minha mãe, contavam inúmeras histórias, não como "história ou lenda", mas sim crentes de que aquilo tinha mesmo acontecido. Estes relatos sobre as Mouras terminavam invariavelmente a demonizá-las...apareciam sempre uns tais "bois ou touros pretos, que infalivelmente representavam os demónios para quem elas, as Mouras, trabalhavam.

o mais interessante é que, aqui perto de Aveiro, no lugar onde nasci (Verdemilho), que me lembre, existiam uns 3 a 4 lugares marcados como sendo de Mouras, isto numa aldeia minúscula!

interessante também o facto da Deusa Aurora estar relacionada com os partos.... a minha Avó Aurora era a parteira do lugar, e Aurora não era o nome dela. Rejeitou o nome de batismo e assumiu o de Aurora, que a madrinha insistia em lhe chamar."

 Orquídea Branco



“já vou a meio e a adorar, que maravilha de livro !”

Simone Sousa
 

 
      Pode ser encomendado através do site da própria editora, Zéfiro, na Wook ou em qualquer livraria do país

Conferência da Deusa Portugal 2026 Honrando Cale das Águas – Útero Sagrado da Criação

  A quarta edição da Conferência da Deusa Portugal realizou-se entre 8 e 10 de Maio, desta vez dedicada à Mãe das Águas. Por essa razão esco...